{"id":880,"date":"2011-02-24T18:28:32","date_gmt":"2011-02-24T21:28:32","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/02\/24\/supressao-da-conta-de-lucros-acumulados\/"},"modified":"2011-02-24T18:28:32","modified_gmt":"2011-02-24T21:28:32","slug":"supressao-da-conta-de-lucros-acumulados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/02\/24\/supressao-da-conta-de-lucros-acumulados\/","title":{"rendered":"Supress\u00e3o da conta de lucros acumulados"},"content":{"rendered":"<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">Por &nbsp;Claudia Soares Garcia<br \/> \t&nbsp;<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">&Eacute; sabido que a Lei n&ordm; 11.638, de 2007, ao dar nova reda&ccedil;&atilde;o a dispositivos da Lei n&ordm; 6.404, de 1976, alterou sensivelmente as normas cont&aacute;beis e, desde a sua edi&ccedil;&atilde;o, vem sendo intensamente discutida entre os operadores do direito e da contabilidade.<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">Entre os temas debatidos est&aacute; a supress&atilde;o da conta de lucros acumulados nas sociedades an&ocirc;nimas. A nosso ver, o voc&aacute;bulo supress&atilde;o, nesse caso, &eacute; erroneamente utilizado, pois a Lei n&ordm; 11.638, de 2007 n&atilde;o a eliminou, apenas lhe conferiu car&aacute;ter transit&oacute;rio, sendo zerada ao fim do exerc&iacute;cio social competente.<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">O intuito primordial do legislador ao proceder tal mudan&ccedil;a foi proteger os minorit&aacute;rios que, n&atilde;o raras vezes, n&atilde;o dispunham de meios para se opor aos controladores quando da reten&ccedil;&atilde;o dos lucros l&iacute;quidos do exerc&iacute;cio que, ao argumento de n&atilde;o descapitalizar a companhia, destinavam-nos &agrave; conta de lucros acumulados.<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">Com efeito, a preval&ecirc;ncia da vontade dos majorit&aacute;rios em reter os lucros sociais afronta os princ&iacute;pios norteadores da legisla&ccedil;&atilde;o societ&aacute;ria em vigor, vez que a finalidade social da companhia &eacute; a percep&ccedil;&atilde;o de lucros e, por &oacute;bvio, o direto essencial do acionista &eacute; participar destes.<\/span><\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">Nesse cen&aacute;rio, a doutrina nacional recepciona positivamente a Lei n&ordm; 11.638, justamente porque limita o poder discricion&aacute;rio dos controladores, proporciona maior transpar&ecirc;ncia aos minorit&aacute;rios e tamb&eacute;m maior seguran&ccedil;a para novos investimentos na pr&oacute;pria companhia.<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">O impacto de tal mudan&ccedil;a ao cotidiano das companhias &eacute; grande, pois, na pr&aacute;tica, seus lucros l&iacute;quidos em determinado exerc&iacute;cio social, sem destina&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, ser&atilde;o obrigatoriamente distribu&iacute;dos.<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">A nosso ver, a administra&ccedil;&atilde;o da companhia disp&otilde;e de duas sa&iacute;das para a n&atilde;o distribui&ccedil;&atilde;o: inclus&atilde;o de reservas estatut&aacute;rias ou reten&ccedil;&atilde;o dos lucros sociais.<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s reservas estatut&aacute;rias, caso n&atilde;o sejam previstas no estatuto social, a companhia dever&aacute; convocar uma assembleia-geral extraordin&aacute;ria que tenha como ordem do dia a altera&ccedil;&atilde;o do estatuto social para a cria&ccedil;&atilde;o da reserva estatut&aacute;ria.<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">Salientamos que a reda&ccedil;&atilde;o da cl&aacute;usula estatut&aacute;ria dever&aacute; indicar a sua finalidade, de forma precisa, vez que &eacute; ilegal a cria&ccedil;&atilde;o de reservas estatut&aacute;rias que contemplem um objeto amplo ou indeterminado.<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">J&aacute; quanto &agrave; reten&ccedil;&atilde;o dos lucros, a LSA prev&ecirc; que a assembleia-geral poder&aacute;, mediante proposta da administra&ccedil;&atilde;o, deliberar a reten&ccedil;&atilde;o de parcela do lucro l&iacute;quido do exerc&iacute;cio prevista em or&ccedil;amento de capital por ela previamente aprovado.<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">Para tanto, o or&ccedil;amento dever&aacute; ser devidamente justificado, compreendendo todas as fontes de recursos e aplica&ccedil;&otilde;es de capital, limitando-se a cinco exerc&iacute;cios, salvo se executado, por prazo maior, o projeto de investimento. E, sendo o caso, as sobras or&ccedil;ament&aacute;rias dever&atilde;o ser distribu&iacute;das como dividendos no final do exerc&iacute;cio.<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">Cabe ressaltar que ambas as sa&iacute;das a n&atilde;o distribui&ccedil;&atilde;o dever&atilde;o ser amplamente fundamentadas e n&atilde;o poder&atilde;o ser constitu&iacute;das, em cada exerc&iacute;cio, em preju&iacute;zo da distribui&ccedil;&atilde;o do dividendo obrigat&oacute;rio, limitando seu saldo ao capital social.<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">Ainda, vale mencionar que o artigo 3&ordm; da Lei n&ordm; 11.638 estendeu a aplicabilidade das disposi&ccedil;&otilde;es da Lei das SA &agrave;s sociedades de grande porte &#8211; empresa ou conjunto de empresas sob mesmo controle com ativo superior a R$ 240 milh&otilde;es ou receita bruta anual superior a R$ 300 milh&otilde;es, no exerc&iacute;cio social anterior -, mesmo que estas n&atilde;o sejam constitu&iacute;das sob a forma de sociedade an&ocirc;nima, como &eacute; o caso das limitadas.<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">Nesse contexto, surge uma indaga&ccedil;&atilde;o natural: afinal, as sociedades de grande porte devem ou n&atilde;o observar as regras da transitoriedade da conta de lucros acumulados?<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">N&atilde;o existe um posicionamento firme da doutrina nacional sobre o tema. H&aacute; quem defenda que, pela determina&ccedil;&atilde;o do mencionado artigo, as demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras das sociedades de grande porte devem ser elaboradas nos exatos termos da LSA e, por essa raz&atilde;o, deve ser eliminado o car&aacute;ter permanente da conta de lucros acumulados.<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">Mas existem opini&otilde;es no sentido de que n&atilde;o h&aacute; a tal transitoriedade da conta de lucros acumulados &agrave;s sociedades de grande porte. Esta tese est&aacute; amparada na Resolu&ccedil;&atilde;o n&ordm; 1.159, de 2009, do Conselho Federal de Contabilidade, segundo a qual somente as sociedades an&ocirc;nimas n&atilde;o podem mais apresentar saldos positivos nessa conta a partir do exerc&iacute;cio social de 2008.<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><span style=\"font-size: 12px\">O que se pode concluir &eacute; que, pelas modifica&ccedil;&otilde;es da Lei n&ordm; 11.638, os minorit&aacute;rios t&ecirc;m um instrumento que lhes permite receber os lucros auferidos pela companhia, porquanto n&atilde;o &eacute; mais autorizado o seu lan&ccedil;amento em contas de lucros acumulados. &Eacute; poss&iacute;vel, entretanto, que a companhia se valha de procedimentos com vistas a n&atilde;o distribui&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, a obrigatoriedade das novas regras para as sociedades de grande porte que n&atilde;o sejam constitu&iacute;das sob a forma de sociedade an&ocirc;nima ainda &eacute; duvidosa e demanda que cada empresa fa&ccedil;a suas reflex&otilde;es a respeito.<\/span><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p> \t<em>Claudia Soares Garcia &eacute; advogada da &aacute;rea societ&aacute;ria do Peixoto e Cury Advogados <\/em>&#8211;&nbsp;<strong><span _fck_bookmark=\"1\" style=\"display: none\">&nbsp;<\/span>Fonte: Valor Econ&ocirc;mico via <a href=\"http:\/\/4mail.com.br\/Artigo\/ViewFenacon\/005275021563161\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">FENACON<\/a>&nbsp;&#8211; <em><span _fck_bookmark=\"1\" style=\"display: none\">&nbsp;<\/span><\/em><\/strong><em>Este artigo reflete as opini&otilde;es do autor, e n&atilde;o do jornal Valor Econ&ocirc;mico. O jornal n&atilde;o se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informa&ccedil;&otilde;es acima ou por preju&iacute;zos de qualquer natureza em decorr&ecirc;ncia do uso dessas informa&ccedil;&otilde;es<span _fck_bookmark=\"1\" style=\"display: none\">&nbsp;<\/span><\/em><span _fck_bookmark=\"1\" style=\"display: none\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por &nbsp;Claudia Soares Garcia &nbsp; &Eacute; sabido que a Lei n&ordm; 11.638, de 2007, ao<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[117],"tags":[],"class_list":["post-880","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ifrs"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/880\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}