Fraude Corporativa: o perigo ignorado por advogados

Fraude Corporativa: o perigo ignorado por advogados

Por Alexandre Alcantara

Gostaria de recomendar a leitura do artigo “What Attorneys Should Know About Fraud” (O que os advogados devem saber sobre fraude), escrito por Tracy Coenen, perita contábil forense e investigadora de fraudes. O texto oferece uma perspectiva crucial sobre um tema frequentemente negligenciado no ambiente corporativo e jurídico: a fraude.

Coenen destaca que a fraude em empresas geralmente não é levada a sério até que um roubo significativo ocorra ou grandes riscos sejam identificados. Essa postura reativa, embora comum, não é a melhor para a saúde de longo prazo de uma empresa. Um ponto central do artigo é que a fraude nunca acontece isoladamente; um incidente solitário é raro e pode ter efeitos de longo alcance, afetando o moral dos funcionários ao redor do perpetrador e a forma como os negócios são conduzidos. Pode até mesmo lançar suspeitas sobre outros além do perpetrador imediato. Além disso, uma fraude praticada pela alta gerência é descrita como a mais devastadora, não só por ser a mais custosa, mas pela péssima mensagem de falta de integridade que envia aos funcionários, questionando a honestidade em outros níveis. O texto também adverte que uma pequena fraude pode ser sintomática de fraudes maiores, sugerindo a necessidade de uma análise completa da empresa.

A autora enfatiza a importância de envolver um perito em fraudes assim que uma fraude é descoberta. Um investigador experiente é fundamental para coletar e preservar as informações corretamente, analisar os dados rapidamente e identificar informações adicionais necessárias para a investigação. A ação rápida após a descoberta de uma fraude é vital, pois envia uma mensagem clara aos funcionários de que a gestão leva o assunto a sério e que medidas serão tomadas para investigar e punir os infratores, promovendo uma cultura corporativa honesta e ética. As medidas proativas antifraude são consideradas a resposta certa para proteger o futuro das empresas.

Em determinado ponto, o artigo aborda questões específicas de contabilidade e auditoria. Coenen desaconselha que a investigação de fraudes financeiras seja conduzida pela equipe de auditoria interna ou contabilidade da própria empresa. Isso se deve a problemas de independência, visto que membros do departamento de contabilidade podem estar envolvidos na fraude ou ter conhecimento de partes dela. Há também questões de experiência, pois auditores internos podem não ter vivência em investigar fraudes ou testemunhar em tribunal. Por isso, um perito em fraudes externo é considerado a melhor opção, pois oferece total objetividade ao analisar as evidências e traz a melhor experiência para a mesa, podendo fazer perguntas difíceis e explorar questões desconfortáveis sem receio de suspeita ou retaliação. O texto também ressalta que muitos executivos e advogados acreditam que os controles antifraude de suas empresas são mais eficazes do que realmente são, e que a urgência em examinar políticas e procedimentos muitas vezes só surge após um problema real se manifestar. As empresas frequentemente descobrem que seus controles de prevenção de fraudes são insuficientes, ineficazes ou inexistentes.


Confira aqui a íntegra do artigo:

What Attorneys Should Know About Fraud

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Editoria: Prof. Alexandre Alcantara