{"id":865,"date":"2011-06-03T04:00:00","date_gmt":"2011-06-03T07:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/06\/03\/confaz-o-fim-de-um-modelo\/"},"modified":"2011-06-03T04:00:00","modified_gmt":"2011-06-03T07:00:00","slug":"confaz-o-fim-de-um-modelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/06\/03\/confaz-o-fim-de-um-modelo\/","title":{"rendered":"Confaz: o fim de um modelo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"> \tpor Prof. Helc&ocirc;nio Almeida<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tO Conselho Nacional de Pol&iacute;tica Fazend&aacute;ria, CONFAZ, &eacute; um dos &uacute;ltimos &oacute;rg&atilde;os da &ldquo;ditadura&rdquo;. Formado por representantes dos Estados para tratar de mat&eacute;ria tribut&aacute;ria de compet&ecirc;ncia exclusiva dos Estados integra at&eacute; hoje o organograma do Minist&eacute;rio da Fazenda como um dos seus &oacute;rg&atilde;os. A id&eacute;ia original remonta a 1975 ainda na &eacute;poca do ICM e historicamente tem se mantido como um F&oacute;rum que &eacute; constitucionalmente respons&aacute;vel pela elabora&ccedil;&atilde;o de conv&ecirc;nios interestaduais para concess&atilde;o de benef&iacute;cios fiscais relativos ao ICMS. A Lei complementar 24\/75, que o regulamentou estabelece regras para elabora&ccedil;&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o destes acordos e mant&eacute;m, dentre outros equ&iacute;vocos, a exig&ecirc;ncia da &ldquo;unanimidade&rdquo; para aprova&ccedil;&atilde;o destes benef&iacute;cios.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tTr&ecirc;s intensas d&eacute;cadas transformaram a vida social e econ&ocirc;mica do nosso Pa&iacute;s e j&aacute; n&atilde;o se justifica a manuten&ccedil;&atilde;o de equivocadas regras que ao final e ao cabo &ldquo;pedem&rdquo; para ser desrespeitadas. E assim tem ocorrido ao longo da hist&oacute;ria do Confaz. O que vem acontecendo: um Estado ou um grupo deles pede que seja aprovado um benef&iacute;cio fiscal. Se apenas um Estado n&atilde;o concorda, a proposta &eacute; rejeitada. O &ldquo;perdedor&rdquo; volta para seu Estado e concede o benef&iacute;cio ao arrepio do Confaz. O Estado &ldquo;prejudicado&rdquo; ingressa com uma ADI no Supremo Tribunal Federal que, de maneira uniforme, vem declarando inconstitucional qualquer exonera&ccedil;&atilde;o concedida sem aprova&ccedil;&atilde;o do Confaz. Ora, se nenhum Estado leva a quest&atilde;o ao Judici&aacute;rio, o benef&iacute;cio permanece mesmo sem a devida autoriza&ccedil;&atilde;o convenial pois as san&ccedil;&otilde;es previstas na LC 24\/75 e a inconstitucional &ldquo;declara&ccedil;&atilde;o de inconstitucionalidade&rdquo; pelo Estado prejudicado, n&atilde;o s&atilde;o suficientes para evitar estas &ldquo;isen&ccedil;&otilde;es&rdquo; que , quase sempre, redundam em tratamento desigual entre os contribuintes. Ocorre que sabendo da falta de efetividade dessas decis&otilde;es, todos os Estados concedem benef&iacute;cios fiscais das mais variadas formas &ndash; dizem que at&eacute; por of&iacute;cio do Governador &#8211; preocupados apenas em atender os seus interesses, independente do que &ldquo;digam ou fa&ccedil;am&rdquo; outras unidades da Federa&ccedil;&atilde;o. A dimens&atilde;o destes benef&iacute;cios irregulares traduz-se, por exemplo, na &ldquo;salva&ccedil;&atilde;o&rdquo; de alguns setores da economia que, por real necessidade ou por &ldquo;lobby&rdquo;, s&atilde;o agraciados e que influenciam certos mercados. Um dos exemplos mais recentes &eacute; a redu&ccedil;&atilde;o do ICMS na importa&ccedil;&atilde;o quando feita pelos portos de Santa Catarina e Pernambuco. Este fato, conforme a imprensa especializada, mudou o perfil das importa&ccedil;&otilde;es no Brasil. E apesar do ingresso de v&aacute;rias a&ccedil;&otilde;es junto ao STF para sustar aqueles &ldquo;para&iacute;sos fiscais&rdquo;, at&eacute; hoje nenhum deles foi suspenso. E mais, as empresas est&atilde;o usando deste benef&iacute;cio e despreocupadas quanto as decis&otilde;es administrativas ou judiciais.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t&Eacute; necess&aacute;ria uma reestrutura&ccedil;&atilde;o urgente do modelo atual do Confaz. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel convivermos com um &oacute;rg&atilde;o que, pensado para evitar a guerra fiscal, funcione como seu combust&iacute;vel.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tUma primeira medida deve ser a sua retirada do &acirc;mbito do Minist&eacute;rio da Fazenda, que poder&aacute; vir a integr&aacute;-lo como convidado especial. Poderia, com os cuidados legais necess&aacute;rios, o Confaz vincular-se provisoriamente ao Senado Federal. Id&eacute;ia gestada em 1996 com a Lei Complementar 87, que teve os artigos referentes a esta mat&eacute;ria vetados pelo ent&atilde;o presidente Fernando Henrique Cardoso com a promessa de que a mat&eacute;ria seria melhor regulamentada &#8211; o que at&eacute; hoje n&atilde;o aconteceu. Sabemos das dificuldades administrativas, e principalmente pol&iacute;ticas, para cria&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o numa Rep&uacute;blica Federativa t&atilde;o dependente da Uni&atilde;o como a nossa, de um &oacute;rg&atilde;o interestadual com preocupa&ccedil;&otilde;es exclusivamente estaduais. Mas, como diz o poeta: &ldquo;quem n&atilde;o amadurece apodrece&rdquo;. E o Confaz, infelizmente est&aacute; apodrecendo.&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p> \tFonte: <a href=\"http:\/\/www.iaf.org.br\/noticia.cfm?noticia=9782&amp;categoria=3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Site do IAF<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Prof. Helc&ocirc;nio Almeida &nbsp; O Conselho Nacional de Pol&iacute;tica Fazend&aacute;ria, CONFAZ, &eacute; um dos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[115],"tags":[],"class_list":["post-865","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-icms"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/865","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=865"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/865\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=865"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=865"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=865"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}