Os dilemas quanto a operacionalização do IBS por gigantes da tecnologia

Os dilemas quanto a operacionalização do IBS por gigantes da tecnologia

Por Alexandre Alcantara

Uma matéria publicada ontem no Portal Poder 360, intitulada “Gigantes da tecnologia alertam para caos fiscal em 2026“, traz um alerta crucial sobre a Reforma Tributária. Uma coalizão de grandes empresas de tecnologia e streaming no Brasil considera as novas regras para emissão de notas fiscais “impraticáveis”, temendo que comprometam a simplificação prometida. O problema central é a transição de um modelo de consolidação de milhões de transações em um único documento fiscal para um modelo individualizado. André Porto, da Amobitec, estima que o número de notas fiscais saltará de centenas para 2,2 bilhões por mês, com exemplos como a Uber tendo que emitir uma nota por corrida ou o iFood exigindo no mínimo três documentos fiscais por pedido.

O setor, que inclui 99, Amazon, iFood, Uber, Netflix e outras grandes plataformas, expressa grande preocupação com a falta de clareza sobre o sistema da Receita Federal e sua capacidade de suportar tal volume de transações, afirmando ser “impossível” cumprir as obrigações acessórias em 1º de janeiro de 2026 sem definições claras. Diante desse cenário de “iminente caos operacional”, as associações propuseram quatro medidas para o PLP 108 de 2024: um prazo de adaptação, suspensão de penalidades e da exigibilidade de tributos (CBS e IBS) em 2026, e a manutenção da validade dos documentos fiscais atuais.

Em resposta, o Ministério da Fazenda negou categoricamente que haverá “caos em 2026” e refutou a falta de respostas, assegurando que “estão sendo avaliadas as melhores alternativas para racionalizar a emissão de documentos fiscais pelo setor”. A Receita Federal, segundo o Ministério, mantém um “constante diálogo” com o setor, garantindo que não exigirá obrigações acessórias sem um período de adaptação dos sistemas das empresas. Além disso, o sistema da Receita já está em fase de testes piloto com até 500 empresas parceiras, e 2026 será um ano de testes e ajustes, visando uma transição segura e tranquila.

Visited 26 times, 1 visit(s) today

Editoria: Prof. Alexandre Alcantara