{"id":883,"date":"2011-02-24T19:03:27","date_gmt":"2011-02-24T19:03:27","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/02\/24\/o-rastro-da-onca-2\/"},"modified":"2011-02-24T19:03:27","modified_gmt":"2011-02-24T19:03:27","slug":"o-rastro-da-onca-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/02\/24\/o-rastro-da-onca-2\/","title":{"rendered":"O rastro da on\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"> \t<strong>por Reginaldo de Oliveira<\/strong><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAvizinham-se ondas e mais ondas que ir&atilde;o varrer uma significativa parcela do nosso ambiente empresarial &ndash; uma for&ccedil;a tsun&acirc;mica que atropelar&aacute; principalmente os incautos e despreparados. Ap&oacute;s anos de an&uacute;ncios, parece que dessa vez &eacute; pra valer. O Fisco diz que finalmente est&aacute; alcan&ccedil;ando a t&atilde;o propalada intelig&ecirc;ncia fiscal (Protocolo ICMS 66\/2009). Tal empreitada &eacute; seriamente comprometida por um fen&ocirc;meno que h&aacute; d&eacute;cadas emperra o desenvolvimento do pa&iacute;s. Trata-se do descompasso entre a prolixa e indecifr&aacute;vel complexidade da legisla&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria e a sua efetiva aplicabilidade. Basta lembrar que os t&eacute;cnicos de uma conceituada &ldquo;software house&rdquo; alem&atilde; n&atilde;o conseguiram preparar o mais poderoso sistema de gest&atilde;o conhecido para atender as necessidades fiscais da maior empresa do Brasil. Isso, apesar de muito dinheiro despejado no projeto. Se uma empresa de porte gigantesco, que investe maci&ccedil;amente na capacita&ccedil;&atilde;o do seu capital intelectual passa diariamente por dificuldades relacionadas ao cumprimento das normas tribut&aacute;rias, que dir&aacute; as que n&atilde;o disp&otilde;em de tantos recursos.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAo longo de anos vivemos uma esquizofrenia tribut&aacute;ria onde a aplica&ccedil;&atilde;o de procedimentos fiscais est&aacute; dissociada do texto da lei. Isso acontece porque os dispositivos legais est&atilde;o entremeados por uma s&eacute;rie de condicionantes pormenorizadas, que ainda por cima encontram-se conectadas a uma teia de normativas profusas que se expandem e se multiplicam em escala geom&eacute;trica. O legislador &eacute; tamb&eacute;m prol&iacute;fico na cria&ccedil;&atilde;o de regulamentos absolutamente impratic&aacute;veis. Um bom exemplo s&atilde;o as regras da substitui&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria do ICMS que estabelece particularidades t&atilde;o minuciosas que nem o pr&oacute;prio ente arrecadador respeita. Da&iacute; o motivo de peregrina&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias &agrave; Pra&ccedil;a 14 para se dizer ao Fisco que ele n&atilde;o aplicou a lei que ele mesmo criou.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tN&atilde;o era de se esperar que o legislador imprimisse racionalidade &agrave;s normas tribut&aacute;rias? A quem interessa tanta complica&ccedil;&atilde;o? Por que as coisas desembocam em uma confus&atilde;o dos diabos? Ser&aacute; que n&atilde;o est&aacute; a&iacute; o combust&iacute;vel que alimenta a corrup&ccedil;&atilde;o? De certo, quem se beneficia dessa mix&oacute;rdia &eacute; a ind&uacute;stria das a&ccedil;&otilde;es judiciais. Aquele que se aventura na aplica&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria em sua profundidade absoluta mergulha num labirinto sem fim. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que tanto se fala, mas n&atilde;o se combate a famigerada inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica, principalmente o aspecto da ilegalidade potencial, quando o cidad&atilde;o &eacute; impossibilitado de cumprir todas as normas estatais destinadas a regulamentar a sua vida. Da&iacute;, que para garantir a funcionalidade das suas opera&ccedil;&otilde;es muitas empresas se utilizam de expedientes tortuosos, como o tr&aacute;fico de influ&ecirc;ncia, para se manter na legalidade &ndash; um paradoxo dentro do paradoxo. Ou seja, se valem da consultoria de altos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos para garantir a prote&ccedil;&atilde;o do seu patrim&ocirc;nio.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tA onda do momento, que tem provocado muito rebuli&ccedil;o, &eacute; o projeto SPED. O progn&oacute;stico aponta para a total sistematiza&ccedil;&atilde;o da estrutura fiscal do Brasil, onde as opera&ccedil;&otilde;es de todas as empresas estar&atilde;o interligadas em um &uacute;nico sistema &ndash; uma esp&eacute;cie de &ldquo;big brother&rdquo; que lembra o filme Matrix. O ponto cr&iacute;tico desse ambicioso empreendimento est&aacute; na sua incompatibilidade com a realidade tribut&aacute;ria brasileira. Se o SPED ter&aacute; tent&aacute;culos suficientes para alcan&ccedil;ar em profundidade tudo quanto &eacute; opera&ccedil;&atilde;o fiscal, ent&atilde;o a nossa legisla&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria ter&aacute; que passar por uma transforma&ccedil;&atilde;o radical a fim de conferir l&oacute;gica ao que hoje n&atilde;o tem l&oacute;gica nenhuma. Um sistema de processamento eletr&ocirc;nico de dados n&atilde;o &eacute; um juiz que a todo instante interpreta o mesmo fato de forma diferente.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tOutro aspecto que deve ser observado &eacute; se o Fisco disp&otilde;e de estofo suficiente para digerir uma estrutura de tamanha grandeza, visto ser flagrante o despreparo de muita gente que hoje ocupa at&eacute; mesmo cargos estrat&eacute;gicos em &oacute;rg&atilde;os fazend&aacute;rios. Empreitadas dessa magnitude n&atilde;o dependem somente de equipamentos caros e aquisi&ccedil;&atilde;o de tecnologia de ponta. Por mais que tente, uma crian&ccedil;a de um ano de idade jamais conseguir&aacute; dirigir um carro. Ela ter&aacute; que comer muito feij&atilde;o at&eacute; estar pronta para encarar o desafio. O SPED obrigar&aacute; o Fisco a se elevar a um outro n&iacute;vel de consci&ecirc;ncia organizacional. At&eacute; que isso aconte&ccedil;a milh&otilde;es de toneladas de feij&atilde;o dever&atilde;o ser consumidas.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tApesar dos pesares, n&atilde;o se deve subestimar as a&ccedil;&otilde;es do Fisco. &Eacute; bom lembrar que ele est&aacute; municiado com artilharia de grosso calibre. O momento &eacute; oportuno para o desenvolvimento de uma intelig&ecirc;ncia fiscal interna que possa amortecer os impactos do SPED. Por enquanto, ningu&eacute;m sabe exatamente que cara tem o bicho, mas os seus sinais j&aacute; s&atilde;o percept&iacute;veis. Ou seja, os rastros mostram que a on&ccedil;a &eacute; grande e deve estar faminta.<\/p>\n<hr \/>\n<p> \tPublicado no Jornal do Commercio edi&ccedil;&atilde;o 30_31\/01\/2011 &ndash; Manaus\/AM &#8211; p&aacute;g. A4 &#8211; <a href=\"http:\/\/www.4shared.com\/photo\/Qts6mB2R\/041_o_rastro_da_onca.html\">http:\/\/www.4shared.com\/photo\/Qts6mB2R\/041_o_rastro_da_onca.html<\/a>&nbsp;e <a href=\"http:\/\/www.artigo41.rg3.net\">www.artigo41.rg3.net<\/a><\/p>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Reginaldo de Oliveira &nbsp; Avizinham-se ondas e mais ondas que ir&atilde;o varrer uma significativa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[183],"tags":[],"class_list":["post-883","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sped"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/883","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=883"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/883\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=883"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}