{"id":868,"date":"2011-02-10T16:19:52","date_gmt":"2011-02-10T19:19:52","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/02\/10\/nova-safra-de-balancos-requer-cuidados\/"},"modified":"2023-11-15T02:08:02","modified_gmt":"2023-11-15T02:08:02","slug":"nova-safra-de-balancos-requer-cuidados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/02\/10\/nova-safra-de-balancos-requer-cuidados\/","title":{"rendered":"Nova safra de balan\u00e7os requer cuidados"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Por Alexandre Alcantara<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Em breve come\u00e7aremos a ter acesso aos balan\u00e7os das companhias abertas com a evidencia\u00e7\u00e3o da ado\u00e7\u00e3o das IFRS de forma comparativa.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">N\u00e3o podemos nos esquecer que h\u00e1 uma grande diferen\u00e7a entre Gera\u00e7\u00e3o de Caixa, fruto das atividades operacionais (leia-se venda de produtos e servi\u00e7os) e o lucro elevado em raz\u00e3o de ajustes em decorr\u00eancia das &#8220;novas&#8221; formas de valora\u00e7\u00e3o dos ativos e passivos.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Um alto grau de subjetividade (alguns dizem que ela ser\u00e1 feita de forma respons\u00e1vel) implica em uma alta dose de cuidado por parte dos auditores no momento de validar os &#8220;numeros&#8221; subjetivos. Isto implicar\u00e1 tamb\u00e9m\u00a0em redobrado cuidado por parte dos analistas, que correm o risco de verem boas performances artificiais, promessas de distribui\u00e7\u00e3o de dividendos, etc .e etc. H\u00e1 de ser dado especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Demonstra\u00e7\u00e3o de Fluxo de Caixa.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Quem n\u00e3o se lembra dos lucros mirabolantes da ENRON, que n\u00e3o resistiram \u00e0 falta de coer\u00eancia com a gera\u00e7\u00e3o de caixa dos exerc\u00edcios findos, o que foi chamdo a aten\u00e7\u00e3o por uma jornalista econ\u00f4mica. Expectativa de &#8220;gera\u00e7\u00e3o de caixa futuro&#8221; est\u00e1 na ordem do dia dos novos te\u00f3ricos da contabilidade. Caber\u00e1 ao tempo dizer se os ativos &#8220;bem avaliados&#8221; com bases nas IFRS ser\u00e3o mesmos capazes de gerar o t\u00e3o esperado &#8220;caixa futuro&#8221;, o qual de prefer\u00eancia dever\u00e1 ser realmente operacional e n\u00e3o novamente &#8220;escritural&#8221;, sob o risco de vermos empresas se descapitalizando para pagar dividendos a um mercado \u00e1vido por lucros, &#8220;a qualquer pre\u00e7o&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Que n\u00e3o venham dizer que a culpa foi a inadequa\u00e7\u00e3o na hora de aplicas as novas normas, ou erro na hora de aplicar a &#8220;ess\u00eancia&#8221; sobre a forma.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12px;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\">Recomendo a leitura de uma mat\u00e9ria publicada no Valor Econ\u00f4mico, reproduzida a seguir. Uma boa dose de esp\u00edrito cr\u00edtico n\u00e3o faz mal a ningu\u00e9m.<\/span><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><strong>Balan\u00e7os da nova era d\u00e3o mais lucro<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><em>Estudo da FGV aponta que segunda fase de ado\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o IFRS ter\u00e1 impacto positivo de 20% a 30% no lucro das companhias brasileiras.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Por Fernando Torres, de S\u00e3o Paulo\n<\/p>\n<p>Se n\u00e3o bastasse o bom momento operacional vivido pelas empresas brasileiras em 2010, os resultados financeiros que ser\u00e3o apresentados at\u00e9 o fim de mar\u00e7o ter\u00e3o um componente adicional para impulsionar o lucro das companhias de capital aberto.<\/p>\n<p>Trata-se da segunda fase do processo de ado\u00e7\u00e3o das normas internacionais de contabilidade, conhecidas pela sigla IFRS, que vai colocar os balan\u00e7os das empresas brasileiras no mesmo padr\u00e3o usado em cerca de cem pa\u00edses.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a n\u00e3o vai aparecer de forma clara para os investidores como crescimento de lucro em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, j\u00e1 que os n\u00fameros referentes a 2009 tamb\u00e9m ser\u00e3o ajustados pelas mesmas regras e elevar\u00e3o a base de compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estudo in\u00e9dito da Escola de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas de S\u00e3o Paulo da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (Eaesp-FGV) diz que, assim como na primeira etapa do processo de converg\u00eancia cont\u00e1bil, implementada em 2008, quando entrou em vigor a Lei 11.638, essa nova fase de migra\u00e7\u00e3o para o IFRS completo trar\u00e1, na m\u00e9dia e em termos consolidados, crescimento expressivo no lucro l\u00edquido.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o refor\u00e7a a tese de que a contabilidade antiga brasileira, na tradi\u00e7\u00e3o da Europa continental e com forte influ\u00eancia do Fisco, era conservadora em compara\u00e7\u00e3o com as pr\u00e1ticas usadas nos pa\u00edses de origem anglo-sax\u00e3.<\/p>\n<p>A partir de agora, em tese, os balan\u00e7os v\u00e3o tratar melhor os acionistas, em detrimento dos credores &#8211; n\u00e3o s\u00f3 pelo efeito imediato em que os lucros maiores elevam base de distribui\u00e7\u00e3o de dividendos, mas principalmente porque haver\u00e1 mais informa\u00e7\u00e3o que interessa ao investidor e os valores estar\u00e3o mais perto da realidade.<\/p>\n<p>O trabalho, da professora Edilene Santana Santos, foi financiado pelo GVpesquisa e contou com colabora\u00e7\u00e3o do aluno de gradua\u00e7\u00e3o Aleksander Juswiak, por meio do Programa Institucional de Bolsas de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (Pibic).<\/p>\n<p>O estudo analisou os resultados de 20 empresas de capital aberto em tr\u00eas momentos: com a contabilidade antiga do Brasil, tendo como base as normas vigentes at\u00e9 2007; com os ajustes decorrentes da Lei 11.638, v\u00e1lidos de forma obrigat\u00f3ria a partir de 2008; e com a ado\u00e7\u00e3o plena dos comandos do IFRS. Entre as companhias da amostra est\u00e3o AmBev, Gerdau, TAM, Gol, Natura, Net, Cyrela, Lojas Renner e Souza Cruz.<\/p>\n<p>As empresas do estudo foram escolhidas porque tinham esses tr\u00eas dados dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>A pesquisa apontou que a segunda etapa de ado\u00e7\u00e3o das normas internacionais elevou o resultado l\u00edquido das empresas, na m\u00e9dia, em 33% em 2007 e em 20% em 2008. No primeiro momento do processo de transi\u00e7\u00e3o, em 2008, o efeito j\u00e1 havia sido positivo em 31% e 10%, respectivamente.<\/p>\n<p>Mas mesmo tendo em conta que a amostra n\u00e3o \u00e9 muito grande e que a sele\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi aleat\u00f3ria &#8211; a divulga\u00e7\u00e3o foi feita por decis\u00e3o das companhias &#8211; a pesquisadora considera que \u00e9 poss\u00edvel prever aumento de lucro das demais companhias, um pouco abaixo do percentual de 20% a 30% identificado no estudo. Um dos motivos \u00e9 que o resultado observado para a primeira fase de ado\u00e7\u00e3o nesse grupo de 20 empresas se aproximou do registrado em uma outra pesquisa, que contou com amostra maior, de 175 companhias. &#8220;Melhor ter uma informa\u00e7\u00e3o com certo cuidado do que nenhuma&#8221;, afirma a professora da FGV.<\/p>\n<p>O novo estudo buscou identificar tamb\u00e9m o impacto da migra\u00e7\u00e3o para o IFRS no patrim\u00f4nio l\u00edquido das mesmas 20 companhias. O resultado mostrou efeito quase nulo na primeira fase, mas eleva\u00e7\u00e3o na segunda etapa. O efeito m\u00e9dio de alta foi de 4% no balan\u00e7o de 2007 e de 16% em 2008.<\/p>\n<p>Na segunda fase do processo de ado\u00e7\u00e3o do IFRS, a norma que mais teve efeito no resultado, e sempre positivo, foi o CPC 15, que trata do que os contadores chamam de &#8220;combina\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios&#8221; e incluem fus\u00f5es, aquisi\u00e7\u00f5es, incorpora\u00e7\u00f5es e cis\u00f5es.<\/p>\n<p>Dentro dessa regra, a principal novidade \u00e9 o fim da amortiza\u00e7\u00e3o do \u00e1gio gerado em aquisi\u00e7\u00f5es. Como deixa de existir essa amortiza\u00e7\u00e3o, que era uma despesa na demonstra\u00e7\u00e3o de resultados, o lucro das empresas aumenta. Se considerados de forma isolada, os ajustes decorrentes do CPC 15 teriam elevado, na m\u00e9dia, o lucro das companhias em 20% em 2007 e em 58% em 2008. No processo gradual adotado no Brasil, essa amortiza\u00e7\u00e3o deixou de ocorrer desde 2009, o que minimizar\u00e1 os efeitos no balan\u00e7o de 2010.<\/p>\n<p>Na primeira fase do processo, o normativo que mais teve peso positivo foi o de incentivos fiscais, j\u00e1 que essas subven\u00e7\u00f5es passaram a ser registradas como receita, sendo que antes n\u00e3o tinham efeito no lucro, s\u00f3 no patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>Ainda que, na m\u00e9dia em termos consolidados o impacto do IFRS seja positivo para as empresas, n\u00e3o \u00e9 verdade dizer que cada uma delas ter\u00e1 alta nos lucros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O estudo da FGV mostrou que, em 2007, houve alta no lucro de 62% da amostra, o que significa que 38% das empresas registraram redu\u00e7\u00e3o. Em 2008, 54% das empresas tiveram alta, ante 46% com queda no lucro.<\/p>\n<p>O que puxa o resultado m\u00e9dio para cima \u00e9 que os casos de eleva\u00e7\u00e3o expressiva dos resultados, de mais de 10%, s\u00e3o mais frequentes que o de baixas relevantes.<br \/>\nEmpresas v\u00e3o ter que se explicar muito mais, diz auditor<br \/>\nN\u00e3o s\u00e3o apenas os lucros que devem crescer com a ado\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o cont\u00e1bil IFRS. As notas explicativas que acompanham os balan\u00e7os tamb\u00e9m aumentar\u00e3o de forma significativa e, em muitos casos, v\u00e3o dobrar de tamanho, afirma Bruce Mescher, s\u00f3cio de auditoria da Deloitte e especialista em normas internacionais de contabilidade.<\/p>\n<p>At\u00e9 as empresas que j\u00e1 publicaram resultados trimestrais em IFRS ao longo de 2010, que ele calcula como cerca de 20% do total, dever\u00e3o notar a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Isso porque a norma internacional \u00e9 mais exigente em termos de divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es quando se apresenta o balan\u00e7o completo.<\/p>\n<p>Quando questionado sobre a probabilidade de haver erros e republica\u00e7\u00f5es, o s\u00f3cio da Deloitte chamou aten\u00e7\u00e3o para o papel que a Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM) ter\u00e1 a esse respeito, principalmente com as primeiras divulga\u00e7\u00f5es no novo padr\u00e3o. &#8220;\u00c9 razo\u00e1vel achar que haver\u00e1 alguns problemas, mas especular sobre a extens\u00e3o deles \u00e9 quase imposs\u00edvel&#8221;, afirma Mescher.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m diz que as auditorias est\u00e3o trabalhando para garantir a consist\u00eancia de julgamentos para interpreta\u00e7\u00f5es de normas dentro de um mesmo setor, mas admitiu que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel evitar, com 100% de certeza, que haja tratamentos cont\u00e1beis diferentes para eventos semelhantes.<\/p>\n<p>Tendo em conta a experi\u00eancia internacional, ele acredita que, no primeiro momento, haver\u00e1 companhias que v\u00e3o se restringir ao m\u00ednimo necess\u00e1rio em termos de divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Europa, uma das cr\u00edticas nos primeiros anos de ado\u00e7\u00e3o do IFRS era referente \u00e0 descri\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas cont\u00e1beis, que costumam aparecer na primeira nota explicativa. &#8220;As empresas usavam palavras padr\u00e3o. E as pr\u00e1ticas cont\u00e1beis n\u00e3o s\u00e3o necessariamente id\u00eanticas. Isso exige mais customiza\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Outro ponto que gerou discuss\u00f5es no exterior est\u00e1 ligado \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es por \u00e1reas de neg\u00f3cio. &#8220;A tend\u00eancia natural \u00e9 n\u00e3o querer abrir receitas e resultados por segmento.<br \/>\n&#8221;<\/p>\n<p>O s\u00f3cio da Deloitte destaca que as companhias n\u00e3o devem assumir que os usu\u00e1rios das informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o completamente prontos para entender a nova norma e devem ter o cuidado de explicar, para investidores e analistas, de onde vieram as diferen\u00e7as cont\u00e1beis. &#8220;As empresas devem esperar mais perguntas e ajudar com as informa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas.&#8221; (FT)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Fonte<\/strong>: Valor Econ\u00f4mico,\u00a0via <a href=\"http:\/\/4mail.com.br\/Artigo\/ViewFenacon\/004985020441935\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">FENACON\u00a0<\/a><\/p>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alexandre Alcantara Em breve come\u00e7aremos a ter acesso aos balan\u00e7os das companhias abertas com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10576,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14,103,117,150],"tags":[],"class_list":["post-868","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise-de-balanco","category-fraudes-corporativas","category-ifrs","category-normas-contabeis"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=868"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/868\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11600,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/868\/revisions\/11600"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10576"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}