{"id":1132,"date":"2011-11-04T15:42:23","date_gmt":"2011-11-04T15:42:23","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/11\/04\/iptu-fisco-e-condenado-por-dano-moral\/"},"modified":"2011-11-04T15:42:23","modified_gmt":"2011-11-04T15:42:23","slug":"iptu-fisco-e-condenado-por-dano-moral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/11\/04\/iptu-fisco-e-condenado-por-dano-moral\/","title":{"rendered":"IPTU: Fisco \u00e9 condenado por dano moral"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">por Adriana Aguiar<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Valor Econ&ocirc;mico<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Uma moradora de Jo&atilde;o Pessoa (PB) surpreendeu-se ao ser cobrada por d&iacute;vidas de IPTU de um im&oacute;vel que sequer era dela. O munic&iacute;pio ajuizou uma execu&ccedil;&atilde;o fiscal contra a contribuinte. O terreno, por&eacute;m, pertencia &agrave; pr&oacute;pria prefeitura. Em raz&atilde;o dos danos causados com a confus&atilde;o, o Superior Tribunal de Justi&ccedil;a (STJ) manteve, recentemente, a condena&ccedil;&atilde;o por danos morais da Fazenda municipal. Outro contribuinte cobrado por uma d&iacute;vida de ISS j&aacute; quitada tamb&eacute;m conseguiu R$ 2,5 mil de indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais contra o munic&iacute;pio do Rio de Janeiro.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Ainda s&atilde;o poucas as a&ccedil;&otilde;es no Judici&aacute;rio que pleiteiam indeniza&ccedil;&otilde;es por danos morais contra as Fazendas p&uacute;blicas por cobran&ccedil;a de d&eacute;bitos n&atilde;o existentes ou pagos antes da inscri&ccedil;&atilde;o em d&iacute;vida ativa. No entanto, nesses poucos casos, a Justi&ccedil;a tem dado ganho de causa aos contribuintes, principalmente quando comprovado o dano causado por equ&iacute;voco do Fisco, seja municipal, estadual ou federal.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">A l&oacute;gica para decretar a condena&ccedil;&atilde;o tem sido a mesma aplicada &agrave;s empresas privadas que incluem indevidamente o nome de clientes em cadastros de prote&ccedil;&atilde;o ao cr&eacute;dito, explica o advogado Fernando Scaff, s&oacute;cio do Silveira, Athias, Soriano de Mello, Guimar&atilde;es, Pinheiro &amp; Scaff &#8211; Advogados, e professor de direito tribut&aacute;rio da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). De acordo com o advogado, mesmo com todos os aparatos tecnol&oacute;gicos das Fazendas, os erros cometidos ainda s&atilde;o frequentes.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Segundo o advogado, muitos contribuintes, por&eacute;m, n&atilde;o est&atilde;o atentos ao fato de poderem ser indenizados pelo Fisco em decorr&ecirc;ncia das falhas cometidas, que v&atilde;o desde o envio autom&aacute;tico do nome do contribuinte para o Cadastro Informativo de cr&eacute;ditos n&atilde;o quitados (Cadin) at&eacute; o ajuizamento de uma execu&ccedil;&atilde;o fiscal.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Para o advogado Edmundo de Medeiros, professor de direito tribut&aacute;rio da Universidade Mackenzie, tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel pleitear esse mesmo direito para os contribuintes beneficiados por normas tribut&aacute;rias posteriormente consideradas inconstitucionais e que est&atilde;o sendo cobrados pelos valores n&atilde;o pagos nos &uacute;ltimos cinco anos.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Nesses processos, em geral, a Justi&ccedil;a exige que haja comprova&ccedil;&atilde;o do dano causado ao contribuinte para conceder a indeniza&ccedil;&atilde;o. Assim, para embasar o pedido, segundo Medeiros, o contribuinte deve anexar provas, como a recusa de bancos em conceder novos financiamentos e editais de concorr&ecirc;ncia em licita&ccedil;&otilde;es que a empresa deixou de participar por n&atilde;o ter a Certid&atilde;o Negativa de D&eacute;bitos (CND) regularizada. Ou at&eacute; mesmo eventuais repercuss&otilde;es na m&iacute;dia, caso a empresa seja impedida de atuar em obra p&uacute;blica pela d&iacute;vida cobrada indevidamente.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Uma nova corrente no STJ, por&eacute;m, tem entendido que o simples equ&iacute;voco do Fisco ensejaria repara&ccedil;&atilde;o por danos morais. O relator do caso da cobran&ccedil;a indevida de IPTU em Jo&atilde;o Pessoa, Mauro Campbell, ao analisar o recurso da Fazenda, interpretou que o dano moral estaria presumido pelo simples fato de o contribuinte ter sofrido o processo de execu&ccedil;&atilde;o fiscal. A 2&ordf; Turma foi un&acirc;nime ao seguir o relator. O processo transitou em julgado (n&atilde;o cabe recurso) em mar&ccedil;o.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">No voto, Campbell admite que ainda n&atilde;o h&aacute; uma uniformiza&ccedil;&atilde;o no entendimento do STJ com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; comprova&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o do dano. Mas cita um outro julgado de 2007, da 2&ordf; Turma, no qual a ministra Eliana Calmon foi relatora. Mesmo entendendo que deve ser feita a comprova&ccedil;&atilde;o do abalo moral, ao analisar o caso concreto, a ministra optou por presumir a ocorr&ecirc;ncia do dano. Ela ainda citou precedentes da 3&ordf; e 4&ordf; turmas que admitiram ser apenas a presun&ccedil;&atilde;o de dano moral suficiente.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">No caso do contribuinte cobrado por uma d&iacute;vida de ISS j&aacute; paga ao munic&iacute;pio do Rio, a relatora do processo no STJ, ministra Eliana Calmon, foi enf&aacute;tica ao afirmar que a situa&ccedil;&atilde;o, &quot;acaba por suscitar constrangimento que transcende o mero aborrecimento&quot;. O processo foi finalizado em junho de 2010, com julgamento un&acirc;nime a favor do contribuinte.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Os ministros tamb&eacute;m mantiveram uma indeniza&ccedil;&atilde;o a favor de um contribuinte que teve seu nome inscrito indevidamente na d&iacute;vida ativa pela Uni&atilde;o. Segundo o processo, ao fazer a declara&ccedil;&atilde;o de Imposto de Renda em 1997, com ano-base de 1996, ele teria cometido um erro, posteriormente corrigido com uma declara&ccedil;&atilde;o retificadora entregue &agrave; Receita. No entanto, o Fisco entendeu que houve uma dupla declara&ccedil;&atilde;o de rendimentos, o que gerou um auto de infra&ccedil;&atilde;o, a inscri&ccedil;&atilde;o do nome na d&iacute;vida ativa e o in&iacute;cio de uma a&ccedil;&atilde;o de execu&ccedil;&atilde;o fiscal. Para o relator, ministro Luiz Fux, o contribuinte &quot;sofreu n&atilde;o s&oacute; constrangimento, mas indigna&ccedil;&atilde;o e revolta ante o fato de ter sido processado por inscri&ccedil;&atilde;o indevida de d&eacute;bito na d&iacute;vida ativa&quot;. A 1&ordf; Turma foi un&acirc;nime ao condenar a Uni&atilde;o a indenizar em R$ 2,5 mil por danos morais. O processo terminou em dezembro de 2008.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">O diretor do Departamento de Servi&ccedil;o P&uacute;blico, que representa a Uni&atilde;o nos processos do STJ, Jo&atilde;o Bosco Teixeira, afirma que s&atilde;o pouqu&iacute;ssimos os processos desse tipo que envolvem a Uni&atilde;o. &quot;Nesses casos, por&eacute;m, dificilmente conseguimos reverter a decis&atilde;o no STJ, que n&atilde;o pode rever provas, mas tentamos ao menos reduzir os valores de indeniza&ccedil;&atilde;o&quot;. At&eacute; as decis&otilde;es dos Tribunais Regionais Federais (TRFs), Teixeira afirma ainda ser poss&iacute;vel exigir que haja a comprova&ccedil;&atilde;o real do dano causado.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Procuradas pelo Valor, as procuradorias-gerais dos munic&iacute;pios do Rio de Janeiro e de Jo&atilde;o Pessoa n&atilde;o deram retorno at&eacute; o fechamento da edi&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><br \/> \t&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p> \tFonte: Valor Econ&ocirc;mico, via <a href=\"http:\/\/4mail.com.br\/Artigo\/ViewFenacon\/010658000000000\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">FENACON<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p> \t<span _fck_bookmark=\"1\" style=\"display: none\">&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Adriana Aguiar Valor Econ&ocirc;mico Uma moradora de Jo&atilde;o Pessoa (PB) surpreendeu-se ao ser cobrada<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[165],"tags":[],"class_list":["post-1132","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c50-processo-adm-tributario"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1132","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1132"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1132\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1132"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1132"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}