Conselheiros criticam balanço da Petrobrás

A falta de tempo para analisar os dados e discordâncias quanto ao método utilizado para realizar as baixas contábeis levaram os conselheiros da Petrobras não indicados pelos acionistas controladores a não aprovar os balanços do terceiro trimestre e do ano de 2014. Enquanto Mauro Cunha, representante dos acionistas ordinaristas, e Silvio Sinedino, representante nos trabalhadores, votaram contra a aprovação do balanço, José Monforte, representante dos preferencialistas, se absteve da votação dos resultados da companhia. A empresa divulgou ontem ao mercado os votos em separado dos três conselheiros.

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O conselheiro acrescentou que houve a adoção de "uma série de premissas que, embora até justificáveis isoladamente (em alguns casos), no seu conjunto apontam numa só direção: a falta de conservadorismo na análise". Segundo ele, a empresa adota uma taxa de alavancagem bastante superior àquela utilizada pelos avaliadores independentes. Cunha diz que usou-se uma taxa de desconto inferior em quase 300 pontos-base em relação à avaliação feita pelos peritos independentes.

"O que se vê é uma escolha de parâmetros que tem como resultado diminuir os ajustes requeridos às demonstrações financeiras. Considero tais práticas equivocadas", disse Cunha no voto, que ainda questionou a baixa de R$ 6,2 bilhões feita devido à corrupção. Segundo ele, foi "inoportuno" realizar a "baixa de gastos adicionais capitalizados indevidamente".

"Entendo que o "impairment" bem feito teria sido o que esta companhia deveria fazer neste momento para se assegurar que seus ativos estejam adequadamente reportados", frisou Cunha.


Fonte: Valor Econômico [28/042015] via síntese da matéria em Portos e Navios.


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Editoria: Prof. Alexandre Alcantara