{"id":1149,"date":"2011-12-03T15:50:57","date_gmt":"2011-12-03T17:50:57","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/12\/03\/ifrs-garantia-contratual\/"},"modified":"2011-12-03T15:50:57","modified_gmt":"2011-12-03T17:50:57","slug":"ifrs-garantia-contratual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/12\/03\/ifrs-garantia-contratual\/","title":{"rendered":"IFRS: Garantia contratual"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"> \t<span style=\"font-size: 12px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Por Edison Carlos Fernandes<br \/> \tValor Econ&ocirc;mico<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Em abril de 2009, o juiz da 16&ordf; Vara Federal do Rio de Janeiro determinou, em sede de liminar, a penhora dos dividendos da Petrobras, em raz&atilde;o de a&ccedil;&atilde;o judicial contra a companhia. Conquanto essa decis&atilde;o tenha sido revertida dois dias depois pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 2&ordf; regi&atilde;o, a interfer&ecirc;ncia judicial, ainda que a t&iacute;tulo prec&aacute;rio, indica a possibilidade de discuss&atilde;o quanto &agrave; garantia contratual ser efetivada por meio de registro cont&aacute;bil. Fosse reconhecida provis&atilde;o decorrente dessa a&ccedil;&atilde;o no balan&ccedil;o, talvez a companhia n&atilde;o gerasse lucro a ser distribu&iacute;do.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">A ado&ccedil;&atilde;o do IFRS como padr&atilde;o cont&aacute;bil brasileiro real&ccedil;ou a quest&atilde;o das garantias contratuais, notadamente aquelas com suporte nas demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras. As normas cont&aacute;beis atuais s&atilde;o baseadas no julgamento e na primazia da subst&acirc;ncia sobre a forma &#8211; que, de t&atilde;o intr&iacute;nseca &agrave; contabilidade, deve ter a sua refer&ecirc;ncia expressa exclu&iacute;da do texto normativo, conforme consulta p&uacute;blica do International Accounting Standards Board (IASB), o &oacute;rg&atilde;o emissor dos IFRS. A aplica&ccedil;&atilde;o desses dois &quot;princ&iacute;pios&quot; exerce influ&ecirc;ncia decisiva, por exemplo, na identifica&ccedil;&atilde;o de bens a serem arrolados em garantia e no cumprimento das cl&aacute;usulas de garantia (covenants).<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Por for&ccedil;a da primazia da subst&acirc;ncia sobre a forma, um bem deve ser reconhecido nas demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras da empresa que aufere os seus benef&iacute;cios, de um lado, e de outro, assume seus riscos e controles (artigo 179, IV da Lei n&ordm; 6.404, de 1976 &#8211; LSA), sendo irrelevante a transfer&ecirc;ncia jur&iacute;dica da propriedade. Caso t&iacute;pico &eacute; o arrendamento mercantil financeiro (leasing): na forma, trata-se de um contrato de aluguel com op&ccedil;&atilde;o de compra, mas, na ess&ecirc;ncia, representa uma compra financiada. Dessa forma, um ativo n&atilde;o mais pode ser identificado, exclusivamente, como o bem de propriedade da empresa, pois isso n&atilde;o &eacute; mais o crit&eacute;rio primordial para a classifica&ccedil;&atilde;o cont&aacute;bil.<\/span><\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><strong>O IFRS provocou uma mudan&ccedil;a estrutural na cultura empresarial brasileira<\/strong><br \/> \tConsiderando que a empresa reconhece como seu ativo um bem que, juridicamente, &eacute; de propriedade de outrem, surge o questionamento sobre a possibilidade de esse bem ser dado em garantia nos contratos celebrados pela empresa arrendat&aacute;ria. Ou, de outra parte, questiona-se se seria permitida a concess&atilde;o de garantia sobre o &quot;direito de uso&quot;, objeto do contrato de arrendamento mercantil financeiro. Dependendo de como s&atilde;o resolvidas essas quest&otilde;es, o credor n&atilde;o poder&aacute;, de maneira absoluta e induvidosa, utilizar as demonstra&ccedil;&otilde;es cont&aacute;beis do devedor para a pesquisa de bens que possam garantir o cumprimento do contrato.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Al&eacute;m disso, &eacute; comum que cl&aacute;usulas de garantia (convenants) prevejam a liquida&ccedil;&atilde;o antecipada do contrato no caso de descumprimento de algumas condi&ccedil;&otilde;es. Diversas s&atilde;o as naturezas dessas condi&ccedil;&otilde;es, sendo, algumas delas, baseadas em informa&ccedil;&otilde;es cont&aacute;beis. Tais disposi&ccedil;&otilde;es contratuais podem exigir, dentre v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es, que o devedor n&atilde;o assuma risco financeiro (por exemplo, endividamento) acima de um determinado limite do seu patrim&ocirc;nio l&iacute;quido (capital social, reservas e lucros) ou de suas disponibilidades (caixa, aplica&ccedil;&atilde;o financeira etc.) ou, ainda, que apresente uma estimada margem de lucro (lucro bruto ou EBITDA).<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Em decorr&ecirc;ncia de o registro cont&aacute;bil ser fundamentado em julgamento da administra&ccedil;&atilde;o, a maioria das exig&ecirc;ncias previstas nas cl&aacute;usulas de garantia &eacute; diretamente influenciada pela percep&ccedil;&atilde;o que os gestores t&ecirc;m dos eventos e das opera&ccedil;&otilde;es financeiras que dever&atilde;o ser informados na contabilidade. Veja-se, por exemplo, o caso do ajuste a valor presente, de forma particular, do passivo (d&iacute;vidas) ou da emiss&atilde;o de t&iacute;tulos h&iacute;bridos (como, por exemplo, deb&ecirc;ntures perp&eacute;tuas). Em ambos os casos, pode acontecer de o registro cont&aacute;bil reduzir a d&iacute;vida perante terceiros e aumentar o valor do patrim&ocirc;nio l&iacute;quido, alterando, significativamente, o &iacute;ndice de endividamento da empresa &#8211; e, dessa forma, assegurando o cumprimento de certos convenants.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">No contexto do IFRS, tamb&eacute;m marcado pela busca da transpar&ecirc;ncia, deve ser permitida a discuss&atilde;o sobre os crit&eacute;rios cont&aacute;beis adotados pelas empresas a todos os seus usu&aacute;rios (stakeholders). Nesse sentido, deve ser repensado o dispositivo que impede, a qualquer autoridade, ordenar dilig&ecirc;ncia para verificar o cumprimento das normas cont&aacute;beis por uma determinada empresa (artigo 1.190 do C&oacute;digo Civil). O saudoso Miguel Reale escreveu que a lei pode ser alterada sem que se mexa em uma v&iacute;rgula do seu texto, isso porque h&aacute; mudan&ccedil;a da cultura: a ado&ccedil;&atilde;o do IFRS provocou uma mudan&ccedil;a estrutural na cultura empresarial brasileira.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><strong>Edison Carlos Fernandes<\/strong>, &eacute; advogado, doutor em direito pela PUC-SP, professor da Universidade Mackenzie e da FGV (GVLaw, GVPEC e GVManagement) e autor do livro &quot;Demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras: gerando valor para o acionista&quot; (Editora Atlas).<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><strong>Fonte<\/strong>: Valor Econ&ocirc;mico via <a href=\"http:\/\/4mail.com.br\/Artigo\/ViewFenacon\/011328000000000\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">FENACON<\/a><\/span><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Edison Carlos Fernandes Valor Econ&ocirc;mico &nbsp; Em abril de 2009, o juiz da 16&ordf;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[117],"tags":[],"class_list":["post-1149","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ifrs"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1149","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1149"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1149\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}