{"id":1513,"date":"2014-02-24T13:51:56","date_gmt":"2014-02-24T16:51:56","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2014\/02\/24\/sozinhos-numeros-nao-explicam-balancos\/"},"modified":"2023-09-22T19:48:55","modified_gmt":"2023-09-22T19:48:55","slug":"sozinhos-numeros-nao-explicam-balancos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2014\/02\/24\/sozinhos-numeros-nao-explicam-balancos\/","title":{"rendered":"Sozinhos, n\u00fameros n\u00e3o explicam balan\u00e7os"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14px;\">Por Robert Bruce<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14px;\">A crescente complexidade dos resultados das empresas j\u00e1 ensejou muitos debates. No momento, h\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o de que um de seus efeitos ser\u00e1 o de criar uma depend\u00eancia maior de outras formas de prestar informa\u00e7\u00e3o \u00fatil aos investidores. De fato, o Conselho de Padr\u00f5es Internacionais de Contabilidade (IASB, na sigla em ingl\u00eas) publicou recentemente [2005] um artigo sobre o que ele rotula de \u201ccoment\u00e1rio da administra\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">O artigo re\u00fane todo o trabalho que tem sido desenvolvido nessa \u00e1rea e funciona como uma etapa anterior no processo de cria\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o nesse tema pelo IASB.<\/span><\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. Nos EUA, os coment\u00e1rios da administra\u00e7\u00e3o existiram por anos na forma de discuss\u00e3o e an\u00e1lise da diretoria (MD&amp;A, na sigla em ingl\u00eas). No Reino Unido, as empresas s\u00f3 agora est\u00e3o se preparando para oferecer uma an\u00e1lise financeira e operacional, que passar\u00e1 a ser obrigat\u00f3ria para per\u00edodos de presta\u00e7\u00e3o de contas iniciados em ou depois de 1\u00ba de abril deste ano. (O documento equivalente aos coment\u00e1rios da administra\u00e7\u00e3o, na legisla\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria brasileira, \u00e9 o relat\u00f3rio da administra\u00e7\u00e3o.)<\/span><\/span><\/p>\n<p>As complexidades de se oferecer coes\u00e3o global nesse processo s\u00e3o v\u00e1rias. Nos EUA, o tema \u00e9 regido pelo principal \u00f3rg\u00e3o regulador do mercado de capitais, a Securities and Exchange Commission (SEC). No Reino Unido, o Conselho de Normas Cont\u00e1beis (ASB, na sigla em ingl\u00eas), que integra o Conselho de Informa\u00e7\u00f5es Financeiras, prov\u00ea as normas, amparadas na legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No longo prazo, ser\u00e1 necess\u00e1rio definir se os coment\u00e1rios da administra\u00e7\u00e3o s\u00e3o de responsabilidade dos \u00f3rg\u00e3os reguladores do mercado de valores mobili\u00e1rios ou dos organismos de padr\u00f5es cont\u00e1beis. \u201c\u00c9 uma tend\u00eancia global\u201d, disse David Loweth, membro da equipe do projeto que elaborou o artigo do IASB, e secret\u00e1rio da ASB do Reino Unido. \u201cExiste uma necessidade de se criar algum tipo de estrutura global para a narrativa e os relat\u00f3rios da administra\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Muitas outras quest\u00f5es tamb\u00e9m precisam ser resolvidas. \u201cEsse \u00e9 o primeiro passo\u201d, afirmou Loweth. \u201cAs pessoas podem tecer coment\u00e1rios e apresentar rea\u00e7\u00f5es &#8211; por exemplo, se [a publica\u00e7\u00e3o] deve ser indicada como melhor pr\u00e1tica, ou se deve ser obrigat\u00f3ria, que \u00e9 o que nos preferimos.\u201d<\/p>\n<p>O que n\u00e3o se contesta \u00e9 a import\u00e2ncia crescente dos relat\u00f3rios da administra\u00e7\u00e3o no processo de fornecimento de informa\u00e7\u00e3o corporativa aos investidores. A experi\u00eancia acumulada ao longo do ano passado na implementa\u00e7\u00e3o de normas internacionais para os demonstrativos financeiros indicou que, pelo menos no curto prazo, os n\u00fameros est\u00e3o se tornando mais opacos para os usu\u00e1rios das demonstra\u00e7\u00f5es cont\u00e1beis.<\/p>\n<p>Loweth ressalvou: <strong>\u201cO perigo \u00e9 que os relat\u00f3rios financeiros se tornem mais complicados e mais dif\u00edceis de acompanhar\u201d<\/strong>. As t\u00e9cnicas dos coment\u00e1rios da administra\u00e7\u00e3o precisar\u00e3o reduzir a dist\u00e2ncia. Considerando que indicadores de valores intang\u00edveis, mais do que n\u00fameros fundamentais parecem estar promovendo maior entendimento, o movimento vai na dire\u00e7\u00e3o de documentos como a an\u00e1lise financeira e operacional, do Reino Unido. \u201cA an\u00e1lise oferece uma oportunidade de contar a hist\u00f3ria de uma forma equilibrada, que pode colocar os demonstrativos financeiros num contexto\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m est\u00e1 em conformidade com outras tend\u00eancias globais de oferecer tipos diferentes de apresenta\u00e7\u00f5es de relat\u00f3rios. A Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Contadores (Ifac) estabeleceu um projeto de apresenta\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00f5es em relat\u00f3rios. A categoria dos contadores nos EUA est\u00e1 tentando criar um processo chamado de informa\u00e7\u00f5es gerenciais aprimoradas. Todas essas iniciativas apontam para a apresenta\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios com mais temas n\u00e3o-financeiros. Richard Mallet, diretor de desenvolvimento t\u00e9cnico do Instituto de Contadores Gerenciais, disse: \u201c\u00c9 preciso encontrar uma maneira que permita \u00e0 diretoria explicar o desempenho e as perspectivas da empresa\u201d.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, especialmente com a j\u00e1 obrigat\u00f3ria an\u00e1lise financeira e operacional no Reino Unido, o esfor\u00e7o tem se concentrado em criar uma estrutura informal dentro de uma estrutura jur\u00eddica, na esperan\u00e7a de que isso estimule as empresas a gerar informa\u00e7\u00e3o relevante, e n\u00e3o apenas em conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o, para os usu\u00e1rios dos relat\u00f3rios e demonstra\u00e7\u00f5es cont\u00e1beis. \u201cO grande desafio est\u00e1 no elemento da perspectiva futura. Os par\u00e2metros do quadro amplo j\u00e1 foram estabelecidos, por\u00e9m dentro deles ainda existe muito espa\u00e7o para uso da capacidade de discernimento e do bom senso\u201d, afirmou Loweth.<\/p>\n<p>Uma \u00e1rea em franco desenvolvimento \u00e9 o uso de indicadores-chave de desempenho. Em seu artigo, o IASB cita uma pesquisa conduzida pela Deloitte no ano passado que demonstrou que \u201c92% dos que responderam concordaram com a afirma\u00e7\u00e3o de que os indicadores financeiros, por si s\u00f3, n\u00e3o conseguem capturar adequadamente os pontos fortes e os pontos fracos das suas empresas\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que os indicadores-chave entram, por\u00e9m precisamente quais deles devem ser divulgados depende de cada empresa. A escolha foi deixada em aberto para que cada setor de mercado possa gradualmente estabelecer o que \u00e9 necess\u00e1rio. Loweth disse: \u201cIsso precisava ter vindo do mercado. \u00c9 muito dif\u00edcil impor um senso de interesse comum nos indicadores-chave agora. As pessoas que querem comparar empresas, os usu\u00e1rios dos balan\u00e7os, podem se reunir e tentar desenvolver o tema, para que as empresas possam considera-los numa base comparativa. Isso dever\u00e1 se originar a partir da comunidade de investimentos\u201d.<\/p>\n<p>Em algumas \u00e1reas, como a de relat\u00f3rios ambientais, j\u00e1 foi iniciado o trabalho para se obter uma padroniza\u00e7\u00e3o. \u201cO padr\u00e3o cont\u00e1bil d\u00e1 uma descri\u00e7\u00e3o muito precisa de como deve ser um indicador-chave. Por\u00e9m, a forma como a an\u00e1lise financeira e operacional foi formulada oferece um senso de discernimento aos diretores\u201d, afirmou Simon Thomas, executivo-chefe da Trucost, instituto de pesquisas da \u00e1rea ambiental.<\/p>\n<p>Um setor espec\u00edfico pode ser ajudado com sugest\u00f5es de outros setores. A Trucost tem atuado com o Departamento para Assuntos Ambientais, Alimentares e Rurais do Reino Unido (Defra) para gerar exatamente esse tipo de sugest\u00e3o. Como resultado, o Defra dever\u00e1 emitir em breve as diretrizes para a apresenta\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios para indicadores-chave ambientais. \u201cEle determina 23 indicadores relevantes, e tamb\u00e9m mostra quais s\u00e3o mais importantes para setores espec\u00edficos\u201d, disse. Thomas.<\/p>\n<p>As empresas tampouco precisar\u00e3o gerar enormes quantidades de indicadores. A pesquisa deste ano da Deloitte sobre pr\u00e1ticas estabelecidas revela que entre as 350 empresas mais destacadas, uma porcentagem ligeiramente superior a 70% j\u00e1 reporta indicadores-chave de desempenho com uma m\u00e9dia de quatro empresas. Nem todas as empresas reportar\u00e3o indicadores ambientais. \u201cBancos, por exemplo, n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o envolvidos ambientalmente como a ind\u00fastria qu\u00edmica\u201d, explicou Thomas. Ele observou, por\u00e9m, que as empresas est\u00e3o concluindo que reportar informa\u00e7\u00f5es de que s\u00e3o mais eficientes nas emiss\u00f5es de carbono que seus concorrentes est\u00e1 \u201cfomentando um c\u00edrculo vicioso\u201d.<\/p>\n<p>As empresas no Reino Unido j\u00e1 est\u00e3o bem adiantadas no processo de organiza\u00e7\u00e3o de suas informa\u00e7\u00e3o antes da publica\u00e7\u00e3o. Trata-se de um primeiro passo rumo a uma revolu\u00e7\u00e3o que poder\u00e1 gerar informa\u00e7\u00e3o mais intelig\u00edvel e mais relevante para os investidores. Os resultados ser\u00e3o avaliados atentamente. \u201cNo momento estamos num laborat\u00f3rio evolucion\u00e1rio\u201d, disse Loweth.<\/p>\n<p>BRUCE, Robert. <strong>Sozinhos, n\u00fameros n\u00e3o explicam balan\u00e7os<\/strong>. Valor Econ\u00f4mico. P\u00e1g. B2, 21 de novembro de 2005. <strong style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14px;\">(<\/strong><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14px;\">artigo Financial Times)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Robert Bruce A crescente complexidade dos resultados das empresas j\u00e1 ensejou muitos debates. 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