{"id":2012,"date":"2010-04-26T07:50:00","date_gmt":"2010-04-26T07:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2010\/04\/26\/fraude-em-fundos-subprime-deixa-auditoria-sem-palavras\/"},"modified":"2010-04-26T07:50:00","modified_gmt":"2010-04-26T07:50:00","slug":"fraude-em-fundos-subprime-deixa-auditoria-sem-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2010\/04\/26\/fraude-em-fundos-subprime-deixa-auditoria-sem-palavras\/","title":{"rendered":"Fraude em fundos &#8220;subprime&#8221; deixa auditoria sem palavras"},"content":{"rendered":"<div align=\"right\"><span style=\"font-family:arial;\"><span style=\"font-size:85%;color:#000000;\">Valor Econ\u00f4mico<br \/>Jonathan Weil, Bloomberg, de Nova York<\/span><\/span><\/div>\n<p><span style=\"font-family:arial;\"><span style=\"color:#000000;\"><\/p>\n<div align=\"justify\">Agora que a Securities and Exchange Commission (SEC) acusou a <em>Morgan Keegan<\/em> de <strong>supervalorizar fraudulentamente t\u00edtulos hipotec\u00e1rios de alto risco ( &#8220;subprime&#8221; )<\/strong> em v\u00e1rios de seus fundos de investimento, <strong>h\u00e1 um ator importante nessa saga que ainda n\u00e3o deu um pio.<\/strong><\/p>\n<p>Trata-se da <em>PricewaterhouseCoopers<\/em> (PwC), uma das quatro grandes firmas de auditoria que <strong>aben\u00e7oou as demonstra\u00e7\u00f5es financeiras dos fundos referentes ao ano fiscal de 2007<\/strong>. O engra\u00e7ado \u00e9 que, ao menos oficialmente, a PwC continua firme em sua posi\u00e7\u00e3o de que nada havia de errado com os n\u00fameros dos fundos. Isso \u00e9 muito mais dif\u00edcil de acreditar, agora, do que poderia ter sido antes da semana retrasada.<\/p>\n<p>A SEC n\u00e3o foi a \u00fanica ag\u00eancia reguladora que apresentou uma den\u00fancia acusando a Morgan Keegan de enganar investidores. O mesmo fez a Financial Industry Regulatory Authority, cujas alega\u00e7\u00f5es centraram-se nos materiais de marketing e de venda dos fundos. O mesmo tamb\u00e9m fizeram ag\u00eancias reguladoras de valores mobili\u00e1rios nos Estados do Alabama, Kentucky, Mississippi e Carolina do Sul, que, juntas, estimaram em cerca de US$ 2 bilh\u00f5es o total de preju\u00edzos dos investidores.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, a PwC ainda n\u00e3o retirou sua chancela de quaisquer de seus pareceres de auditoria para 2007 sobre a contabilidade dos fundos. Um porta-voz da PwC, Steven Silber, n\u00e3o quis comentar. Os fundos, n\u00e3o est\u00e3o mais sob gest\u00e3o da Morgan Keegan, que cancelou seu contrato com a PwC em 2008.<\/p>\n<p>As acusa\u00e7\u00f5es da SEC, que tamb\u00e9m citam um ex e um atual funcion\u00e1rio da Morgan Keegan como r\u00e9us, enfocam cinco fundos cujos valores despencaram depois que a crise das hipotecas ganhou for\u00e7a em 2007. Em um caso, <strong>os fatos descritos pela SEC sugerem que a PwC pode ter perdido uma poss\u00edvel oportunidade de identificar a suposta fraude durante seu trabalho de auditoria de fim de ano.<br \/><\/strong><br \/>Entre outras coisas, a acusa\u00e7\u00e3o da SEC diz que o gestor da carteira do fundo <strong>manipulou cota\u00e7\u00f5es que obteve de pelo menos uma corretora n\u00e3o identificada, ao mensurar o valor dos t\u00edtulos em poder do fundo.<\/strong> Por vezes, o gestor persuadiu um funcion\u00e1rio da corretora a fornecer cota\u00e7\u00f5es que superavam os valores dos t\u00edtulos. Outras vezes, ele conseguiu que o funcion\u00e1rio se certificasse de que sua firma se absteria de fornecer cota\u00e7\u00f5es inferiores aos valores inscritos na contabilidade dos fundos, disse a SEC.<\/p>\n<p>Um epis\u00f3dio em que a acusa\u00e7\u00e3o da SEC menciona o auditor externo dos fundos ocorreu em 30 de mar\u00e7o de 2007, \u00faltimo dia de neg\u00f3cios no ano fiscal para a maioria dos fundos. Segundo a den\u00fancia, o auditor solicitou da corretora cota\u00e7\u00f5es de uma s\u00e9rie de t\u00edtulos nas carteiras dos fundos para a auditoria final do ano, inclusive de uma obriga\u00e7\u00e3o de d\u00edvida colateralizada chamada Knollwood. A corretora respondeu enviando as cota\u00e7\u00f5es um m\u00eas depois, mas n\u00e3o forneceu a cota\u00e7\u00e3o da Knollwood.<\/p>\n<p>&#8220;Em consequ\u00eancia, o t\u00edtulo Knollwood continuou a ser mantido em US$ 92, <strong>um pre\u00e7o superior a seu valor justo,<\/strong> no item valor patrimonial&#8221;, disse a SEC. O valor patrimonial \u00e9 o n\u00famero que mais interessa a investidores em fundos. A cadeia de eventos, <strong>conforme descrita pela SEC, sugere que a PwC pode n\u00e3o ter cumprido seu dever de dar seguimento \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es,<\/strong> deixando de questionar a aus\u00eancia da cota\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos Knollwood.<\/p>\n<p>Sabe-se l\u00e1 por que a PwC n\u00e3o se absteve de chancelar os pareceres de auditoria dos fundos para o ano fiscal de 2007. <strong>O dever dos auditores \u00e9 firmar cartas de opini\u00e3o favor\u00e1vel apenas se obtiverem um &#8220;elevado n\u00edvel de seguran\u00e7a&#8221; de que as demonstra\u00e7\u00f5es financeiras de um cliente est\u00e3o apresentadas de forma imparcial, isso \u00e9 o que dizem as normas de auditoria americanas.<\/strong> \u00c9 dif\u00edcil imaginar como a PwC pode sentir-se t\u00e3o confiante, hoje, considerando que a SEC rec\u00e9m acusou seu ex-cliente de fraude cont\u00e1bil.<\/p>\n<p>Talvez a PwC esteja aguardando o resultado final do processo iniciado pela SEC, que pode levar anos at\u00e9 um desfecho. <strong>Embora a SEC n\u00e3o tenha citado a PwC como r\u00e9, a empresa \u00e9 alvo de uma a\u00e7\u00e3o legal iniciada por investidores no fundo<\/strong>. Assim, a PwC tem evidente interesse em evitar reconhecer que alguma das conclus\u00f5es de suas auditorias possa estar errada.<\/p>\n<p>A Morgan Keegan, corretora controlada pela Regions Financial, negou as acusa\u00e7\u00f5es das ag\u00eancias competentes, assim como as pessoas citadas como r\u00e9us nas den\u00fancias. Em carta de 12 de abril aos clientes, John Carson, executivo-chefe, disse que a companhia &#8220;contestar\u00e1 a posi\u00e7\u00e3o da SEC, porque acreditamos que os fundos foram geridos de acordo com o prospecto e as leis aplic\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n<p>Essa n\u00e3o \u00e9 a primeira a\u00e7\u00e3o desse tipo iniciada pela SEC envolvendo um cliente da PwC. Em 2006, a SEC acusou um ex-s\u00f3cio da PwC, Lawrence Stoler, de m\u00e1 conduta profissional por seu papel na aprova\u00e7\u00e3o de resultados falsificados por tr\u00eas fundos de hedge sob gest\u00e3o da <em>Lipper Holdings<\/em>. Stoler, que n\u00e3o admitiu nem negou as alega\u00e7\u00f5es, aceitou, perante a comiss\u00e3o, permanecer impedido de atuar durante um ano. Edward Strafaci, gerente de portf\u00f3lio de Lipper, foi condenado a seis anos de pris\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color:#3333ff;\">Auditores logo tentaram vender a ideia de que n\u00e3o se pode esperar que eles detectem fraudes. Essa ideia nunca foi aceita pelo p\u00fablico em geral. <span style=\"color:#ff0000;\">Afinal, se os auditores n\u00e3o conseguem detectar fraudes, para que servem?<\/span> Segundo as normas de auditoria nos EUA, o trabalho do auditor \u00e9 certificar-se de que &#8220;as demonstra\u00e7\u00f5es financeiras est\u00e3o isentas de distor\u00e7\u00f5es importantes, quer causadas por erro ou por fraude&#8221;. Em outras palavras, eles pelo menos t\u00eam de tentar.<br \/><\/span><\/strong><br \/>Ou, como o influente contador brit\u00e2nico Lawrence Dicksee escreveu em seu livro de 1892, &#8220;Auditing&#8221;, um dos primeiros manuais sobre o assunto:<strong> <span style=\"color:#ff0000;\">&#8220;O auditor que \u00e9 capaz de detectar fraudes \u00e9 &#8211; tudo o mais mantido constante &#8211; um homem melhor do que o auditor incapaz de faz\u00ea-lo&#8221;.<\/span><\/strong> Dele n\u00e3o discordariam os investidores que perderam dinheiro nos fundos de investimento da Morgan Keegan. Pena que os auditores atuais n\u00e3o tenham lido seu livro.<\/p>\n<p>Jonathan Weil \u00e9 colunista da Bloomberg. As opini\u00f5es expressas neste artigo s\u00e3o pessoais.<\/div>\n<p><\/span><\/p>\n<div align=\"justify\"><span style=\"color:#000000;\"><\/p>\n<hr \/>\n<p><\/span><\/div>\n<div align=\"justify\"><span style=\"color:#000000;\">Fonte: Valor Econ\u00f4mico via<\/span> <\/span><a href=\"http:\/\/www.cfc.org.br\/conteudo.aspx?codMenu=67&amp;codConteudo=4612\"><span style=\"font-family:arial;\">Ag\u00eancia de Not\u00edcias CFC<\/span><\/a><span style=\"font-family:arial;color:#000000;\"> (grifos nossos)<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Valor Econ\u00f4micoJonathan Weil, Bloomberg, de Nova York Agora que a Securities and Exchange Commission (SEC)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18,102],"tags":[],"class_list":["post-2012","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-auditoria-independente","category-fraudes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2012","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2012"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2012\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2012"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2012"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2012"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}