{"id":2796,"date":"2008-07-02T11:36:00","date_gmt":"2008-07-02T11:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2008\/07\/02\/dois-de-julho-independencia-do-brasil-na-bahia-2\/"},"modified":"2008-07-02T11:36:00","modified_gmt":"2008-07-02T11:36:00","slug":"dois-de-julho-independencia-do-brasil-na-bahia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2008\/07\/02\/dois-de-julho-independencia-do-brasil-na-bahia-2\/","title":{"rendered":"Dois de julho: Independ\u00eancia do Brasil (na Bahia)"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_N0XeWoklEZg\/SGto4oI0PSI\/AAAAAAAAAI8\/bfy-HTSfck8\/s1600-h\/2-de-julho.jpg\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 182px; height: 204px;\" src=\"http:\/\/bp3.blogger.com\/_N0XeWoklEZg\/SGto4oI0PSI\/AAAAAAAAAI8\/bfy-HTSfck8\/s400\/2-de-julho.jpg\" alt=\"\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5218379915295210786\" border=\"0\" \/><\/a><i><\/i><\/div>\n<div style=\"font-style: italic; text-align: left;\">Nasce o sol a dois de julho<br \/>Brilha mais que no primeiro<br \/>\u00c9 sinal que neste dia<br \/>At\u00e9 o sol, at\u00e9 o sol \u00e9 brasileiro&#8230;<\/div>\n<div style=\"text-align: left;\"> <span style=\"font-style: italic;\">Nunca mais, nunca mais o despotismo<\/span> <span style=\"font-style: italic;\">Reger\u00e1, reger\u00e1 nossas a\u00e7\u00f5es (1)<\/span><\/div>\n<p>Poucas pessoas fora da Bahia conhecem a for\u00e7a do 2 de julho. \u00c9 uma falha enorme de informa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, pois trata-se do processo de independ\u00eancia do Brasil, e n\u00e3o da independ\u00eancia da Bahia, como at\u00e9 hoje muita gente fala. Uma coisa \u00e9 dar o grito do Ipiranga, outra coisa \u00e9 garantir pleno dom\u00ednio sobre o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Entre as duas pontas, uma guerra. A guerra da Bahia, onde brilhou o hero\u00edsmo popular, al\u00e9m de lideran\u00e7as como Labatut, Lima e Silva, Jo\u00e3o das Botas, Maria Quit\u00e9ria, entre tantos outros. Em carta a Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, Labatut registra: &#8220;Nenhum filho de dono de engenho se alistou para lutar&#8221;. A consci\u00eancia da possibilidade de uma na\u00e7\u00e3o surgiu de baixo.<\/p>\n<p>Foram meses de luta, batalhas em diversos pontos do Rec\u00f4ncavo Baiano, sendo a mais famosa a de Piraj\u00e1, onde segundo consta, o corneteiro Lopes decidiu a vit\u00f3ria tocando &#8216;avan\u00e7ar&#8217; quando havia sido instru\u00eddo para fazer o contr\u00e1rio. Vit\u00f3ria brasileira.<\/p>\n<p>Que esp\u00e9cie de sol \u00e9 esse &#8211; &#8216;brilha mais que no primeiro&#8217;? Que esp\u00e9cie de chamado convoca e re\u00fane cerca de 500.000 pessoas em Salvador a cada 2 de julho, h\u00e1 184 anos, em torno de um cortejo, que na verdade \u00e9 espelho vivo de n\u00f3s mesmos, uma constru\u00e7\u00e3o existencial baiana, encontro e pororoca de atitudes culturais as mais distintas?<\/p>\n<p>Na verdade, basta olhar o carro do caboclo para exemplificar o que \u00e9 mesmo diversidade: tem lan\u00e7a de madeira apontada para um drag\u00e3o, cocar, muitas penas, armadura de ferro em estilo medieval, baionetas, anjinhos barrocos, placas com nomes de her\u00f3is, colares diversos, alforjes, bandeiras, folhas e mais folhas, entre outras tantas coisas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma festa para se ver pela televis\u00e3o ou para entender atrav\u00e9s da m\u00eddia. N\u00e3o adianta focalizar em momentos, mesmo que solenes e oficiais, reunindo poderes constitu\u00eddos e povo. \u00c9 uma festa para participar. S\u00f3 sabe do que se trata quem vai l\u00e1, quem sente a emo\u00e7\u00e3o fluindo, quem v\u00ea o interesse do povo em festejar e manter a tradi\u00e7\u00e3o, desde a alvorada no largo da Lapinha at\u00e9 o Campo Grande.<\/p>\n<p>No meio de tudo isso a figura inesquec\u00edvel de Maria Quit\u00e9ria, uma mulher que se fez soldado, e que foi oficialmente aceita por D. Pedro I como membro do Ex\u00e9rcito Nacional, com direito a ostentar sua ins\u00edgnia pelo resto da vida. Lutou bravamente, desafiou a todos, inclusive ao pai, que a queria longe da luta.<\/p>\n<p>Segundo a historiadora inglesa Maria Graham, que deixou registrado um perfil da hero\u00edna, a mo\u00e7a era bastante feminina, ningu\u00e9m duvidava de sua virtude mesmo depois de meses de acampamento com os homens. Gostava de comer ovo ao meio dia e peixe com farinha no jantar. Fumava um cigarro de palha ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es. Entendia as coisas com rapidez e naturalidade. Depois da guerra voltou para sua terra, casou-se e teve uma filha. Entrou em Salvador acompanhando o General Lima e Silva e foi agraciada com uma coroa de flores no Convento da Soledade.<\/p>\n<p>\u00c9 mesmo impressionante verificar que o esp\u00edrito de 1823, da entrada triunfante de nossos combatentes e da vis\u00e3o libertadora compartilhada por Rec\u00f4ncavo e Cidade da Bahia, tenha sido preservado durante todo esse tempo, e que ainda continuar\u00e1 dessa forma por muitos e muitos anos. Qual o segredo da longevidade?<\/p>\n<p>N\u00e3o existe segredo. Enquanto a popula\u00e7\u00e3o sentir que o 2 de julho lhe pertence, haver\u00e1 2 de julho. E portanto, para falar disso que emana da festa, devemos esquecer os chav\u00f5es do civismo, aquela no\u00e7\u00e3o de bandeirantes fardados e perfilados, pois o territ\u00f3rio do nosso civismo \u00e9 outro &#8211; \u00e9 mais caboclo. E n\u00e3o \u00e9 territ\u00f3rio de exclus\u00e3o, celebra caboclo e cabocla. Portanto, entre folhas, armadura, drag\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o o que emerge \u00e9 o pr\u00f3prio territ\u00f3rio cultural da Bahia. Territ\u00f3rio matriz que n\u00e3o est\u00e1 interessado em meros separatismos, e sim na inven\u00e7\u00e3o de uma nova id\u00e9ia de coletivo.<\/p>\n<p>Na verdade esse civismo de pertencimento, que n\u00e3o depende de ef\u00edgies gregas, m\u00e1ximas latinas ou princ\u00edpios positivistas (mas que tamb\u00e9m n\u00e3o os rejeita), se realimenta a cada ano com a pr\u00f3pria participa\u00e7\u00e3o dos atores e autores populares, os quais garantem perman\u00eancia \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o, simplesmente por se sentirem parte dela.<\/p>\n<p>Muito antes do atual discurso sobre inclus\u00e3o, l\u00e1 estava o s\u00edmbolo pronto de um Pa\u00eds, o qual s\u00f3 lentamente vai se aproximando da densidade da constru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de origem. Coisas que eram apenas vetores em 1822-23 foram aos poucos virando realidade &#8211; aboli\u00e7\u00e3o, rep\u00fablica, protagonismo feminino&#8230;<\/p>\n<p>Na verdade, na verdade, o mais bonito \u00e9 pensar que o 2 de Julho \u00e9 o nosso destino, e que certamente um dia estaremos plenamente \u00e0 altura da for\u00e7a e dignidade que evoca e constitui.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Por<\/span>: <i><b>Paulo Costa Lima<\/b>, compositor, professor da Escola de M\u00fasica da UFBA. <a href=\"http:\/\/www.paulolima.ufba.br\/\" target=\"_balnk\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.paulolima.ufba.br<\/a><\/i><\/p>\n<p>(1) Hino ao Dois de Julho  &#8211; <a href=\"http:\/\/pt.wikisource.org\/wiki\/Dois_de_Julho\" target=\"_balnk\" rel=\"noopener\">letra completa aqui<\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\">Fonte<\/span>: <a href=\"http:\/\/terramagazine.terra.com.br\/interna\/0,,OI1719152-EI8214,00.html\" target=\"_balnk\" rel=\"noopener\">Terra Magazine<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nasce o sol a dois de julhoBrilha mais que no primeiro\u00c9 sinal que neste diaAt\u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-2796","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-variedades"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2796","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2796"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2796\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2796"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2796"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2796"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}