{"id":1140,"date":"2011-11-22T04:48:52","date_gmt":"2011-11-22T06:48:52","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/11\/22\/uma-boa-safra-de-escandalos-contabeis\/"},"modified":"2011-11-22T04:48:52","modified_gmt":"2011-11-22T06:48:52","slug":"uma-boa-safra-de-escandalos-contabeis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/11\/22\/uma-boa-safra-de-escandalos-contabeis\/","title":{"rendered":"Uma boa safra de esc\u00e2ndalos cont\u00e1beis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"> \tJonathan Weil &eacute; colunista da Bloomberg<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"> \tFonte: <a href=\"http:\/\/www.jornalcontabil.com.br\/v2\/Contabilidade-News\/1609.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jornal Cont&aacute;bil<\/a><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Se voc&ecirc; por acaso adora acompanhar esc&acirc;ndalos cont&aacute;beis, ent&atilde;o possivelmente nunca viu um per&iacute;odo t&atilde;o bom como os &uacute;ltimos meses, encerrado com chave de ouro pelos desdobramentos do desastre na Olympus. Por outro lado, se voc&ecirc; trabalha como auditor numa grande firma de contabilidade, ficou muito mais dif&iacute;cil justificar que a sociedade deva valorizar os seus servi&ccedil;os.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">O golpe praticado na Olympus era simples, ainda que os meios tenham sido, por vezes, ex&oacute;ticos. A fabricante japonesa de c&acirc;meras e endosc&oacute;pios ocultou preju&iacute;zos tratando-os como ativos. Segundo a companhia, assim foi desde os anos 1990. Isso poderia ter permanecido em segredo, caso o executivo da Olympus, um brit&acirc;nico chamado Michael C Woodford, n&atilde;o tivesse feito press&atilde;o internamente para resolver o assunto, em resposta a uma reportagem de uma revista japonesa sobre alguns dos neg&oacute;cios menos ortodoxos da companhia. O conselho de administra&ccedil;&atilde;o da Olympus reagiu demitindo Woodford, apenas seis meses no cargo. Agora, vemos que suas advert&ecirc;ncias sobre as finan&ccedil;as da empresa estavam certas.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Onde estavam os auditores? Embora ainda n&atilde;o conhe&ccedil;amos a plena extens&atilde;o do que eles sabiam e quando, basta ver quem eram os auditores externos para saborear o fasc&iacute;nio da hist&oacute;ria.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">A auditoria da Olympus na d&eacute;cada de 1990 era a afiliada japonesa da Arthur Andersen, &agrave; &eacute;poca uma das chamadas &quot;Cinco Grandes&quot; firmas de contabilidade. Depois que a Andersen entrou em colapso em 2002, a KPMG adquiriu sua opera&ccedil;&atilde;o no Jap&atilde;o, que atuava sob o nome de Asahi &amp; Co, e assumiu a auditoria da Olympus. A KPMG permaneceu como auditora at&eacute; 2009. A Olympus passou a usar os servi&ccedil;os da Ernst &amp; Young no fim daquele ano.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Desse &acirc;ngulo, parece que os fantasmas de Andersen ainda est&atilde;o assombrando os corredores empresariais. A firma foi indiciada em 2002 devido a sua conduta como auditora da Enron, empresa americana de energia, no que equivaleu a sua senten&ccedil;a de morte. Na esteira desses acontecimentos, grandes fraudes cont&aacute;beis vieram &agrave; tona em muitos dos ex-clientes da empresa &#8211; uma lista de nomes onde compareceram a WorldCom, Dynegy, Qwest, Freddie Mac e Refco. A Olympus parece estar a caminho de entrar para a mesma lista. Foi necess&aacute;ria apenas cerca de uma d&eacute;cada a mais para os problemas emergirem.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">O &quot;Financial Times&quot; informou no m&ecirc;s passado que a KPMG efetivamente levantou em determinado momento algum questionamento sobre a contabilidade da Olympus. Nenhuma diverg&ecirc;ncia entre a KPMG e a Olympus foi divulgada publicamente, embora saiba-se agora que houve diverg&ecirc;ncias, segundo um artigo, em 4 de novembro, no jornal brit&acirc;nico &quot;Daily Telegraph&quot;.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<strong><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">A Ernst &amp; Young tamb&eacute;m n&atilde;o levantou quaisquer problemas.<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">O mais recente relat&oacute;rio de auditoria da E&amp;Y, firmado em 29 de junho, observou que a firma auditou as demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras da Olympus apenas para os anos fiscais de 2010 e 2011, e que os livros da empresa referentes a 2009 foram examinados &quot;por outros auditores&quot;, que apresentaram um parecer sem ressalvas&quot;. Agora, tanto a Ernst &amp; Young como a KPMG est&atilde;o numa saia justa.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Podemos ouvir ecos de esc&acirc;ndalos passados tamb&eacute;m no colapso da MF Global Holdings, constru&iacute;do em parte por meio de uma aquisi&ccedil;&atilde;o dos ativos da Refco em 2005, depois que a corretora de futuros faliu naquele mesmo ano. Os espectadores do esc&acirc;ndalo Enron podem recordar, por exemplo, que os executivos da empresa de Houston n&atilde;o tinham como controlar a quantidade de dinheiro que a companhia tinha em determinado momento. Ap&oacute;s as fal&ecirc;ncias da Enron e da WorldCom, o Congresso aprovou em 2002 uma lei exigindo que os altos executivos certificassem a efic&aacute;cia dos controles internos de suas empresas sobre seus relat&oacute;rios financeiros. Relat&oacute;rios de auditores sobre os controles internos tornaram-se tamb&eacute;m uma exig&ecirc;ncia.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">A PricewaterhouseCoopers, auditoria externa da MF Global, disse em maio, que os controles MF estavam em ordem, e que tudo estava bem tamb&eacute;m com Jon Corzine, &agrave; &eacute;poca executivo-chefe da MF. Se essas afirma&ccedil;&otilde;es estavam corretas &eacute; algo agora em quest&atilde;o. Mais de uma semana ap&oacute;s a MF ter pedido concordata, h&aacute; ainda cerca de US$ 600 milh&otilde;es de clientes desaparecidos sem causa definida.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Ent&atilde;o, no m&ecirc;s passado, houve a implos&atilde;o do Dexia, gigantesco banco franco-belga que recebeu um socorro do governo para evitar seu colapso. Em mar&ccedil;o, o Dexia recebeu um parecer positivo da afiliada belga da Deloitte &amp; Touche. O mercado finalmente percebeu que seu balan&ccedil;o era uma farsa.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">S&atilde;o tantas as grandes companhias que sofreram colapsos ap&oacute;s terem sua contabilidade aprovada pelas Quatro Grandes firmas de auditoria que muita gente considera seus pareceres uma piada. Afinal de contas, &eacute; o cliente quem paga as auditorias. (Opa, nenhum conflito nisso!) H&aacute; d&eacute;cadas as ag&ecirc;ncias fiscalizadoras v&ecirc;m tentado descobrir maneiras de contornar essa falha fundamental no modelo de neg&oacute;cios do setor, colocando em vigor todo tipo de regras exigindo que os auditores sejam &quot;independentes&quot;, por mais tola que essa no&ccedil;&atilde;o possa, por vezes, parecer. Apesar disso tudo, continuam assomando novas ondas de esc&acirc;ndalos cont&aacute;beis,.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">No entanto, o pr&oacute;ximo passo l&oacute;gico &#8211; tirar da profiss&atilde;o cont&aacute;bil a sua galinha de ouro, tornando as auditorias volunt&aacute;rias, em vez de obrigat&oacute;rias, para as empresas de capital aberto -, sempre pareceu uma p&eacute;ssima ideia, porque seria praticamente um convite para mais fraudes. Nem h&aacute; muito apetite para que terceiros, como governos nacionais, paguem pelas auditorias nas empresas. Os resultados provavelmente n&atilde;o seriam melhores.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Pelo menos, o p&uacute;blico pode deleitar-se com o valor de entretenimento em todos esses esc&acirc;ndalos. Pode n&atilde;o haver fiapos de otimismo quando tanta riqueza e tantas vidas s&atilde;o destru&iacute;das, mas &eacute; algo capaz de nos distrair da conclus&atilde;o &oacute;bvia de que estamos atados, por ora, a um sistema que, muito frequentemente, n&atilde;o funciona.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">O maior temor para o cartel das Quatro Grandes deve ser que os investidores um dia fiquem t&atilde;o fartos, que exijam uma mudan&ccedil;a total no status quo, por concluir que nada t&ecirc;m a perder. Ainda n&atilde;o chegamos a esse ponto, mas poderemos. Se as auditorias n&atilde;o conseguirem descobrir uma forma de reincutir valor em seu produto mais b&aacute;sico, at&eacute; mesmo solu&ccedil;&otilde;es horr&iacute;veis poder&atilde;o come&ccedil;ar a parecer melhorias substanciais.<\/span><\/span><\/p>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jonathan Weil &eacute; colunista da Bloomberg Fonte: Jornal Cont&aacute;bil &nbsp; Se voc&ecirc; por acaso adora<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[102],"tags":[],"class_list":["post-1140","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fraudes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1140","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1140"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1140\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}