{"id":2195,"date":"2009-12-17T12:27:00","date_gmt":"2009-12-17T12:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2009\/12\/17\/deserto-moral\/"},"modified":"2009-12-17T12:27:00","modified_gmt":"2009-12-17T12:27:00","slug":"deserto-moral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2009\/12\/17\/deserto-moral\/","title":{"rendered":"Deserto moral"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family:Arial;font-size:85%;\"><span style=\"font-family:Times New Roman;\"><strong><span style=\"font-size:180%;\">Deserto moral<\/span><\/strong><span style=\"font-size:100%;\"> <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Nova morat\u00f3ria nas regras do C\u00f3digo Florestal incentiva desmate, assim como as anistias fiscais estimulam sonega\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>POL\u00cdTICAS p\u00fablicas no Brasil parecem pautar-se pela subvers\u00e3o completa do ad\u00e1gio alem\u00e3o: por aqui, confian\u00e7a \u00e9 bom, mas descontrole \u00e9 melhor. Sacrifica-se a seguran\u00e7a jur\u00eddica pela dissemina\u00e7\u00e3o do risco moral, que bonifica o descumpridor de normas com anistias, descontos e morat\u00f3rias.<\/p>\n<p align=\"justify\">Desta feita s\u00e3o os desmatadores ilegais que escapam ao peso da legisla\u00e7\u00e3o. \u00c9 o mesmo padr\u00e3o abra\u00e7ado pelo Congresso em abril, quando modificou medida provis\u00f3ria para prodigalizar facilidades a todo e qualquer devedor da Receita. Nada a estranhar numa na\u00e7\u00e3o em que o pr\u00f3prio Executivo protela pagamentos devidos, mesmo condenado pela Justi\u00e7a, como atesta a prolifera\u00e7\u00e3o dos precat\u00f3rios.<\/p>\n<p align=\"justify\">O particular, diante de tanta leni\u00eancia, se v\u00ea incentivado a sonegar impostos e desonrar compromissos. Assim se passa com o cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es ambientais estipuladas pelo C\u00f3digo Florestal. Transformou-se em queda de bra\u00e7o entre propriet\u00e1rios e o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, sob o coro ruidoso da bancada ruralista no Congresso.<\/p>\n<p align=\"justify\">O c\u00f3digo determina desde 1965 que donos de terras est\u00e3o obrigados a manter intactas \u00e1reas de reserva legal (hoje, 20% a 80% da propriedade, conforme a regi\u00e3o) e de prote\u00e7\u00e3o permanente (como topos de morro e margens de corpos d&#8217;\u00e1gua). Em teoria, deveriam averbar -fazer anotar em escritura- os limites dos terrenos a preservar. Na pr\u00e1tica, \u00e9 raro o propriet\u00e1rio que se arrisca a reconhecer o passivo ambiental.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em junho de 2008, o governo federal decidiu endurecer. Em seis meses, todos deveriam fazer a averba\u00e7\u00e3o e adotar planos de recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas desmatadas ilegalmente, sob a amea\u00e7a de receber multas milion\u00e1rias. Um dia antes de vencido, o prazo foi prorrogado por um ano. <\/p>\n<p align=\"justify\">O novo prazo chegou anteontem. Mais uma vez, o governo cedeu na v\u00e9spera de sua expira\u00e7\u00e3o e o estendeu -por tr\u00eas anos. N\u00e3o contente em assim premiar a maioria que resistia \u00e0 norma, agregou ao pacote generoso a suspens\u00e3o de todas as multas j\u00e1 aplicadas para quem aderir, excetuando apenas as autua\u00e7\u00f5es com julgamento definitivo na esfera administrativa.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os donos de terras que fizerem a averba\u00e7\u00e3o correm o risco de descobrir-se t\u00e3o ludibriados quanto os contribuintes que pagam seus impostos em dia. A conclus\u00e3o racional que extrair\u00e3o de mais esse epis\u00f3dio ser\u00e1 que vale a pena procrastinar e aguardar o prometido abrandamento das normas do C\u00f3digo Florestal.<\/p>\n<p align=\"justify\">S\u00e3o coisas diversas. O c\u00f3digo merece revis\u00e3o, como j\u00e1 se defendeu aqui, nos pontos em que se distancia da realidade agropecu\u00e1ria consagrada por s\u00e9culos de ocupa\u00e7\u00e3o. Quem desmatou na vig\u00eancia do c\u00f3digo, por\u00e9m, deve sentir o peso das consequ\u00eancias -ou este pa\u00eds se transformar\u00e1 num deserto de \u00e1rvores e de leis.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Fonte<\/strong>: Folha de S.Paulo<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deserto moral Nova morat\u00f3ria nas regras do C\u00f3digo Florestal incentiva desmate, assim como as anistias<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"class_list":["post-2195","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-contabilidade-ambiental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2195"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2195\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}