{"id":2651,"date":"2008-12-17T10:56:00","date_gmt":"2008-12-17T10:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2008\/12\/17\/sem-regulacao-mais-firme-fraude-madoff-se-repetira\/"},"modified":"2008-12-17T10:56:00","modified_gmt":"2008-12-17T10:56:00","slug":"sem-regulacao-mais-firme-fraude-madoff-se-repetira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2008\/12\/17\/sem-regulacao-mais-firme-fraude-madoff-se-repetira\/","title":{"rendered":"Sem regula\u00e7\u00e3o mais firme, fraude Madoff se repetir\u00e1"},"content":{"rendered":"<div align=\"right\"><em>O esc\u00e2ndalo Madoff confirma, mais uma vez, que no mundo das fraudes financeiras nada \u00e9 essencialmente novo. O ex-presidente da Bolsa Nasdaq, Bernard Madoff, respeit\u00e1vel septuagen\u00e1rio com estreitos la\u00e7os com a aristocracia europ\u00e9ia, especialmente a espanhola, respondeu aos agentes do FBI, na porta do luxuoso apartamento nova-iorquino, que n\u00e3o tinha explica\u00e7\u00e3o nem defesa. Disse apenas: &#8220;Paguei investidores com dinheiro que n\u00e3o existia&#8221;. <\/em><\/div>\n<div align=\"right\"><em>Exatamente como Charles Ponzi fizera quando sua &#8220;pir\u00e2mide&#8221; financeira desabou em 1926. A crise das hipotecas de alto risco, as subprimes, apressou o fim da fraude Madoff, mas n\u00e3o a causou absolutamente. A rigor, na atual crise, os investidores foram buscar liquidez, e Madoff n\u00e3o tinha o que devolver. O preju\u00edzo estimado desse esc\u00e2ndalo, por enquanto, \u00e9 de US$ 50 bilh\u00f5es. <\/em><\/div>\n<div align=\"right\"><em><br \/>O aspecto mais surpreendente em todo esse affair \u00e9 a sua mon\u00f3tona repeti\u00e7\u00e3o. H\u00e1 mais de ano, a ordem financeira estava sob suspei\u00e7\u00e3o e, portanto, \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores norte-americanos e europeus obrigatoriamente deveriam ter notado que os juros e a lucratividade oferecida pela Bernard L. Madoff Investment Securities eram altos demais, eram o melhor neg\u00f3cio para grandes investidores, em qualquer compara\u00e7\u00e3o. At\u00e9 meados de novembro, a empresa de Madoff possu\u00eda ativos de US$ 17,1 bilh\u00f5es, segundo a National Association of Securities Dealers. A metade de seus clientes eram hedge funds e o restante eram poderosos bancos internacionais e grandes fortunas pessoais. Em outubro, a empresa foi a 23 entre as formadoras de mercado na Nasdaq e movimentou em m\u00e9dia 50 milh\u00f5es de a\u00e7\u00f5es di\u00e1rias. As maiores companhias americanas operavam no mercado acion\u00e1rio com Masdoff.<\/em><\/div>\n<div align=\"right\"><em><br \/>Desde quinta-feira passada, no entanto, Masdoff \u00e9 acusado pela Justi\u00e7a americana de um novo esquema Ponzi , em que oferecia retornos muito mais altos que os de mercado usando dinheiro pago com a chegada de novos investidores e n\u00e3o utilizando a receita alcan\u00e7ada com as aplica\u00e7\u00f5es anteriores. Entre os perdedores na &#8220;pir\u00e2mide &#8221; encontram-se at\u00e9 a fortuna de um pr\u00eamio Nobel e in\u00fameras institui\u00e7\u00f5es de caridade. H\u00e1 uma \u00f3bvia e \u00fanica pergunta frente a essa nova pir\u00e2mide: como um esquema t\u00e3o grande e difundido em tantos pa\u00edses conseguiu perdurar por tanto tempo sem ser descoberto? Os sinais de leni\u00eancia dos \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores s\u00e3o intensos. A Securities and Exchange Commission (SEC) , o equivalente \u00e0 Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM) no Brasil, que regulamenta o mercado acion\u00e1rio nos EUA, n\u00e3o verificou os livros de Madoff desde o registro da companhia na comiss\u00e3o em 2006. <\/em><\/div>\n<div align=\"right\"><em><br \/>A manuten\u00e7\u00e3o da fraude por tanto tempo denota um s\u00e9rio malogro do sistema de fiscaliza\u00e7\u00e3o e deixa sem resposta os que advogam que a atual estrutura regulat\u00f3ria norte-americana \u00e9 suficiente para impedir fraudes. Durante anos, os retornos oferecidos aos aplicadores, t\u00e3o superiores aos de mercado, passaram despercebidos sem despertar suspeitas na SEC. Al\u00e9m dessa diferen\u00e7a de lucratividade, outras evid\u00eancias eram not\u00f3rias e n\u00e3o chamaram a aten\u00e7\u00e3o da fiscaliza\u00e7\u00e3o, como o uso de uma empresa de auditoria muito pequena para um empreendimento daquele porte, sem esquecer que corretagem de t\u00edtulos funcionava na mesma empresa de auditoria.<\/em><\/div>\n<div align=\"right\"><em><br \/>O mercado acion\u00e1rio mundial n\u00e3o repetiu o p\u00e2nico vivido na quebra do Lehman Brothers. <\/em><em>Investidores europeus, incluindo grandes bancos n\u00e3o conseguiram esconder as perdas milion\u00e1rias. O Banco Central espanhol anunciou que abrir\u00e1 uma investiga\u00e7\u00e3o, porque naquele pa\u00eds as perdas superaram os 3 bilh\u00f5es de euros. As autoridades monet\u00e1rias francesas foram pelo mesmo caminho. \u00c9 provid\u00eancia atrasada. Na Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, como nos EUA, tamb\u00e9m h\u00e1 necessidade de medidas reguladoras. Os bancos brasileiros est\u00e3o institucionalmente isolados desse tipo de fraude. Nesse aspecto, al\u00e9m de signat\u00e1rios dos acordos de Basil\u00e9ia 1 e 2, o sistema banc\u00e1rio brasileiro \u00e9 submetido a maior rigor fiscalizat\u00f3rio, atitude previdente que agora demonstra o seu valor.<\/em><\/div>\n<div align=\"right\"><em><br \/>No Brasil o esc\u00e2ndalo Madoff atingiu investidores individuais atra\u00eddos pelos rendimentos oferecidos fora do Pa\u00eds por private banking ligado \u00e0 pir\u00e2mide. A presid\u00eancia da CVM afirmou que n\u00e3o conseguia entender como o velho esquema da pir\u00e2mide pode fraudar &#8220;investidores t\u00e3o qualificados&#8221;. A resposta talvez esteja no fato de que Madoff era doador nas campanhas de grandes pol\u00edticos e, inclusive, foi assessor da SEC em regulamenta\u00e7\u00e3o de mercado. Ponzi n\u00e3o cumpriu esse papel, mas oferecia lucros igualmente fant\u00e1sticos. Com um detalhe curioso sobre o pai das fraudes das pir\u00e2mides: Ponzi cumpriu pena curta nos EUA e morreu em 1949 no Brasil, como representante de companhia a\u00e9rea italiana. Provavelmente, a sorte de Madoff ser\u00e1 um pouco diferente.<\/div>\n<p><\/em><\/p>\n<div align=\"right\"><em>(Gazeta Mercantil\/Caderno A &#8211; P\u00e1g. 2 &#8211; 17.12.2008)<\/em><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O esc\u00e2ndalo Madoff confirma, mais uma vez, que no mundo das fraudes financeiras nada \u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18,102],"tags":[],"class_list":["post-2651","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-auditoria-independente","category-fraudes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2651","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2651"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2651\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2651"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}