{"id":1904,"date":"2010-07-17T08:39:00","date_gmt":"2010-07-17T08:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2010\/07\/17\/o-inicio-de-uma-forte-depressao\/"},"modified":"2010-07-17T08:39:00","modified_gmt":"2010-07-17T08:39:00","slug":"o-inicio-de-uma-forte-depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2010\/07\/17\/o-inicio-de-uma-forte-depressao\/","title":{"rendered":"O in\u00edcio de uma forte depress\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<div align=\"left\"><span style=\"font-family:arial;color:#000000;\"><strong>Receio que estejamos no in\u00edcio de uma forte depress\u00e3o<\/strong><\/span><\/div>\n<div align=\"right\"><span style=\"font-family:arial;color:#000000;\"><span style=\"font-size:85%;\">Segunda, 28 de junho de 2010, 13h30<br \/>Paul Krugman<br \/>Do The New York Times<br \/>via Terra magazine<\/span><\/div>\n<p><\/span><\/p>\n<div align=\"left\"><span style=\"font-family:arial;color:#000000;\"><\/span> <\/div>\n<div align=\"justify\"><span style=\"font-family:arial;color:#000000;\">As recess\u00f5es s\u00e3o comuns, mas as depress\u00f5es s\u00e3o raras. At\u00e9 onde eu sei, apenas dois per\u00edodos da hist\u00f3ria econ\u00f4mica foram chamados na sua \u00e9poca de &#8220;depress\u00f5es&#8221;: os anos de defla\u00e7\u00e3o e instabilidade ap\u00f3s o P\u00e2nico de 1873 e os anos de desemprego em massa ap\u00f3s a crise de 1929 a 1931.<\/p>\n<p>Nem a Longa Depress\u00e3o do s\u00e9culo 19 nem a Grande Depress\u00e3o do s\u00e9culo 20 foram per\u00edodos de decl\u00ednio ininterrupto &#8211; pelo contr\u00e1rio, ambas tiveram momentos em que a economia cresceu. Mas esses epis\u00f3dios de melhoria nunca foram suficientes para desfazer os danos do choque inicial e foram seguidos de reca\u00eddas.<\/p>\n<p>Receio que estejamos nos primeiros est\u00e1gios de uma terceira depress\u00e3o. A probabilidade \u00e9 que ela seja mais parecida com a Longa Depress\u00e3o do que com a Grande Depress\u00e3o. Mas o custo &#8211; para a economia mundial e, acima de tudo, para os milh\u00f5es de vidas arruinadas pela falta de empregos &#8211; ser\u00e1 ainda assim, imenso.<\/p>\n<p>E essa terceira depress\u00e3o ser\u00e1 resultado de um fracasso das pol\u00edticas econ\u00f4micas. Em todo o mundo &#8211; mais recentemente na desanimadora reuni\u00e3o do G-20 no \u00faltimo final de semana &#8211; os governos est\u00e3o obcecados com a infla\u00e7\u00e3o, enquanto que a grande amea\u00e7a \u00e9 a defla\u00e7\u00e3o, recomendando cortes de gastos, ao passo que o verdadeiro problema s\u00e3o os gastos inadequados.<\/p>\n<p>Em 2008 e 2009, parecia que hav\u00edamos aprendido com a hist\u00f3ria. Diferente de seus predecessores, que aumentaram as taxas de juros para enfrentar a crise financeira, os l\u00edderes atuais da Reserva Federal e do Banco Central Europeu cortaram radicalmente os juros e voltaram-se para os mercados de cr\u00e9dito. Diferente dos governos do passado, que tentaram equilibrar os or\u00e7amentos para enfrentar a economia em decl\u00ednio, os governos de hoje permitiram que os d\u00e9ficits aumentassem. E melhores pol\u00edticas ajudaram o mundo a evitar o colapso total: Pode-se dizer que recess\u00e3o resultante da crise financeira terminou no ver\u00e3o passado.<\/p>\n<p>Mas os historiadores nos dir\u00e3o no futuro que esse n\u00e3o foi o fim da terceira depress\u00e3o, da mesma forma que a melhora econ\u00f4mica em 1933 n\u00e3o foi o fim da Grande Depress\u00e3o. Afinal de contas, o desemprego &#8211; especialmente o desemprego de longo prazo &#8211; mant\u00e9m-se em n\u00edveis que seriam considerados catastr\u00f3ficos h\u00e1 alguns anos e n\u00e3o parecem estar a caminho do decl\u00ednio. E tanto os Estados Unidos quando a Europa est\u00e3o prestes a cair na armadilha deflacion\u00e1ria que atingiu o Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Perante perspectivas t\u00e3o sombrias, esper\u00e1vamos que nossos legisladores se dessem conta de que ainda n\u00e3o fizeram o suficiente para promover a recupera\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o: Nos \u00faltimos meses, observou-se a volta de um comportamento espantosamente ortodoxo com rela\u00e7\u00e3o a empr\u00e9stimos e or\u00e7amentos equilibrados.<\/p>\n<p>Podemos observar uma volta mais evidente desse tipo de comportamento em discursos na Europa, onde oficiais parecem estar se inspirando em Herbert Hoover para compor sua ret\u00f3rica, incluindo a afirma\u00e7\u00e3o de que impostos mais altos e cortes de gastos ir\u00e3o de fato expandir a economia atrav\u00e9s da seguran\u00e7a comercial. Na pr\u00e1tica, no entanto, os Estados Unidos n\u00e3o est\u00e3o muito diferentes. A Reserva Federal parece saber dos riscos da defla\u00e7\u00e3o &#8211; mas n\u00e3o se prop\u00f5e a fazer nada para mitig\u00e1-los. A administra\u00e7\u00e3o Obama sabe dos perigos de uma austeridade fiscal prematura &#8211; mas, j\u00e1 que os republicanos e democratas conservadores se negam a autorizar um aux\u00edlio maior aos governos estaduais, essa austeridade \u00e9 inevit\u00e1vel e se manifesta atrav\u00e9s de cortes de or\u00e7amento estadual e municipal.<\/p>\n<p>Por que ent\u00e3o esse trope\u00e7o pol\u00edtico? Os conservadores normalmente citam os problemas da Gr\u00e9cia e outros pa\u00edses europeus para justificar suas a\u00e7\u00f5es. \u00c9 verdade tamb\u00e9m que os investidores de a\u00e7\u00f5es passaram a preferir os governos com d\u00e9ficits incontrol\u00e1veis. Mas n\u00e3o h\u00e1 provas de que a austeridade fiscal repentina em face a uma economia em depress\u00e3o ofere\u00e7a alguma garantia a investidores. Muito pelo contr\u00e1rio: A Gr\u00e9cia optou pela austeridade severa e teve como resultado um aumento ainda maior da sua instabilidade; a Irlanda imp\u00f4s cortes ferozes nos gastos p\u00fablicos e foi tratada pelos mercados como um risco maior do que a Espanha, que at\u00e9 ent\u00e3o havia sido mais relutante em aceitar a solu\u00e7\u00e3o proposta pelos conservadores.<\/p>\n<p>\u00c9 quase como se os mercados financeiros conseguissem entender o que os legisladores n\u00e3o conseguem: apesar de a responsabilidade fiscal de longo prazo ser importante, o corte repentino de gastos em uma depress\u00e3o, que aumenta mais ainda essa depress\u00e3o e precede a defla\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m uma estrat\u00e9gia autodestrutiva.<\/p>\n<p>Por isso eu acho que a Gr\u00e9cia n\u00e3o \u00e9 a culpada, nem a prefer\u00eancia realista por trocar empregos por d\u00e9ficits. Na realidade, tudo isso se resume a um conservadorismo que pouco tem a ver com an\u00e1lises racionais e cujo maior dogma \u00e9 impor sofrimento ao povo para mostrar lideran\u00e7a em momentos de crise.<\/p>\n<p>E quem pagar\u00e1 o pre\u00e7o pelo triunfo desse conservadorismo? Dez milh\u00f5es de trabalhadores desempregados, muitos deles, inclusive, que ficar\u00e3o sem trabalho por anos ou at\u00e9 mesmo pelo resto da vida. <\/p><\/div>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size:85%;\"><strong>Paul Krugman<\/strong> \u00e9 economista, professor da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times. Ganhou o pr\u00eamio Nobel de economia de 2008. Artigo distribu\u00eddo pelo New York Times News Service.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Receio que estejamos no in\u00edcio de uma forte depress\u00e3o Segunda, 28 de junho de 2010,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[76],"tags":[],"class_list":["post-1904","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1904","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1904"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1904\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1904"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}