{"id":2492,"date":"2009-06-18T13:21:00","date_gmt":"2009-06-18T13:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2009\/06\/18\/mudanca-contabil-reduz-lucros\/"},"modified":"2009-06-18T13:21:00","modified_gmt":"2009-06-18T13:21:00","slug":"mudanca-contabil-reduz-lucros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2009\/06\/18\/mudanca-contabil-reduz-lucros\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a cont\u00e1bil reduz lucros"},"content":{"rendered":"<div align=\"right\"><em><span style=\"font-family:arial;color:#000000;\">O in\u00edcio da ado\u00e7\u00e3o da nova contabilidade brasileira, nos balan\u00e7os anuais de 2008, trouxe impactos significativos, al\u00e9m de muito trabalho. Estudo da consultoria e auditoria Ernst &amp; Young mostra que os lucros tiveram redu\u00e7\u00e3o de 20% em rela\u00e7\u00e3o ao que seriam se apurados pelas normas antigas.<\/p>\n<p>O levantamento contemplou 40 companhias abertas, eleitas entre as 100 de maior valor de mercado na Bovespa. Foram consideradas na amostra as empresas que n\u00e3o s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es financeiras ou seguradoras e que tenham apresentado concilia\u00e7\u00e3o detalhada para lucro e patrim\u00f4nio no balan\u00e7o anual do ano passado, comparando as regras novas e as antigas. A pesquisa englobou companhias representantes de dez diferentes setores da economia.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, o lucro l\u00edquido somado dessas companhias foi de R$ 67 bilh\u00f5es em 2008. Esse valor foi reduzido em R$ 16,5 bilh\u00f5es pelas 17 novas regras cont\u00e1beis emitidas do ano passado pela Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM), em conjunto com o Comit\u00ea de Pronunciamentos Cont\u00e1beis (CPC). Pelas normas antigas, portanto, o lucro dessas companhias seria de R$ 83,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>As novas normas fazem parte do processo de converg\u00eancia da contabilidade nacional ao padr\u00e3o internacional, conhecido pela sigla IFRS. A Brasil foi colocado oficialmente na rota de harmoniza\u00e7\u00e3o das normas cont\u00e1beis pela Lei 11.638.<\/p>\n<p>&#8220;Esses ajustes s\u00e3o necess\u00e1rios para que as empresas passem a trabalhar com um padr\u00e3o claro, transparente e mais acess\u00edvel aos investidores, inclusive os estrangeiros&#8221;, afirmou Reginaldo Alexandre, presidente da unidade paulista da Associa\u00e7\u00e3o dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dele, analistas e investidores est\u00e3o conscientes de que a redu\u00e7\u00e3o dos lucros, neste caso, foi cont\u00e1bil e reconhecem os benef\u00edcios das novas regras.<\/p>\n<p>Paul Sutcliffe, s\u00f3cio da Ernst &amp; Young, explica que o efeito da ado\u00e7\u00e3o inicial da nova contabilidade no Brasil foi diferente da m\u00e9dia geral verificada na Europa. L\u00e1, a aplica\u00e7\u00e3o do IFRS produziu, em geral, aumento nos resultados das companhias.<\/p>\n<p>Mas as diferen\u00e7as se devem, basicamente, \u00e0s peculiaridades do processo brasileiro, que vem ocorrendo de forma gradual. O objetivo \u00e9 que as companhias brasileiras estejam plenamente adaptadas ao padr\u00e3o internacional em 2010.<\/p>\n<p>Com isso, o balan\u00e7o de 2008 sentiu o impacto de algumas normas, em gerais, redutoras de lucros, mas n\u00e3o o benef\u00edcio de outras, que podem elevar os ganhos<\/p>\n<p>O momento econ\u00f4mico global do ano de estreia tamb\u00e9m explica parte do resultado. Sutcliffe contou que o levantamento aponta que duas regras espec\u00edficas foram as principais respons\u00e1veis pela redu\u00e7\u00e3o dos lucros: a que trata dos efeitos das mudan\u00e7as nas taxas de c\u00e2mbio e convers\u00e3o de demonstra\u00e7\u00f5es cont\u00e1veis e a que diz respeito \u00e0 perda de valor de ativos.<\/p>\n<p>O ano de 2008 registrou forte varia\u00e7\u00e3o cambial, com alta do d\u00f3lar pr\u00f3xima de 32%. As companhias que possuem ativos no exterior costumavam, pelas normas antigas, ser beneficiadas pela valoriza\u00e7\u00e3o desses bens por conta da moeda. Com as regras novas, por\u00e9m, tal ganho deixou de transitar pelo resultado e passou a ser lan\u00e7ado diretamente no balan\u00e7o patrimonial, sem afetar o lucro.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, somente essa regra, conhecida pela sigla CPC 02, diminuiu o lucro em R$ 8 bilh\u00f5es, ou em 9,6% sobre o total dos resultados. Das empresas pesquisas, 15 reconheceram um ajuste.<\/p>\n<p>A outra norma relevante cuja estreia gerou estragos nos balan\u00e7os foi a que trata do valor recuper\u00e1vel de ativos, ou &#8220;impairment&#8221;, como os t\u00e9cnicos gostam de cham\u00e1-la &#8211; CPC 01. Essa norma determina que ativos que tenham sofrido deteriora\u00e7\u00e3o de valor devam ter o registro no balan\u00e7o atualizado para baixo, por meio de uma &#8220;baixa cont\u00e1bil&#8221;. Isso deve ser feito sempre que a companhia perceber que um bem n\u00e3o produzir\u00e1 a riqueza compat\u00edvel nem pelo uso nem pela venda.<\/p>\n<p>Foi o segundo item de maior impacto na ado\u00e7\u00e3o das normas, produzindo uma diminui\u00e7\u00e3o nos lucros de R$ 5,7 bilh\u00f5es ou 6,8% do total &#8211; embora tenha ocorrido em apenas sete das empresas avaliadas. Na opini\u00e3o de Sutcliffe, o fato dessa norma ter estreado em meio a uma crise sem precedentes contribuiu para o resultado.<\/p>\n<p>A Vale e a Cesp fizeram redu\u00e7\u00f5es de R$ 2,4 bilh\u00f5es e R$ 2,3 bilh\u00f5es no valor da Inco e da usina Porto Primavera, respectivamente.<\/p>\n<p>Por fim, tamb\u00e9m a marca\u00e7\u00e3o a mercado de instrumentos financeiros das companhias trouxe impactos \u00e0 \u00faltima linha do balan\u00e7o das empresas, especialmente num momento de crise como o fechamento do ano passado. O ajuste a essa regra representou 2,5% sobre o valor dos lucros do ano passado.<\/p>\n<p>Apesar de o ano de 2008 j\u00e1 ter sofrido impactos significativos nos resultados, 2009 e 2010 ainda ter\u00e3o ajustes relevantes.<\/p>\n<p>O s\u00f3cio da Ernst &amp; Young lembrou que a ado\u00e7\u00e3o de uma regra que contribuiu positivamente na Europa come\u00e7ar\u00e1 no Brasil s\u00f3 neste ano. Trata-se da norma que retira do balan\u00e7o a amortiza\u00e7\u00e3o de \u00e1gio proveniente de movimentos de aquisi\u00e7\u00e3o de companhias. Esse item \u00e9 importante redutor do lucro, embora sem efeito caixa. O processo de converg\u00eancia eliminar\u00e1 esse abatimento dos balan\u00e7os.<\/p>\n<p>Para os resultados do ano seguinte &#8211; 2010, portanto &#8211; outra regra nova relevante \u00e9 a da deprecia\u00e7\u00e3o dos ativos. A norma determinar\u00e1 que o lan\u00e7amento das despesas pelo uso de m\u00e1quinas e equipamentos reflita a vida \u00fatil dos bens. Para Sutcliffe, \u00e9 poss\u00edvel que haja um alongamento desses prazos e, com isso, redu\u00e7\u00e3o das despesas e efeito positivo sobre o lucro.<\/p>\n<p>Pelas regras vigentes, ainda prevalece nos balan\u00e7os a ado\u00e7\u00e3o de taxas de deprecia\u00e7\u00e3o sugeridas pela Receita Federal, que, de forma geral, tornam a contabiliza\u00e7\u00e3o dos desgaste dos bens mais r\u00e1pida.<\/p>\n<p>Os resultados do levantamento da Ernst &amp; Young ser\u00e3o apresentados hoje em um ciclo de palestras da Apimec, em S\u00e3o Paulo, a respeito do processo de converg\u00eancia cont\u00e1bil. Ser\u00e3o cinco manh\u00e3s entre hoje e o dia 2 de julho. Cada manh\u00e3 ser\u00e1 dedicada a um setor espec\u00edfico da economia.<\/span><\/em><\/div>\n<div align=\"right\"><em><span style=\"font-family:arial;\"><\/span><\/em><\/div>\n<div align=\"right\"><span style=\"font-family:arial;\"><strong>Fonte<\/strong>: Valor Econ\u00f4mico &#8211; 18\/6\/2009 , <\/span><\/div>\n<div align=\"right\"><span style=\"font-family:arial;\">via C\u00e9sar Tib\u00farcio, Blog Contabilidade Financeira<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O in\u00edcio da ado\u00e7\u00e3o da nova contabilidade brasileira, nos balan\u00e7os anuais de 2008, trouxe impactos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18,47,54,60,113,120,132,150],"tags":[],"class_list":["post-2492","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-auditoria-independente","category-contabilidade-internacional","category-cpc","category-cvm","category-iasb","category-impairment","category-lei-das-sa","category-normas-contabeis"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2492","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2492"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2492\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2492"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2492"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2492"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}