{"id":1128,"date":"2011-10-25T04:42:41","date_gmt":"2011-10-25T04:42:41","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/10\/25\/a-origem-da-corrupcao\/"},"modified":"2011-10-25T04:42:41","modified_gmt":"2011-10-25T04:42:41","slug":"a-origem-da-corrupcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/10\/25\/a-origem-da-corrupcao\/","title":{"rendered":"A origem da Corrup\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"ez-toc-container\" class=\"ez-toc-v2_0_82_2 counter-hierarchy ez-toc-counter ez-toc-grey ez-toc-container-direction\">\n<div class=\"ez-toc-title-container\">\n<p class=\"ez-toc-title\" style=\"cursor:inherit\">\u00cdndice<\/p>\n<span class=\"ez-toc-title-toggle\"><a href=\"#\" class=\"ez-toc-pull-right ez-toc-btn ez-toc-btn-xs ez-toc-btn-default ez-toc-toggle\" aria-label=\"Alternar tabela de conte\u00fado\"><span class=\"ez-toc-js-icon-con\"><span class=\"\"><span class=\"eztoc-hide\" style=\"display:none;\">Toggle<\/span><span class=\"ez-toc-icon-toggle-span\"><svg style=\"fill: #999;color:#999\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" class=\"list-377408\" width=\"20px\" height=\"20px\" viewBox=\"0 0 24 24\" fill=\"none\"><path d=\"M6 6H4v2h2V6zm14 0H8v2h12V6zM4 11h2v2H4v-2zm16 0H8v2h12v-2zM4 16h2v2H4v-2zm16 0H8v2h12v-2z\" fill=\"currentColor\"><\/path><\/svg><svg style=\"fill: #999;color:#999\" class=\"arrow-unsorted-368013\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"10px\" height=\"10px\" viewBox=\"0 0 24 24\" version=\"1.2\" baseProfile=\"tiny\"><path d=\"M18.2 9.3l-6.2-6.3-6.2 6.3c-.2.2-.3.4-.3.7s.1.5.3.7c.2.2.4.3.7.3h11c.3 0 .5-.1.7-.3.2-.2.3-.5.3-.7s-.1-.5-.3-.7zM5.8 14.7l6.2 6.3 6.2-6.3c.2-.2.3-.5.3-.7s-.1-.5-.3-.7c-.2-.2-.4-.3-.7-.3h-11c-.3 0-.5.1-.7.3-.2.2-.3.5-.3.7s.1.5.3.7z\"\/><\/svg><\/span><\/span><\/span><\/a><\/span><\/div>\n<nav><ul class='ez-toc-list ez-toc-list-level-1 ' ><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-1\" href=\"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/10\/25\/a-origem-da-corrupcao\/#A_origem_da_Corrupcao\" >A origem da Corrup&ccedil;&atilde;o<\/a><\/li><\/ul><\/nav><\/div>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"A_origem_da_Corrupcao\"><\/span> \t<strong>A origem da Corrup&ccedil;&atilde;o<\/strong><span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\"> \tpor <a href=\"http:\/\/www.kanitz.com\/veja\/corrupcao.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Stephen Kanitz<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">O Brasil n&atilde;o &eacute; um pa&iacute;s intrinsecamente corrupto. N&atilde;o existe nos genes brasileiros nada que nos predisponha &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o, algo herdado, por exemplo, de desterrados portugueses.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">A Austr&aacute;lia que foi col&ocirc;nia penal do imp&eacute;rio brit&acirc;nico, n&atilde;o possui &iacute;ndices de corrup&ccedil;&atilde;o superiores aos de outras na&ccedil;&otilde;es, pelo contr&aacute;rio. <\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">N&oacute;s brasileiros n&atilde;o somos nem mais nem menos corruptos que osjaponeses, que a cada par de anos t&ecirc;m um ministro que renuncia diante de den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Somos, sim, um pa&iacute;s onde a corrup&ccedil;&atilde;o, p&uacute;blica e privada, &eacute; detectada somente quando chega a milh&otilde;es de d&oacute;lares e porque um irm&atilde;o, um genro, um jornalista ou algu&eacute;m botou a boca no trombone, n&atilde;o por um processo sistem&aacute;tico de auditoria. As na&ccedil;&otilde;es com menor &iacute;ndice de corrup&ccedil;&atilde;o s&atilde;o as que t&ecirc;m o maior n&uacute;mero de auditores e fiscais formados e treinados. A Dinamarca e a Holanda possuem 100 auditores por 100.000 habitantes. Nos pa&iacute;ses efetivamente auditados, a corrup&ccedil;&atilde;o &eacute; detectada no nascedouro ou quando ainda &eacute; pequena. O Brasil, pa&iacute;s com um dos mais elevados &iacute;ndices de corrup&ccedil;&atilde;o, segundo o World Economic Forum, tem somente oito auditores por 100.000 habitantes, 12.800 auditores no total. Se quisermos os mesmos n&iacute;veis de lisura da Dinamarca e da Holanda precisaremos formar e treinar 160.000 auditores.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Simples. Uma das maiores universidades do Brasil possui hoje 62 professores de Economia, mas s&oacute; um de auditoria. Um &uacute;nico professor para formar os milhares de fiscais, auditores internos, auditores externos, conselheiros de tribunais de contas, fiscais do Banco Central, fiscais da CVM e analistas de controles internos que o Brasil precisa para combater a corrup&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">A principal fun&ccedil;&atilde;o do auditor inclusive nem &eacute; a de fiscalizar depois do fato consumado, mas a de criar controles internos para que a fraude e a corrup&ccedil;&atilde;o n&atilde;o possam sequer ser praticadas. Durante os anos de ditadura, quando a liberdade de imprensa e a auditoria n&atilde;o eram prioridade, as verbas da educa&ccedil;&atilde;o foram redirecionadas para outros cursos. Como consequ&ecirc;ncia, aqui temos doze economistas formados para cada auditor, enquanto nos Estados Unidos existem doze auditores para cada economista formado. Para eliminar a corrup&ccedil;&atilde;o teremos de redirecionar rapidamente as verbas de volta ao seu devido destino, para que sejamos uma na&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o precise depender de dedos duros ou genros que botam a boca no trombone, e sim de profissionais competentes com uma &eacute;tica profissional elaborada.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Pa&iacute;ses avan&ccedil;ados colocam seus auditores num pedestal de respeitabilidade e de reconhecimento p&uacute;blico que garante a sua honestidade. Na Inglaterra, institu&iacute;ram o Chartered Accountant. Nos Estados Unidos eles t&ecirc;m o Certified Public Accountant. Uma m&atilde;e inglesa e americana sonha com um filho m&eacute;dico, advogado ou contador p&uacute;blico. No Brasil, o contador p&uacute;blico foi substitu&iacute;do pelo engenheiro. <\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Bons sal&aacute;rios e valoriza&ccedil;&atilde;o social s&atilde;o os requisitos b&aacute;sicos para todo sistema funcionar, mas no Brasil estamos pagando e falando mal de nossos fiscais e auditores existentes e nem ao menos treinamos nossos futuros auditores. Nos &uacute;ltimos nove anos, os sal&aacute;rios de nossos auditores p&uacute;blicos e fiscais t&ecirc;m sido congelados e seus quadros, reduzidos &#8211; uma das raz&otilde;es do crescimento da corrup&ccedil;&atilde;o. Como o custo da auditoria &eacute; muito grande para ser pago pelo cidad&atilde;o individualmente, essa &eacute; uma das poucas fun&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias do estado moderno. Tanto a auditoria como a fiscaliza&ccedil;&atilde;o, que vai dos alimentos e seguran&ccedil;a de avi&otilde;es at&eacute; os direitos do consumidor e os direitos autorais.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">O capitalismo remunera quem trabalha e ganha, mas n&atilde;o consegue remunerar quem impede o outro de ganhar roubando. H&aacute; quem diga que n&atilde;o &eacute; papel do Estado produzir petr&oacute;leo, mas ningu&eacute;m discute que &eacute; sua fun&ccedil;&atilde;o fiscalizar e punir quem mistura &aacute;gua ao &aacute;lcool. N&atilde;o ser&atilde;o interven&ccedil;&otilde;es cir&uacute;rgicas (leia-se CPIs), nem rem&eacute;dios potentes (leia-se c&oacute;digos de &eacute;tica), que ir&atilde;o resolver o problema da corrup&ccedil;&atilde;o no Brasil. Precisamos da vigil&acirc;ncia de um poderoso sistema imunol&oacute;gico que combata a infec&ccedil;&atilde;o no nascedouro, como acontece nos pa&iacute;ses considerados honestos e auditados. Portanto, o Brasil n&atilde;o &eacute; um pa&iacute;s corrupto. &Eacute; apenas um pa&iacute;s pouco auditado.<\/span><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span class=\"style1\">Publicado na Revista Veja, edi&ccedil;&atilde;o 1600, ano 32, n&ordm; 22, de 2 de junho de 1999, p&aacute;gina 21 <\/span><\/span><\/span><span class=\"style1\"><span _fck_bookmark=\"1\" style=\"display: none;\">&nbsp;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size: 16px;\"><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span class=\"style1\">Ou&ccedil;a o videocast do autor sobre o mesmo tema &#8211; <a href=\"http:\/\/blog.kanitz.com.br\/2011\/10\/a-origem-da-corrup%C3%A7%C3%A3o.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AQUI<\/a><\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> \t<span style=\"font-size: 14px;\"><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span class=\"style1\"><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\">NOTA<\/span>: <\/span><\/span><\/strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span class=\"style1\">Um fator n&atilde;o considerado pelo autori &agrave; epoca em que o artigo foi escrito &eacute; a grave crise de credibilidade e &eacute;tica envolvendo as firmas de auditoria independente, logo ap&oacute;s o esc&acirc;ndalo da Enron nos EUA<\/span><\/span>. Atualmente a grande depend&ecirc;ncia do IASB de verbas para se manter oriundas principalmente das BIG 4, p&otilde;em em cheque a independ&ecirc;ncia deste &oacute;rg&atilde;o, respons&aacute;vel pela defini&ccedil;&atilde;o das normas cont&aacute;b&eacute;is o redor do mundo. Por&eacute;m, sem d&uacute;vida, vencido estes percal&ccedil;os, a auditoria faria muito bem o seu papel no comabte a corrup&ccedil;&atilde;o, com lisura, &eacute;tica e verdadeiramente independente.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A origem da Corrup&ccedil;&atilde;o por Stephen Kanitz &nbsp; O Brasil n&atilde;o &eacute; um pa&iacute;s intrinsecamente<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-1128","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-auditoria-contabil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1128\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}