{"id":892,"date":"2011-03-12T13:04:26","date_gmt":"2011-03-12T13:04:26","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/03\/12\/contador-simplesmente-complicado\/"},"modified":"2011-03-12T13:04:26","modified_gmt":"2011-03-12T13:04:26","slug":"contador-simplesmente-complicado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/03\/12\/contador-simplesmente-complicado\/","title":{"rendered":"Contador, simplesmente complicado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"> \t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Marcelo Henrique da Silva<\/span><\/span><br \/> \t&nbsp;<\/p>\n<div class=\"post-body entry-content\">\n<div align=\"justify\"> \t\tAssim disse (e escreveu) um professor-autoridade cont&aacute;bil brasileira: &ldquo;Se algum contador n&atilde;o souber falar e escrever pelo menos durante duas horas e umas 20 p&aacute;ginas sobre a &lsquo;ess&ecirc;ncia sobre a forma&rsquo; e o &lsquo;valor justo&rsquo; ser&aacute; sumariamente expurgado da considera&ccedil;&atilde;o dos pares &lsquo;mas adiantados&rsquo;, quando n&atilde;o punido com execu&ccedil;&atilde;o de apedrejamento moral, at&eacute; a morte (cont&aacute;bil)&rdquo;.<\/p>\n<p> \t\tNada melhor, nesse momento, que a opini&atilde;o de Donaldo Sch&uuml;ler quando esclarece que &ldquo;pouco vale o que as palavras [acima] dizem, decisivo &eacute; o que elas ocultam&rdquo;.<\/p><\/div>\n<div align=\"justify\"> \t\t&Eacute; preciso, ent&atilde;o, atrever-se a dar nova liberdade &agrave;s palavras autorit&aacute;rias&#8230;<\/p>\n<p> \t\tUm passo adiante nessa psicologia do consensus sapientium cont&aacute;beis, adotada pelo professor-autoridade, encontramos, inicialmente, a convic&ccedil;&atilde;o da verdade. E quem est&aacute; convicto da verdade n&atilde;o precisa escutar. Por que escutar? Somente prestam aten&ccedil;&atilde;o nas opini&otilde;es dos outros, diferentes da pr&oacute;pria, aqueles que n&atilde;o est&atilde;o convictos de ser possuidores da verdade. Quem n&atilde;o est&aacute; convicto est&aacute; pronto a escutar &ndash; &eacute; um permanente aprendiz. Quem est&aacute; convicto n&atilde;o tem o que aprender &ndash; &eacute; um permanente mestre de catecismo. As inquisi&ccedil;&otilde;es se fazem com pessoas convictas.<\/p>\n<p> \t\tCom bem salientou o mestre Rubem Alves &ndash; talvez o professor-autoridade desconhe&ccedil;a esse mestre &ndash;, &ldquo;o professor verdadeiro, acima de todas as coisas que ensina, ensina a arte de desconfiar de si mesmo&rdquo;.<\/p>\n<p> \t\tNesse mesmo sentido &eacute; importante a opini&atilde;o do fil&oacute;sofo Bertrand Rusell, quando afirmou que gostaria de ver um mundo em que a educa&ccedil;&atilde;o tivesse antes a liberdade mental que o encarceramento do esp&iacute;rito dos jovens numa r&iacute;gida armadura de dogmas.<\/p>\n<p> \t\tNoutro passo, mais adiante, encontramos a mentira partid&aacute;ria, descrita por Nietzsche como sendo aquela que algu&eacute;m engana a si mesmo; um n&atilde;o querer ver.<\/p>\n<p> \t\tDiz o fil&oacute;sofo que esse n&atilde;o querer ver o que se v&ecirc;, esse n&atilde;o quer ver da maneira que se v&ecirc;, &eacute; quase a condi&ccedil;&atilde;o primeira de todos que s&atilde;o partid&aacute;rios em algum sentido.<\/p>\n<p> \t\tPor exemplo: o novo padr&atilde;o cont&aacute;bil &eacute; obrigat&oacute;rio a todas as empresas brasileiras (sic)!<br \/> \t\t <!--more-->  \t\t<br \/> \t\tUm pouco mais adiante, e encontramos a Teoria do Medo: ou desfrutam conosco da seguran&ccedil;a cont&aacute;bil e adotam (todos) o novo padr&atilde;o cont&aacute;bil ou est&atilde;o contra n&oacute;s, e nesse caso a espada ser&aacute; o juiz.<\/p>\n<p> \t\tPara dissipar eventuais d&uacute;vidas dessa Teoria do Medo, basta notar a indica&ccedil;&atilde;o, subliminar ou n&atilde;o, adotada pelos partid&aacute;rios propagandistas componentes do consensus sapientium cont&aacute;beis, em cursos, eventos, opini&otilde;es, etc de que o profissional cont&aacute;bil responderia, inclusive eticamente, pela falta de aplica&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o cont&aacute;bil internacional (nada mais inocente, diga-se de passagem).<\/p>\n<p> \t\tO grau de compreens&atilde;o da realidade que se oculta no texto do professor-autoridade depende, e muito, do modo pelo qual este &eacute; observado &ndash; livre ou aprisionado.<\/p>\n<p> \t\tDepende, sobretudo, da posi&ccedil;&atilde;o em que se coloca quem pretende analis&aacute;-lo. &Eacute; preciso coragem; liberdade de pensamento.<\/p>\n<p> \t\tFoi o Zatustra, de Nietzsche, quem disse que &eacute; preciso ter um caos dentro de si para dar &agrave; luz uma estrela cintilante; e completou: corajoso, despreocupados, zombeteiros, violentos, eis como nos quer a sabedoria.<\/p>\n<p> \t\tConverte-se em simples objeto aquele profissional que se recusa a valorar; &eacute; levado ao sabor dos ventos pela propaganda oficial &ndash; todos est&atilde;o obrigados a seguir o padr&atilde;o cont&aacute;bil, caso contr&aacute;rio ser&atilde;o punidos com execu&ccedil;&atilde;o de apedrejamento moral, at&eacute; a morte cont&aacute;bil.<\/p>\n<p> \t\tNa descri&ccedil;&atilde;o de Mar&iacute;lia Fiorillo o medo &eacute; a ant&iacute;tese da imagina&ccedil;&atilde;o. Contra especula&ccedil;&otilde;es, medo. Contra d&uacute;vidas, medo. Contra sonhos e desejos, medo. Contra o poder libertador e corrosivo do pensamento, s&oacute; mesmo o medo.<\/p>\n<p> \t\tEis, nesse contexto, a agenda pol&iacute;tico partid&aacute;ria cont&aacute;bil: o medo!<\/p>\n<p> \t\tPenso oportuno as palavras do Prof. S&eacute;rgio Alves Gomes, quando afirma que a vida humana &eacute; sucess&atilde;o de possibilidades. E, por assim dizer, cada instante traz em si um novo desafio ao homem: o da escolha entre enfrentar racionalmente os problemas ou ignor&aacute;-los, deixando-se levar ao sabor dos ventos, como se nada pudesse fazer para mudar o curso de sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria (cont&aacute;bil).<\/p>\n<p> \t\tO professor-autoridade acredita que, no solipsismo da raz&atilde;o cont&aacute;bil, encontra respostas para tudo. No entanto, a experi&ecirc;ncia socr&aacute;tica do di&aacute;logo j&aacute; h&aacute; muito demonstrou que o conhecimento e a constru&ccedil;&atilde;o de sentido s&oacute; s&atilde;o poss&iacute;veis mediante o di&aacute;logo, a intersubjetividade, gra&ccedil;as &agrave; qual nascem os discursos nas mais variadas esferas do conhecimento humano.<\/p>\n<p> \t\tO contador que queira se livrar dos grilh&otilde;es da caverna de Plat&atilde;o &eacute; algu&eacute;m que almeja caminhar em busca da sabedoria. Um &ldquo;novo&rdquo; contador n&atilde;o necessita de uma &ldquo;nova&rdquo; contabilidade. O &ldquo;novo&rdquo; contador tem a capacidade de renovar-se, de recusar a carca&ccedil;a da propaganda cont&aacute;bil do pensamento &uacute;nico; unidimensional.<\/p>\n<p> \t\tCabe ao &ldquo;novo&rdquo; contador desenvolver n&atilde;o s&oacute; a capacidade interpretativa, mas tamb&eacute;m, argumentativa, capaz de ler e compreender, al&eacute;m do expl&iacute;cito, o que h&aacute; de impl&iacute;cito nos textos das autoridades cont&aacute;beis (o universo impl&iacute;cito pode ser at&eacute; maior do que o que j&aacute; vem explicitado).<\/p>\n<p> \t\tO &ldquo;novo&rdquo; contador &eacute; algu&eacute;m que n&atilde;o se conforma com a mera somat&oacute;ria de conhecimentos; almeja caminhar em busca da sabedoria, da liberdade.<\/p>\n<p> \t\tEnfim, s&oacute; a educa&ccedil;&atilde;o liberta pessoas, povos, pa&iacute;ses e na&ccedil;&otilde;es da ignor&acirc;ncia e da subservi&ecirc;ncia.<\/p>\n<p> \t\tAfinal, s&oacute; existe sombra porque h&aacute; luz&#8230;<\/p><\/div>\n<hr \/>\n<p> \t<strong><a href=\"http:\/\/neopatrimonialismo.blogspot.com\/2011\/02\/contador-simplismente-complicado.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Henrique da Silva<\/a><\/strong>, &eacute; contador em Londrina. <span _fck_bookmark=\"1\" style=\"display: none\">&nbsp;<\/span> \t<\/p>\n<hr \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcelo Henrique da Silva &nbsp; Assim disse (e escreveu) um professor-autoridade cont&aacute;bil brasileira: &ldquo;Se algum<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[167],"tags":[],"class_list":["post-892","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-profissao-contabil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/892","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=892"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/892\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=892"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=892"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=892"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}