{"id":882,"date":"2011-02-24T19:00:42","date_gmt":"2011-02-24T19:00:42","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/02\/24\/justica-fiscal\/"},"modified":"2011-02-24T19:00:42","modified_gmt":"2011-02-24T19:00:42","slug":"justica-fiscal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/02\/24\/justica-fiscal\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a Fiscal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"> \t<strong>por Reginaldo de Oliveira<\/strong><\/p>\n<p> \tPor anos a fio acompanhamos as incans&aacute;veis vozes que v&ecirc;m nos alertando para o insustent&aacute;vel peso da carga tribut&aacute;ria. As diversas inst&acirc;ncias das entidades fazend&aacute;rias habituaram-se ao despudor de majorar os impostos a seu bel-prazer, convictas de que o contribuinte engoliria todos os sapos que empurrassem na sua garganta. Para esquivar-se da voracidade do Fisco, o contribuinte se acostumou &agrave; pr&aacute;tica descarada da sonega&ccedil;&atilde;o. O resultado dessa sopa de rapadura com jil&oacute; &eacute; um ambiente tribut&aacute;rio funesto.<\/p>\n<p> \tA deforma&ccedil;&atilde;o da nossa realidade fiscal culminou numa esp&eacute;cie de viola&ccedil;&atilde;o do inciso II do artigo 150 da Constitui&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde;, que pro&iacute;be tratamento desigual entre contribuintes. O mais articulado e enfronhado nos altos c&iacute;rculos do poder escorre ileso pelas garras do Fisco, enquanto o ing&ecirc;nuo e deslocado do esquema &eacute; incumbido de pagar o pato &ndash; pagar por ele e pelo outro. Afinal de contas, o Estado precisa saldar seus compromissos.<\/p>\n<p> \tAt&eacute; que ponto um hospedeiro suporta o carcinoma que lhe exaure as for&ccedil;as?<\/p>\n<p> \tUm fen&ocirc;meno relativamente recente aponta para um novo ordenamento desse cen&aacute;rio dantesco. O projeto SPED vem gradualmente demonstrando seu prop&oacute;sito &#8211; seus m&uacute;ltiplos tent&aacute;culos est&atilde;o se movimentando com agilidade vertiginosa. As consequ&ecirc;ncias, nesse primeiro est&aacute;gio, s&atilde;o tortuosas. Ou seja, aquele que sonegava agora est&aacute; pagando demais. Na conjuntura anterior o Fisco utilizava um canh&atilde;o sem al&ccedil;a de mira na expectativa de que os estilha&ccedil;os do proj&eacute;til respingassem em um ou outro contribuinte. Agora, o canh&atilde;o est&aacute; com mira laser (o tiro &eacute; preciso e desproporcional). O SPED pode desencadear uma ruptura do atual modelo tribut&aacute;rio e provocar uma revolu&ccedil;&atilde;o na cultura empresarial brasileira. Quando todos estiverem pagando, todos se unir&atilde;o em bloco para exigir um ambiente tribut&aacute;rio mais justo e organizado.<\/p>\n<p> \tO grande problema &eacute; que a maioria dos contribuintes brasileiros nunca exerceu plenamente sua cidadania; nunca cumpriu plenamente seus deveres nem jamais teve no&ccedil;&atilde;o exata dos seus direitos. Nesse quesito, somos uma na&ccedil;&atilde;o de analfabetos. Problema maior &eacute; que agora a balan&ccedil;a pendeu para um dos lados. O coletado n&atilde;o tem mais como fugir dos seus deveres e n&atilde;o sabe como exigir os seus direitos.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p> \tFazer valer o direito &eacute; algo muito mais complexo do que se pode imaginar, visto que para mudar um homem &eacute; preciso come&ccedil;ar pela av&oacute; dele. Como determinadas modalidade de reivindica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o rarefeitas, os ju&iacute;zes n&atilde;o possuem familiaridade com certos tipos de demandas. Quanto aos &oacute;rg&atilde;os fazend&aacute;rios, esses negam acintosamente direitos fundamentais previstos na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, legisla&ccedil;&atilde;o complementar e at&eacute; mesmo no pr&oacute;prio Regulamento do ICMS, como &eacute; o caso do represamento de cr&eacute;ditos fiscais de uma infinidade de contribuintes que o &oacute;rg&atilde;o se recusa a compensar com d&eacute;bitos da mesma natureza tribut&aacute;ria. Aos requerentes &eacute; transmitida a mensagem de que &eacute; mais inteligente engolir o sapo calado do que passar anos se desgastando na Justi&ccedil;a.<\/p>\n<p> \tAs cristaliza&ccedil;&otilde;es jurisprudenciais s&atilde;o consequ&ecirc;ncias das demandas da sociedade via intenso debate e questionamento envolvendo interesses dos mais diversos. No caso espec&iacute;fico da mat&eacute;ria tribut&aacute;ria tais questionamentos se concentram mais na vis&atilde;o dos te&oacute;ricos do que no exerc&iacute;cio pr&aacute;tico nos tribunais. Da&iacute;, o motivo da intransig&ecirc;ncia das inst&acirc;ncias administrativas fazend&aacute;rias e retic&ecirc;ncia dos ju&iacute;zes, que muitas vezes se debru&ccedil;am em elucubra&ccedil;&otilde;es para decidir o &oacute;bvio e insofism&aacute;vel.<\/p>\n<p> \tSer&aacute; que o nosso subdesenvolvimento &eacute; a raz&atilde;o da exist&ecirc;ncia desse estado de coisas? Ou ser&aacute; que o cerne do desenvolvimento de um pa&iacute;s est&aacute; justamente na mentalidade do seu povo? Desenvolvimento &eacute; uma quest&atilde;o de atitude? Se positivo, por que ent&atilde;o n&atilde;o agir?<\/p>\n<p> \tO fil&oacute;sofo alem&atilde;o Peter Koestenbaum afirmou que a coragem &eacute; o reino da vontade. Assim, est&aacute; mais do que na hora do encurralado contribuinte reagir, visto que a in&eacute;rcia dos resignados &eacute; a pedra angular que sustenta a tirania do Fisco. Se a maioria se levantar em a&ccedil;&otilde;es judiciais o pa&iacute;s vai parar devido ao extenso leque de inconstitucionalidades que permeia toda a legisla&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria. A coisa est&aacute; t&atilde;o contaminada que remendo nenhum ser&aacute; capaz de dar jeito nesse salseiro.<\/p>\n<p> \tConclui-se que o caminho mais inteligente &eacute; o da legalidade. Cumprindo seus deveres legais, o contribuinte ter&aacute; poder suficiente para colocar o Fisco no seu devido lugar. N&atilde;o h&aacute; outra sa&iacute;da!! &Eacute; isso ou continuaremos nessa balb&uacute;rdia que s&eacute;rios problemas t&ecirc;m trazido ao nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<hr \/>\n<p> \tPublicado no Jornal do Commercio edi&ccedil;&atilde;o 22\/02\/2011 &ndash; Manaus\/AM &#8211; p&aacute;g. A4 &#8211; <a href=\"http:\/\/www.reginaldo.cnt.br\/artigo42.jpg\">www.reginaldo.cnt.br\/artigo42.jpg<\/a><br \/> \t&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Reginaldo de Oliveira Por anos a fio acompanhamos as incans&aacute;veis vozes que v&ecirc;m nos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[183],"tags":[],"class_list":["post-882","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sped"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/882","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=882"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/882\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=882"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=882"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=882"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}