{"id":1341,"date":"2012-10-17T08:48:30","date_gmt":"2012-10-17T08:48:30","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2012\/10\/17\/opiniao-paciencia-tem-limite\/"},"modified":"2012-10-17T08:48:30","modified_gmt":"2012-10-17T08:48:30","slug":"opiniao-paciencia-tem-limite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2012\/10\/17\/opiniao-paciencia-tem-limite\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Paci\u00eancia tem limite"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right; \"> \t<span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\"><span style=\"font-size: 14px; \">por&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.regecontabilidade.blogspot.com.br\/2012\/10\/paciencia-tem-limite.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reginaldo Oliveira<\/a><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right; \"> \t<span style=\"font-family:comic sans ms,cursive;\"><span style=\"font-size: 14px; \"><span style=\"color: rgb(0, 0, 0); \"><span style=\"line-height: 12px; \">Publicado no Jornal do Commercio dia 16\/10\/2012 &#8211; A99<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right; \"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14px; text-align: justify; \">Na Inglaterra da idade m&eacute;dia a maioria das pessoas vivia no campo. Devido ao fato de estarem presos &agrave; terra dos senhores feudais, os camponeses, tamb&eacute;m chamados de servos, eram massacrados com pesados tributos. Prevalecia a lei do c&atilde;o. Quem n&atilde;o pagasse os impostos exigidos pelos poderosos era brutalmente penalizado (algo n&atilde;o muito diferente da nossa atual realidade). Nesse per&iacute;odo, o rei Ricardo Cora&ccedil;&atilde;o de Le&atilde;o empreendeu uma viagem &agrave; Jerusal&eacute;m e entregou o governo do seu povo a um parente chamado Jo&atilde;o. Malandramente, Jo&atilde;o aproveitou a aus&ecirc;ncia do rei para dobrar a cobran&ccedil;a de tributos. Metade ia para a coroa inglesa e a outra metade era usada para a forma&ccedil;&atilde;o de um ex&eacute;rcito particular capaz de garantir a perman&ecirc;ncia do suplente no trono. O estrangulamento tribut&aacute;rio foi tamanho que houve uma violenta revolta popular. Nessa &eacute;poca surgiu a lenda de Hobin Hood, her&oacute;i que roubava dos ricos para entregar aos pobres. Ricardo voltou e recuperou seu trono depois de uma batalha sangrenta com Jo&atilde;o. O estrago causado pelo excesso de tributa&ccedil;&atilde;o culminou na institui&ccedil;&atilde;o da Carta Magna em 15 de junho de 1215, que foi a primeira limita&ccedil;&atilde;o legal do poder real de tributar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"> \t<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14px; text-align: justify; \">Alguns s&eacute;culos depois, a expans&atilde;o do com&eacute;rcio e o desenvolvimento das cidades fez surgir na Europa uma nova classe social, representada principalmente pelos comerciantes. Era a burguesia, que passou a sustentar a nobreza e o clero, classe dominante que n&atilde;o trabalhava e era isenta de tributos. Nesse per&iacute;odo o rei franc&ecirc;s Luiz XIV dizia: &ldquo;Quero que o clero reze, que o nobre morra pela p&aacute;tria e que o povo pague&rdquo;. Insatisfeito com a press&atilde;o dessa classe dominante que lhe sugava o sangue, a popula&ccedil;&atilde;o promoveu um levante que resultou na queda da Bastilha. O alto escal&atilde;o da nobreza foi guilhotinado e em 1789 a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa instaurou a rep&uacute;blica, a separa&ccedil;&atilde;o dos poderes, o or&ccedil;amento p&uacute;blico etc. Nessa mesma &eacute;poca os Estados Unidos da Am&eacute;rica se tornavam independentes da Inglaterra ap&oacute;s uma guerra motivada principalmente pelo insuport&aacute;vel peso da carga tribut&aacute;ria imposta pela coroa inglesa.<\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify; \"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify; \"> \t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; \">Uma das causas da Reforma Protestante foi o desejo da nobreza de ver-se livre da excessiva tributa&ccedil;&atilde;o papal. No s&eacute;culo XVI Matinho Lutero ficou revoltado ao se deparar com o luxo, a soberba e a grandiosidade das constru&ccedil;&otilde;es da sede do poder cat&oacute;lico em Roma. Sua revolta era motivada pelo fato do povo alem&atilde;o deixar de comer para alimentar a igreja que sempre queria mais e mais dinheiro para financiar seus projetos mirabolantes. Ou seja, muito do supremo poder da igreja cat&oacute;lica foi perdido devido &agrave; gan&acirc;ncia incontrol&aacute;vel de engolir o patrim&ocirc;nio e os recursos do povo que se matava em nome da f&eacute;. Interessante &eacute; que justamente as na&ccedil;&otilde;es que mais se distanciaram do catolicismo s&atilde;o as que atualmente dominam o mundo.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; \"> \t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify; \"> \t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; \">No Brasil do s&eacute;culo XVIII, a pr&aacute;tica intensiva da minera&ccedil;&atilde;o levou &agrave; redu&ccedil;&atilde;o do volume de ouro que era enviado a Portugal. Inconformada com isso a coroa portuguesa comandou invas&otilde;es &agrave;s casas das fam&iacute;lias para tomar seus bens. Era a Derrama, uma pr&aacute;tica abusiva que desencadeou o processo da nossa liberta&ccedil;&atilde;o do dom&iacute;nio portugu&ecirc;s. Curioso, &eacute; que o &iacute;ndice normal de tributa&ccedil;&atilde;o cobrado pela metr&oacute;pole era de 20% &ndash; carga tribut&aacute;ria considerada perversa. Tanto, que era chamada de quinto dos infernos. Hoje, o governo devora quase 40% de tudo que &eacute; produzido no Brasil e ningu&eacute;m reclama, sendo que a maior parte dos recursos &eacute; consumida na corrup&ccedil;&atilde;o e nos desmandos administrativos. A sociedade, anestesiada, assiste todos os dias a um festival de esc&acirc;ndalos na m&iacute;dia sem esbo&ccedil;ar nenhuma rea&ccedil;&atilde;o organizada.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify; \"> \t&nbsp;<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify; \"> \t\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; \">Os casos aqui tratados deveriam nos envergonhar, visto que os nossos antepassados tinham muito mais fibra e coragem para lutar contra os abusos do poder dominante. Ao que parece n&oacute;s nos amofinamos e passamos a manter nossa cabe&ccedil;a abaixada como se esperasse o golpe de um machado. O homem perdeu sua ess&ecirc;ncia nociva e o seu esp&iacute;rito definhou. O poder constitu&iacute;do, leg&iacute;timo, democr&aacute;tico, libert&aacute;rio, massacra muito mais o povo do que os b&aacute;rbaros do passado. O peso da carga tribut&aacute;ria brasileira aumenta continuamente e o que se ouve nas conversas com funcion&aacute;rios das secretarias de fazenda &eacute; que o departamento de tributa&ccedil;&atilde;o est&aacute; permanentemente debru&ccedil;ado em projetos de expans&atilde;o dos tent&aacute;culos arrecadat&oacute;rios. O ritmo &eacute; intenso e os dispositivos normativos n&atilde;o param de pipocar nos di&aacute;rios oficiais. Tais dispositivos ficam cada vez mais virulentos e agressivos, pois mordem com mais for&ccedil;a o bolso de quem sua a camisa para produzir a riqueza do pa&iacute;s. Ser&aacute; que nunca iremos fazer jus &agrave; mem&oacute;ria dos nossos ancestrais e tamb&eacute;m, como eles, dar um basta? Ser&aacute; que s&oacute; uma revolu&ccedil;&atilde;o violenta &eacute; capaz de parar a incessante majora&ccedil;&atilde;o de tributos? Pois &eacute;! Paci&ecirc;ncia tem limite, at&eacute; para os inertes.&nbsp;<\/span><\/span><\/p>\n<hr \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por&nbsp;Reginaldo Oliveira Publicado no Jornal do Commercio dia 16\/10\/2012 &#8211; A99 &nbsp; Na Inglaterra da<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31],"tags":[],"class_list":["post-1341","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c73-carga-tributaria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1341"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1341\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}