Porque auditores não conseguem descobrir fraudes?

Porque auditores não conseguem descobrir fraudes?

A perita contábil americana Tracy Coenen apresenta algumas consideração sobre porque auditorias financeiras tradicionais frequentemente falham em identificar atividades fraudulentas dentro de uma organização. Ela destaca que a dependência de controles internos e a aplicação de testes previsíveis facilitam a ocultação de crimes por funcionários que conhecem a rotina dos auditores. Além disso, a prática de amostragem de transações focando em valores elevados permitem que desvios menores ou fragmentados passem despercebidos.

Confira as principais causas pelas quais as auditorias tradicionais falham em detectar fraudes:

  • Dependência excessiva de controles internos: Os auditores determinam a quantidade de testes que realizarão com base em sua avaliação dos controles internos da empresa; se essa avaliação inicial estiver incorreta, a auditoria não será planejada de forma adequada.
  • Testes de auditoria previsíveis: Os auditores frequentemente realizam os mesmos testes e focam nas mesmas contas ou tipos de transação ano após ano. Quando os funcionários sabem o que será analisado, fica muito mais fácil fabricar documentos ou reorganizar estoques para ocultar fraudes.
  • Uso de amostragem: Como é impossível examinar todas as transações de uma empresa, os auditores testam apenas uma amostra. Consequentemente, há uma grande chance de que a transação fraudulenta não seja selecionada para revisão.
  • Manipulação de escopo e materialidade: Os auditores tendem a focar em transações de valores mais altos para obter maior cobertura. Sabendo disso, funcionários mal-intencionados podem esconder a fraude dividindo-a em pequenos lançamentos contábeis que provavelmente não serão examinados.
  • Inexperiência da equipe de campo: A maior parte do trabalho de campo da auditoria é realizada por auditores mais jovens e inexperientes. Eles frequentemente não sabem quais perguntas fazer, têm receio de desafiar a administração e não possuem um entendimento profundo sobre o negócio ou sobre como os esquemas de fraude funcionam.
  • Ambientes de negócios altamente dinâmicos: A rápida mudança nos negócios devido a fusões, aquisições e novos produtos torna quase impossível comparar as finanças de uma empresa de um ano para o outro. As práticas de auditoria não acompanharam essa velocidade, o que é facilmente explorado por fraudadores.
  • Acompanhamento investigativo inadequado: Quando os auditores encontram problemas, como a falta de documentação para apoiar uma transação, eles muitas vezes assumem que é apenas um erro e selecionam uma transação alternativa para testar, em vez de investigar se há uma motivação mais sinistra por trás do sumiço.
  • O problema da “agulha no palheiro”: A gestão tem uma grande vantagem porque sabe exatamente onde a fraude foi escondida, enquanto os auditores procuram às cegas, sem sequer saber se alguma fraude de fato ocorreu.
  • Dificuldade em auditar estimativas: Partes críticas das demonstrações financeiras dependem do julgamento e das estimativas da própria gestão. É muito difícil para os auditores avaliarem a precisão dessas estimativas, pois geralmente não possuem as informações detalhadas e o conhecimento aprofundado do negócio que a administração tem.

Resumo do vídeo e infográfico gerado pelo NotebbokLM


A íntegra do vídeo disponível com legendas automáticas em português.

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Editoria: Prof. Alexandre Alcantara