{"id":1474,"date":"2013-08-09T13:03:14","date_gmt":"2013-08-09T16:03:14","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2013\/08\/09\/para-que-reportar-sustentabilidade\/"},"modified":"2013-08-09T13:03:14","modified_gmt":"2013-08-09T16:03:14","slug":"para-que-reportar-sustentabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2013\/08\/09\/para-que-reportar-sustentabilidade\/","title":{"rendered":"Para que reportar sustentabilidade?"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: right;\"> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14px;\">Por Marina Grossi e Tatiana Botelho<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif;\">O relat&oacute;rio de sustentabilidade vem sendo duramente criticado tanto por grupos favor&aacute;veis &agrave;s causas social e ambiental quanto por seus oponentes. A mais grave das condena&ccedil;&otilde;es est&aacute; relacionada ao objetivo do instrumento: &quot;greenwashing&quot;. Ou seja, as empresas usam o relat&oacute;rio de sustentabilidade para criar uma imagem &quot;verde&quot;, sem que haja uma melhoria no seu desempenho ambiental. A quest&atilde;o &eacute; se o relato de sustentabilidade &eacute; um instrumento v&aacute;lido. Todos concordam que as empresas devem informar, com transpar&ecirc;ncia e efici&ecirc;ncia, seu impacto socioambiental, positivo e negativo. H&aacute; inclusive aqueles que consideram essas informa&ccedil;&otilde;es t&atilde;o ou mais importantes que as informa&ccedil;&otilde;es financeiras.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif;\">A divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es pelas empresas &eacute; a base da sa&uacute;de dos mercados financeiros modernos. O capital n&atilde;o pode ser alocado de forma s&aacute;bia, e segura, em empresas que n&atilde;o informam adequadamente os riscos aos quais est&aacute; exposta. A raz&atilde;o &eacute; simples: menos informa&ccedil;&atilde;o representa menos certeza para investidores. Da mesma forma que dados financeiros omitidos levaram a perdas milion&aacute;rias no esc&acirc;ndalo da Enron em 2000, os investidores da BP se depararam com perdas de at&eacute; US$ 32 bilh&otilde;es do valor de mercado da empresa por n&atilde;o terem sido informados sobre o risco de acidentes. Informa&ccedil;&atilde;o &eacute; o oxig&ecirc;nio do mercado. No mundo atual onde o intang&iacute;vel representa, em m&eacute;dia, 80% do valor de mercado de uma empresa de capital aberto, a divulga&ccedil;&atilde;o de desempenho socioambiental torna-se essencial.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t <!--more-->  <\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<strong><span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif;\">As empresas dever&atilde;o reportar suas m&eacute;tricas sobre os ativos que ela influencia e n&atilde;o aqueles que ela controla<\/span><\/span><\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif;\">Al&eacute;m de corrigir as falhas de mercado, o reporte de informa&ccedil;&otilde;es socioambientais impulsiona a gest&atilde;o empresarial desses ativos. Ao fazer o exerc&iacute;cio de reunir dados e pr&aacute;ticas, a empresa inicia um processo de levantamento e monitoramento desses dados, passo necess&aacute;rio para avan&ccedil;ar na gest&atilde;o empresarial e, consequentemente, no seu melhor desempenho. At&eacute; o final dos anos 90, o relat&oacute;rio empresarial de sustentabilidade era praticamente desconhecido. Em pouco menos de uma d&eacute;cada, tornou-se pr&aacute;tica difundida entre as grandes empresas e, hoje, mais de dois ter&ccedil;os das companhias na Fortune 500 publicam relatos de sustentabilidade.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif;\">Um grande problema dos relat&oacute;rios, no entanto, &eacute; a falta de contexto, que resulta na incompreens&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es pelos tomadores de decis&atilde;o. Hoje, uma companhia encontra dificuldades, por exemplo, para mensurar e divulgar seus esfor&ccedil;os para reduzir o consumo de determinado recurso natural. Para o investidor ainda n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel perceber o valor agregado que esses esfor&ccedil;os trar&atilde;o para essa empresa. Al&eacute;m disso, com a falta de informa&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica do consumo desse recurso, o governo n&atilde;o tem insumos para orientar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Os clientes e consumidores, por sua vez, n&atilde;o conseguem comparar o desempenho dessa empresa com o da concorr&ecirc;ncia. E a corrente de incompreens&atilde;o vai se estendendo. O relat&oacute;rio tamb&eacute;m est&aacute; desbalanceado, com o passado ocupando um espa&ccedil;o muito maior que os planos e compromissos futuros. Nesse contexto, nem investidores, nem consumidores, nem ONGs, nem parceiros conseguem entender a contribui&ccedil;&atilde;o da empresa sob as perspectivas das quest&otilde;es sociais e ambientais.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif;\">Est&aacute; na hora de virar esse jogo e medir o progresso em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; sustentabilidade. Isso requer a utiliza&ccedil;&atilde;o de m&eacute;tricas do mundo real, ou seja, inserir as empresas num contexto maior. Para isso, &eacute; preciso considerar m&eacute;tricas como as dos limites do planeta, das metas do mil&ecirc;nio e, no futuro pr&oacute;ximo, dos objetivos do desenvolvimento sustent&aacute;vel. Porque uma empresa n&atilde;o tem &ecirc;xito em um ambiente socialmente esgar&ccedil;ado ao seu redor, nem irrespons&aacute;vel ambientalmente. No futuro, a valora&ccedil;&atilde;o de uma empresa dever&aacute; considerar todas as formas de capital de maneira equilibrada: a econ&ocirc;mica, a social e a ambiental. E o relato tem um papel essencial nessa transforma&ccedil;&atilde;o: proporcionar ao mercado e &agrave; sociedade um instrumento de tomada de decis&atilde;o. Dever&aacute; ser compreendido t&atilde;o facilmente quanto um balan&ccedil;o financeiro.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif;\">Tr&ecirc;s grandes mudan&ccedil;as ocorridas este ano prometem revolucionar a forma como as empresas entendem e reportam a sustentabilidade. No come&ccedil;o do ano, o Carbon Disclosure Project, chamado agora somente CDP, anunciou a cria&ccedil;&atilde;o do maior banco de dados de capital natural do mundo. O CDP que conta com o apoio de 722 investidores, gerenciando US$ 87 trilh&otilde;es em ativos &#8211; isto &eacute;, um ter&ccedil;o do capital investido no mundo -, passou a coletar dados de carbono, &aacute;gua e florestas de mais de cinco mil empresas. Com isso, traz para o mercado m&eacute;tricas confi&aacute;veis e compar&aacute;veis de desempenho passado e estrat&eacute;gia de futuro, buscando a integra&ccedil;&atilde;o da cadeia de fornecedores.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif;\">A segunda novidade foi o lan&ccedil;amento para coment&aacute;rios do arcabou&ccedil;o do Relato Integrado (RI), em abril. O RI busca principalmente uma mudan&ccedil;a de processo, visando medir os ganhos e perdas em seis fluxos de capital: financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social e relacional e natural. O objetivo principal &eacute; explicitar a cria&ccedil;&atilde;o de valor dos aspectos extra-financeiros para os investidores. Empresas brasileiras como a CCR, Natura, Petrobras, BNDES, AES, Ita&uacute; e Votorantim j&aacute; aderiram a essa iniciativa com pilotos do programa.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif;\">Por &uacute;ltimo, a nova gera&ccedil;&atilde;o de diretrizes do Global Reporting Initiative (GRI) trouxe maior foco na materialidade e uma mudan&ccedil;a simples, mas revolucion&aacute;ria, no escopo dos relatos: as empresas dever&atilde;o reportar suas m&eacute;tricas sobre os ativos que ela influencia em vez de reportar sobre os que ela controla. Nesse contexto, fica imposs&iacute;vel falar de quest&otilde;es materiais sem incorporar a cadeia produtiva. Quando trazemos fornecedores e consumidores para a discuss&atilde;o, fica dif&iacute;cil n&atilde;o fazer a integra&ccedil;&atilde;o da sustentabilidade n&atilde;o s&oacute; com o setor financeiro, mas com todas as &aacute;reas da companhia.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif;\">Acreditamos que essas ferramentas v&atilde;o ajudar na constru&ccedil;&atilde;o de economias equitativas e resilientes, em que as empresas operem de forma integrada com sua cadeia de fornecimento, mercados, sociedade e economias, e com o planeta. Que estes instrumentos possam abarcar melhor toda a complexidade da sustentabilidade empresarial, promovendo o relato cada vez mais simples e compreens&iacute;vel a todos.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<hr \/>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif;\"><strong>Marina Grossi<\/strong> &eacute; presidente executiva do <a href=\"http:\/\/www.cebds.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel<\/a> (Cebds)<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14px;\"><strong>Tatiana Botelho<\/strong> coordena a iniciativa de transpar&ecirc;ncia e relatos do Cebds<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif;\">Fonte: Valor Econ&ocirc;mico, <a href=\"http:\/\/www.4mail.com.br\/Artigo\/Display\/024538116393019\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">via FENACON<\/a><\/span><\/span> \t<\/p>\n<hr \/>\n<p> \t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family:arial,helvetica,sans-serif;\"><\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marina Grossi e Tatiana Botelho &nbsp; O relat&oacute;rio de sustentabilidade vem sendo duramente criticado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"class_list":["post-1474","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-contabilidade-ambiental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1474"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1474\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}