{"id":3474,"date":"2016-01-18T10:23:24","date_gmt":"2016-01-18T13:23:24","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/?p=3474"},"modified":"2016-01-18T10:23:24","modified_gmt":"2016-01-18T13:23:24","slug":"a-biblia-do-nazismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2016\/01\/18\/a-biblia-do-nazismo\/","title":{"rendered":"A b\u00edblia do nazismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cA possibilidade da livre publica\u00e7\u00e3o desta obra j\u00e1 acarretou uma certa agita\u00e7\u00e3o no mercado editorial\u201d.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir deste janeiro de 2016, de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o alem\u00e3, caiu em dom\u00ednio p\u00fablico o famoso livro \u201cMein Kampf\u201d (Minha Luta), escrito pelo l\u00edder nazista Adolf Hitler, pois j\u00e1 fez 70 anos da data de sua morte. Em 1945, com a queda do 3\u00ba Reich, os aliados impuseram um veto \u00e0 publica\u00e7\u00e3o desse livro, que era uma verdadeira b\u00edblia para os milh\u00f5es de militantes do ent\u00e3o Partido Nacional Socialista. Com a morte de Hitler, e por falta de herdeiros diretos, os direitos autorais foram atribu\u00eddos ao estado alem\u00e3o da Baviera, que durante todo esse tempo nunca autorizou a publica\u00e7\u00e3o dessa obra emblem\u00e1tica para os nazistas e os curiosos, em geral. Entretanto, \u00e9 poss\u00edvel consegui-lo na internet, al\u00e9m de antigas edi\u00e7\u00f5es que circulam em sebos e no mercado de colecionadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro, uma obra med\u00edocre e recheada de propaganda delirante e supersti\u00e7\u00f5es, que mistura verdades, meias-verdades e mentiras deslavadas, foi escrito por Hitler a partir de 1924, no per\u00edodo em que esteve preso pela participa\u00e7\u00e3o de um golpe de estado frustrado. Embora o forte de Hitler n\u00e3o fosse exatamente o talento liter\u00e1rio \u2013 e sim a orat\u00f3ria -, com o tempo o livro tornou-se um credo para os nazistas. E tanto era assim que, no per\u00edodo em Hitler esteve no poder (1933-1945), alcan\u00e7ou a surpreendente marca de 12 milh\u00f5es de exemplares vendidos, al\u00e9m de ter sido traduzido para 18 l\u00ednguas. Na \u00e9poca, tamb\u00e9m era um costume nazista presentear o livro aos rec\u00e9m-casados e na gradua\u00e7\u00e3o de estudantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quase todo mundo j\u00e1 ouvir falar do livro, mas pouca gente conhece de fato o seu conte\u00fado. Por outro lado, a proibi\u00e7\u00e3o imposta sobre a sua publica\u00e7\u00e3o transformou-o numa esp\u00e9cie de rel\u00edquia maldita, que alimenta um permanente clima de fasc\u00ednio e curiosidade sobre esse tema inesgot\u00e1vel, que \u00e9 o nazismo. A possibilidade da livre publica\u00e7\u00e3o desta obra j\u00e1 acarretou uma certa agita\u00e7\u00e3o no mercado editorial; afinal, depois de tanto tempo n\u00e3o se sabe como as pessoas reagir\u00e3o ao v\u00ea-lo exposto nas vitrines das livrarias. Na Alemanha, o estado da Baviera est\u00e1 preparando uma edi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica do \u201cMein Kampf\u201d, com duas mil p\u00e1ginas, e milhares de anota\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas que tentar\u00e3o, de alguma forma, desfazer o fasc\u00ednio da ideologia nazista e desmontar todo o seu projeto propagand\u00edstico original. Segundo o coordenador da pesquisa, nessa edi\u00e7\u00e3o anal\u00edtica a ideia \u00e9 literalmente cercar o pensamento de Hitler com uma profus\u00e3o de coment\u00e1rios cr\u00edticos, j\u00e1 que n\u00e3o se trata apenas de um livro hist\u00f3rico, e sim de um dos mais fortes s\u00edmbolos do nazismo, que continua a ser objeto de culto por parte de grupos neonazistas espalhados pelo mundo todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esta altura, n\u00e3o faltar\u00e1 que ainda se pergunte: mas, e hoje, que import\u00e2ncia tem a leitura dessa obra? Que benef\u00edcios ou utilidades traria conhecer os del\u00edrios de uma mente insana como a de Hitler? \u00c9 necess\u00e1rio ressaltar que n\u00e3o se trata de um livro comum; ao contr\u00e1rio, sua odiosa ideologia levou sofrimento e morte a milh\u00f5es de pessoas, especialmente aos judeus. Da\u00ed que um dos objetivos da edi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u2013 j\u00e1 \u00e0 venda, na Alemanha \u2013 \u00e9 justamente disponibilizar um farto material que, nas escolas, possa ajudar professores e os leitores em geral a identificar e desconstruir todo o discurso falso do nazismo, carregado de \u00f3dio e ideias racistas e criminosas, expostas no verdadeiro testemunho de loucura representado pelo \u201cMein Kampf\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto isso, no Brasil, o livro \u201cmaldito\u201d j\u00e1 fez sua primeira v\u00edtima: uma editora que havia programado public\u00e1-lo desistiu de faz\u00ea-lo, sob a alega\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o faria sentido colocar no mercado uma simples tradu\u00e7\u00e3o do texto original, desprovida de coment\u00e1rios cr\u00edticos e notas explicativas, que, de alguma forma, pudessem esclarecer os erros do passado.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Autoria: Jo\u00e3o Francisco Neto &#8211; Agente Fiscal de Rendas, mestre e doutor em Direito Financeiro (Faculdade de Direito da USP)<br \/>\nFonte: <a href=\"http:\/\/blogdoafr.com\/2016\/01\/17\/a-biblia-do-nazismo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blog do AFR-SP<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA possibilidade da livre publica\u00e7\u00e3o desta obra j\u00e1 acarretou uma certa agita\u00e7\u00e3o no mercado editorial\u201d.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3475,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":["post-3474","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-livros"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3474"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3474\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3475"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}