{"id":940,"date":"2011-03-29T11:09:39","date_gmt":"2011-03-29T11:09:39","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/03\/29\/a-bencao-das-materias-primas\/"},"modified":"2011-03-29T11:09:39","modified_gmt":"2011-03-29T11:09:39","slug":"a-bencao-das-materias-primas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/03\/29\/a-bencao-das-materias-primas\/","title":{"rendered":"A ben\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias-primas"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\"> \t<span style=\"font-size: 14px\">Por Pedro Correia<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\">Um bom texto publicado no <a href=\"http:\/\/www.valoronline.com.br\/impresso\/opiniao\/98\/402925\/a-bencao-das-materias-primas\">Valor<\/a>, baseado no artigo de <a href=\"https:\/\/iriss.stanford.edu\/sites\/all\/files\/sshp\/docs\/Haber%20and%20Menaldo%20APSR%202011.pdf\">Heber e Menaldo<\/a>,afirma que a maldi&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais &eacute; menos importante do que se pensa.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p> \t\t<span style=\"font-size: 14px\"><em>Um dos t&oacute;picos mais arraigados no pensamento econ&ocirc;mico das &uacute;ltimas d&eacute;cadas foi a maldi&ccedil;&atilde;o das mat&eacute;rias-primas.[1] Nos pa&iacute;ses em desenvolvimento, ter petr&oacute;leo, minerais ou produtos agr&iacute;colas era sin&ocirc;nimo de corrup&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e autoritarismo pol&iacute;tico, desperd&iacute;cios e saques, guerras civis e golpes de Estado frequentes. &Eacute; poss&iacute;vel que precisemos revisar drasticamente essa suposta lei da maldi&ccedil;&atilde;o das mat&eacute;rias-primas, muito especialmente, quando a aplicamos a determinadas regi&otilde;es da Am&eacute;rica Latina. <\/em><\/span><\/p>\n<p> \t\t<span style=\"font-size: 14px\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p> \t\t<span style=\"font-size: 14px\"><em>Na&ccedil;&otilde;es com enormes recursos naturais, como Nig&eacute;ria, Angola, Gab&atilde;o, Bol&iacute;via e Venezuela, t&ecirc;m boa parte de suas popula&ccedil;&otilde;es vivendo abaixo da linha da pobreza ou mesmo da extrema pobreza. Muitos outros, como Ar&aacute;bia Saudita, L&iacute;bia, Ir&atilde;, Sud&atilde;o e at&eacute; R&uacute;ssia, n&atilde;o se destacam por serem democracias exemplares. Em ambos os casos, no entanto, tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel dizer o mesmo de muitos pa&iacute;ses que carecem de recursos naturais. Em outras palavras, n&atilde;o h&aacute; maldi&ccedil;&atilde;o &quot;per se&quot;, por si s&oacute;, das mat&eacute;rias-primas. Seria mais o contr&aacute;rio, em muitos casos (em particular na Am&eacute;rica Latina).<\/em><\/span><\/p>\n<p> \t\t<span style=\"font-size: 14px\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p> \t\t<span style=\"font-size: 14px\"><em>Stephen Haber e V&iacute;ctor Menaldo descobriram que os incrementos da depend&ecirc;ncia em mat&eacute;rias-primas n&atilde;o levaram, na Am&eacute;rica Latina, a democracias sistematicamente mais fracas nem mesmo impediram processos de democratiza&ccedil;&atilde;o. Ao contr&aacute;rio, seria mais o caso de falar em uma ben&ccedil;&atilde;o disfar&ccedil;ada (e n&atilde;o uma maldi&ccedil;&atilde;o) das mat&eacute;rias-primas: desde 1800 o aumento das receitas derivadas das mat&eacute;rias-primas veio associado a uma maior democracia. <\/em><\/span><\/p>\n<p> \t\t<span style=\"font-size: 14px\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p> \t\t<span style=\"font-size: 14px\"><em>No &acirc;mbito econ&ocirc;mico, o que importa, no fim das contas, &eacute; a capacidade dos Estados e empresas de um pa&iacute;s de dar saltos produtivos, ou seja, empreender uma diversifica&ccedil;&atilde;o mais al&eacute;m das mat&eacute;rias-primas. O que importa, no fim das contas, &eacute; o que se faz ou se deixa de fazer com essa abund&acirc;ncia. A compara&ccedil;&atilde;o entre Noruega e Venezuela ilustra isso: h&aacute; mais de meio s&eacute;culo, os dois pa&iacute;ses ostentavam n&iacute;veis de desenvolvimento compar&aacute;veis. Hoje, Noruega e Venezuela, ambos pa&iacute;ses com petr&oacute;leo, apresentam caminhos de desenvolvimento drasticamente opostos. Um n&atilde;o deixou de se enriquecer, enquanto o outro, de empobrecer. Embora a Noruega hoje consiga exportar sete vezes mais petr&oacute;leo por habitante que a Venezuela, o petr&oacute;leo bruto representa apenas 35% do total de suas exporta&ccedil;&otilde;es (no caso da Venezuela, a porcentagem &eacute; superior a 85%). A Noruega conseguiu saltos produtivos, diversificar[2] sua capacidade e suas empresas e construir colossos mundiais nas ind&uacute;strias de petroleiros, de explosivos e s&iacute;smica. Suas riquezas permitiram-lhe empreender uma corrida em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; inova&ccedil;&atilde;o e diversifica&ccedil;&atilde;o. No seu caso, o ouro negro n&atilde;o foi uma maldi&ccedil;&atilde;o, ao contr&aacute;rio. Esse tipo de salto tamb&eacute;m foi dado pela Finl&acirc;ndia, pa&iacute;s rico em madeira, que conseguiu produzir uma fortaleza tecnol&oacute;gica como a Nokia a partir da ind&uacute;stria madeireira.<\/em><\/span><\/p>\n<p> \t\t<span style=\"font-size: 14px\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p> \t\t<span style=\"font-size: 14px\"><em>N&atilde;o h&aacute; motivos para os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina n&atilde;o darem esses saltos, a n&atilde;o ser eles pr&oacute;prios. O Brasil mostra isso com sua agroind&uacute;stria[2]. <\/em><\/span><\/p>\n<p> \t\t<span style=\"font-size: 14px\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<hr \/>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\">[1] Este assunto j&aacute; foi tratado diversas vezes neste <a href=\"http:\/\/contabilidadefinanceira.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">blog<\/a>.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\">[2]Em rela&ccedil;ao a situa&ccedil;&atilde;o do Brasil, ainda tenho medo que o pa&iacute;s se torne mais Venezuela do que Noruega. Como j&aacute; foi dito neste blog:as decis&otilde;es recentes de usar o dinheiro do pr&eacute;-sal para capitalizar empresas estatais, indicam que o pa&iacute;s ainda n&atilde;o evitou a maldi&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais. Apesar da vis&atilde;o otimista de alguns. Ainda, existe uma m&aacute; uma utiliza&ccedil;&atilde;o desses recursos, atrapalhando o direcionamento do Brasil para o caminho da Finl&acirc;ndia ou Noruega, que al&eacute;m de buscarem inova&ccedil;&atilde;o e diversifica&ccedil;&atilde;o de sua economia priorizaram, principalmente,invetimentos em capital humano.Para concluir &eacute; interessante ler o artigo de Dem&eacute;trio Magnoli : <a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/estadaodehoje\/20110317\/not_imp693016,0.php\">A maldi&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;-sal.<\/a><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\">Fonte: Blog <a href=\"http:\/\/contabilidadefinanceira.blogspot.com\/2011\/03\/bencao-das-materias-primas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Contabilidade Financeira<\/a>, por Pedro Correia<\/span><\/p>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Pedro Correia &nbsp; Um bom texto publicado no Valor, baseado no artigo de Heber<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[76],"tags":[],"class_list":["post-940","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/940","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=940"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/940\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=940"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=940"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=940"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}