{"id":1984,"date":"2010-05-21T08:47:00","date_gmt":"2010-05-21T08:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2010\/05\/21\/limites-da-etica-profissional\/"},"modified":"2010-05-21T08:47:00","modified_gmt":"2010-05-21T08:47:00","slug":"limites-da-etica-profissional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2010\/05\/21\/limites-da-etica-profissional\/","title":{"rendered":"Limites da \u00e9tica profissional"},"content":{"rendered":"<div align=\"right\"><span style=\"font-family:arial;font-size:85%;color:#000000;\">por <strong>Reginaldo de Oliveira<\/strong><br \/>Publicado no <a href=\"http:\/\/www.artigo35.rg3.net\/\">Jornal do Commercio<\/a> <\/span><\/div>\n<div align=\"right\"><span style=\"font-family:arial;font-size:85%;color:#000000;\">11\/05\/2010 \u2013 Manaus\/AM &#8211; p\u00e1g. A3 <\/span><\/div>\n<p><span style=\"font-family:arial;color:#000000;\"><\/p>\n<div align=\"justify\">O esc\u00e2ndalo Enron, que eclodiu no final de 2001, revelou qu\u00e3o t\u00eanue linha separa comportamentos t\u00e3o valorizados pelo voraz ide\u00e1rio capitalista das pr\u00e1ticas anti\u00e9ticas ou at\u00e9 mesmo pr\u00e1ticas criminosas. Na realidade, a fronteira entre o ousado e o profano acaba se cruzando e se confundindo sem que seja poss\u00edvel identificar onde termina um e come\u00e7a o outro. A face mais c\u00ednica do chairman da Enron, Kenneth Lay, \u00e9 que ao mesmo tempo em que transformava a empresa num cassino &#8211; jogando com a vida de milhares de acionistas, dava palestras sobre \u00e9tica e estampava capas de revistas famosas. O desastroso resultado, como todos sabem, marcou profundamente o modelo capitalista americano que prega o enriquecimento a qualquer custo. O proficiente economista Paul Krugman, declarou que &#8220;Nos pr\u00f3ximos anos, o esc\u00e2ndalo da Enron, e n\u00e3o o 11 de setembro ser\u00e1 visto como o grande divisor de \u00e1guas na hist\u00f3ria da sociedade dos Estados Unidos&#8221;.<\/p>\n<p>Por aqui, em terras tupiniquins, temos a nossa mal-afamada \u201cLei de G\u00e9rson\u201d, seguida \u00e0 risca pelas pessoas que gostam de levar vantagem em tudo. Novamente, e semelhante ao exemplo norte-americano, os asseclas desse princ\u00edpio atropelam tudo que v\u00eaem pela frente, amparados por justificativas das mais diversas. Uma delas diz que o \u201cmercado \u00e9 quem manda\u201d \u2013 uma express\u00e3o at\u00e9 certo ponto desprovida de guarda-chuva \u00e9tico, dependendo do contexto em que \u00e9 utilizada.<\/p>\n<p>Relacionamentos profissionais bem-sucedidos s\u00e3o pautados por comportamentos que v\u00e3o al\u00e9m da observ\u00e2ncia de normas legais. O ingrediente \u00e9tico conta muito, al\u00e9m de cordialidade, respeito m\u00fatuo e acima de tudo, confian\u00e7a, que \u00e9 a espinha dorsal do capitalismo.<\/p>\n<p>O eminente fil\u00f3sofo Peter Koestenbaum disse que \u201ctoda intera\u00e7\u00e3o comercial ou de trabalho \u00e9 uma forma de confronto \u2013 um conflito de prioridades, uma luta de dignidades, uma batalha de id\u00e9ias\u201d. Essa oportuna e feliz afirma\u00e7\u00e3o nos leva a refletir sobre os melindres circunstanciais de uma negocia\u00e7\u00e3o. Dependendo da habilidade ou inabilidade dos proponentes, a coisa pode ser satisfat\u00f3ria para todos ou se degenerar em frustra\u00e7\u00e3o e desconfian\u00e7a. Conclu\u00edda a contento a etapa inicial, o passo seguinte \u00e9 manter as conquistas obtidas na mesa de negocia\u00e7\u00e3o com zelo e prud\u00eancia.<\/p>\n<p>A postura \u00e9tico-profissional deve ser a t\u00f4nica do comportamento de qualquer pessoa em qualquer que seja o ambiente que transita. Atitudes megaloman\u00edacas, egoc\u00eantricas, preconceituosas, estapaf\u00fardias e ign\u00f3beis contaminam seriamente as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o bom desempenho de uma organiza\u00e7\u00e3o. Um elemento nocivo possui grande poder de destrui\u00e7\u00e3o \u2013 seus tent\u00e1culos permeiam toda a estrutura funcional. O grande risco acontece quando pr\u00e1ticas danosas s\u00e3o camufladas por racioc\u00ednios manique\u00edstas e reacion\u00e1rios, que colocam posi\u00e7\u00f5es cartesianas acima dos ideais de dignidade humana. Se tais a\u00e7\u00f5es nefastas n\u00e3o encontrarem barreiras no pensamento l\u00facido de uma mente ponderada, todos correr\u00e3o perigo de se tornarem ref\u00e9ns de um sistema pervertido.<\/p>\n<p>Vigil\u00e2ncia torna-se assim a palavra de ordem. \u00c9 importante exercitar nosso senso cr\u00edtico para desanuviar a \u00e1rea cinzenta que mistura no mesmo caldo ousadia, gan\u00e2ncia, perspic\u00e1cia, mal\u00edcia, compet\u00eancia, mau-caratismo, determina\u00e7\u00e3o, ardil, energia, desfa\u00e7atez etc. Ou seja, devemos agu\u00e7ar nossos radares para detectar indiv\u00edduos que ultrapassaram as fronteiras do toler\u00e1vel. Quem se aventura pela zona cinzenta ficar\u00e1 tentado mais dia ou menos dia a ir muito mais al\u00e9m. Foi o que fez Kenneth Lay, \u00e9 o que faz muita gente que estampa p\u00e1ginas policiais &#8211; \u00e9 o que faz muitas pessoas que n\u00e3o chegam a tanto, mas que arru\u00ednam empreendimentos promissores.<\/p>\n<p>Regras claras e medidas preventivas devem ser muito bem trabalhadas a fim de resguardar o ambiente organizacional de elementos sinistros. Quando a erva daninha \u00e9 extirpada o precioso gr\u00e3o cresce vi\u00e7osamente expondo seu vigor e exuber\u00e2ncia \u2013 uma regra aparentemente \u00f3bvia, mas que passa desapercebida pela maioria dos gestores. O estandarte da causa \u00e9tica deve ser hasteado bem alto para que todos compreendam a mensagem. Dessa forma, ser\u00e1 poss\u00edvel distinguir homens capazes de homens capazes de tudo.<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Reginaldo de OliveiraPublicado no Jornal do Commercio 11\/05\/2010 \u2013 Manaus\/AM &#8211; p\u00e1g. 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