{"id":1176,"date":"2012-01-23T22:18:56","date_gmt":"2012-01-23T22:18:56","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2012\/01\/23\/dividendos-na-mira-do-fisco\/"},"modified":"2012-01-23T22:18:56","modified_gmt":"2012-01-23T22:18:56","slug":"dividendos-na-mira-do-fisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2012\/01\/23\/dividendos-na-mira-do-fisco\/","title":{"rendered":"Dividendos na mira do Fisco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"> \t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">por Fernando Torres | De S&atilde;o Paulo<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Apesar de o processo de mudan&ccedil;a do padr&atilde;o de contabilidade brasileiro para o modelo internacional IFRS ter terminado em 2010, s&oacute; agora, mais precisamente no fim do ano passado, come&ccedil;ou a surgir uma d&uacute;vida que tem inquietado as empresas. Ela se refere ao tratamento que deve ser dado ao pagamento de dividendos isentos de Imposto de Renda aos acionistas.<\/p>\n<p> \tSe as empresas possuem dois lucros, um societ&aacute;rio e outro fiscal, qual deveria ser usado como base para que os dividendos possam ser distribu&iacute;dos sem a incid&ecirc;ncia de tributos?<\/p>\n<p> \tSem fugir &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, que vinha sendo negada nesse processo recente de mudan&ccedil;a cont&aacute;bil, Receita Federal e empresas possuem entendimentos diferentes sobre o assunto.<\/p>\n<p> \tO Fisco, de acordo com a manifesta&ccedil;&otilde;es de seus t&eacute;cnicos, acha que somente o lucro apurado pelas regras cont&aacute;beis antigas &#8211; que &eacute; aquele que est&aacute; sujeito &agrave; tributa&ccedil;&atilde;o da pessoa jur&iacute;dica &#8212; pode ser distribu&iacute;do sem que os acionistas tenham que recolher Imposto de Renda.<\/p>\n<p> \tPara as companhias, todo o lucro apurado pode ser distribu&iacute;do de forma isenta aos investidores.<\/p>\n<p> \tO caso se torna relevante especialmente porque estudos acad&ecirc;micos t&ecirc;m mostrado que, na m&eacute;dia, o novo padr&atilde;o de contabilidade aumenta o lucro das companhias em mais de 20%.<\/p>\n<p> \tA diferen&ccedil;a pode n&atilde;o ser grande o suficiente para afetar as companhias abertas que pagam uma parcela pequena do lucro na forma de dividendos, como o m&iacute;nimo legal de 25%.<\/p>\n<p> \tMas o advogado especialista em contabilidade e tributos Edison Fernandes, do escrit&oacute;rio Fernandes e Figueiredo, ressalta que isso afeta diretamente as controladas dessas empresas, que muitas vezes pagam 100% dos lucros para a holding aberta que as controla, al&eacute;m das empresas fechadas e das subsidi&aacute;rias de multinacionais estrangeiras.<\/p>\n<p> \tMesmo antes da mudan&ccedil;a do padr&atilde;o cont&aacute;bil, iniciada em 2008 e conclu&iacute;da em 2010, o lucro societ&aacute;rio de uma companhia j&aacute; era diferente do lucro que valia para a Receita Federal, para fins de apura&ccedil;&atilde;o de Imposto de renda e Contribui&ccedil;&atilde;o Social sobre Lucro L&iacute;quido (CSLL).<\/p>\n<p> \tSem o IFRS, no entanto, todos os ajustes que justificavam a diferen&ccedil;a entre um lucro e outro estavam previstos na legisla&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \tCom a ado&ccedil;&atilde;o do novo modelo cont&aacute;bil, foram criados novos ajustes, que n&atilde;o est&atilde;o mais na legisla&ccedil;&atilde;o, mas em regras infralegais, escritas pelo Comit&ecirc; de Pronunciamentos Cont&aacute;beis (CPC) e referendadas por meio de delibera&ccedil;&otilde;es da Comiss&atilde;o de Valores Mobili&aacute;rios (CVM).<\/span><\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Para resolver a quest&atilde;o de qual lucro deveria ser tributado, a Lei 12.941, de 2009, criou o Regime Tribut&aacute;rio de Transi&ccedil;&atilde;o (RTT). Por esse regime, que apesar do nome ainda est&aacute; em vigor, as diferen&ccedil;as trazidas pela ado&ccedil;&atilde;o do IFRS &quot;n&atilde;o ter&atilde;o efeitos para fins de apura&ccedil;&atilde;o do lucro real da pessoa jur&iacute;dica&quot;.<\/p>\n<p> \tIsso garantiu a chamada &quot;neutralidade tribut&aacute;ria&quot; no processo de mudan&ccedil;a para o IFRS.<\/p>\n<p> \tEm outras palavras, para a Receita Federal, continuam valendo as regras cont&aacute;beis vigentes at&eacute; 2007 para apura&ccedil;&atilde;o do lucro, podendo ser feitas as adi&ccedil;&otilde;es e exclus&otilde;es que a legisla&ccedil;&atilde;o j&aacute; previa para se chegar ao lucro que &eacute; base de c&aacute;lculo de IR e CSLL.<\/p>\n<p> \tSobre isso n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vidas. Mas em semin&aacute;rio realizado em meados de dezembro, a coordenadora de tributos sobre renda, patrim&ocirc;nio e opera&ccedil;&otilde;es financeiras da Secretaria da Receita Federal, Claudia Lucia Pimentel, disse que, para o Fisco, o conceito da neutralidade tribut&aacute;ria deve ser estendido tamb&eacute;m para a distribui&ccedil;&atilde;o de dividendos isentos.<\/p>\n<p> \tSegundo o Valor apurou, outros t&eacute;cnicos do Fisco teriam manifestado o mesmo entendimento em outras ocasi&otilde;es.<\/p>\n<p> \tEm um exemplo, se uma empresa teve R$ 100 milh&otilde;es de lucro societ&aacute;rio, mas apenas R$ 70 milh&otilde;es de lucro no &acirc;mbito do RTT, ela poderia distribuir dividendos isentos de IR apenas at&eacute; o limite de R$ 70 milh&otilde;es.<\/p>\n<p> \tA l&oacute;gica que daria embasamento para isso &eacute; que a isen&ccedil;&atilde;o dos dividendos foi estabelecida para se evitar uma bitributa&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que a empresa j&aacute; pagou IR e CSLL sobre aquele ganho antes de entreg&aacute;-lo aos acionistas (veja mais nesta p&aacute;gina).<\/p>\n<p> \tComo esse excedente de lucro trazido pela nova regra cont&aacute;bil n&atilde;o foi tributado (por conta do RTT) haveria a incid&ecirc;ncia do imposto uma &uacute;nica vez, na hora do pagamento aos investidores.<\/p>\n<p> \tO entendimento das empresas, no entanto, &eacute; distinto. Eduardo Lucano, superintendente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), diz que o assunto chegou &agrave; entidade no fim de 2011 e que a vis&atilde;o das comiss&otilde;es t&eacute;cnicas que analisaram a quest&atilde;o &eacute; que em nenhum caso deve haver tributa&ccedil;&atilde;o sobre o dividendo distribu&iacute;do.<\/p>\n<p> \tE ele cita uma quest&atilde;o pr&aacute;tica. &quot;N&atilde;o vemos como o dividendo possa ser tributado. As normas n&atilde;o preveem a tributa&ccedil;&atilde;o e as empresas n&atilde;o veem como isso pode ser feito&quot;, afirma, dizendo que n&atilde;o existe na legisla&ccedil;&atilde;o nem uma previs&atilde;o de al&iacute;quota que incidiria sobre o dividendo, caso ele n&atilde;o fosse isento.<\/p>\n<p> \tDe acordo com Lucano, a Abrasca chegou a cogitar pedir um parecer de tributarista a respeito do assunto, mas nenhuma decis&atilde;o foi tomada at&eacute; agora.<\/p>\n<p> \tO advogado Edison Fernandes ressalta ainda que o RTT fala apenas sobre a apura&ccedil;&atilde;o do lucro. &quot;Se fosse valer tamb&eacute;m para a distribui&ccedil;&atilde;o do lucro, a lei teria que dizer isso&quot;, afirma o especialista.<\/p>\n<p> \tPara ele, caso haja um entendimento oficial da Receita Federal diferente disso, seria criado um problema para a estrutura do mercado de capitais. &quot;Uma das vantagens de se aplicar em a&ccedil;&otilde;es &eacute; que o dividendo &eacute; isento, apesar de haver Imposto de Renda sobre ganho de capital&quot;, afirma.<\/p>\n<p> \tOutra consequ&ecirc;ncia da mudan&ccedil;a seria operacional, j&aacute; que as empresas teriam que controlar, dentro da conta de reserva de lucros, qual parcela n&atilde;o poderia ser distribu&iacute;da de forma isenta.<\/span><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p> \tFonte: Valor Econ&ocirc;mico &#8211; 20\/01\/2012, via <a href=\"http:\/\/clippingmp.planejamento.gov.br\/cadastros\/noticias\/2012\/1\/20\/dividendos-na-mira-do-fisco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">FENACON<\/a><\/p>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Fernando Torres | De S&atilde;o Paulo Apesar de o processo de mudan&ccedil;a do padr&atilde;o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[160],"tags":[],"class_list":["post-1176","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-planejamento-tributario"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1176"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1176\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}