{"id":10996,"date":"2023-10-11T15:00:56","date_gmt":"2023-10-11T15:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/?p=10996"},"modified":"2023-10-11T18:31:21","modified_gmt":"2023-10-11T18:31:21","slug":"melhores-e-maiores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2023\/10\/11\/melhores-e-maiores\/","title":{"rendered":"Melhores e Maiores"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Por Stephen Kanitz<\/p>\n<p>Em setembro foi lan\u00e7ada a 50\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Revista Exame, intitulada \u201cMelhores e Maiores\u201d, a qual analisa 23 setores da economia e as 500 maiores empresas do pa\u00eds. Este projeto foi criado por mim e oferecido \u00e0 Editora Abril em 1974, algo que me enche de orgulho.<\/p>\n<p>Hoje em dia, \u00e9 raro ver algo durar 50 anos.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, enfrentamos o desafio de inovar e eu supervisionei o projeto nos primeiros 23 anos, com coordena\u00e7\u00e3o da Leila Lorenzi, que tamb\u00e9m se dedicou a ele por 23 anos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Capa-50-anos-melhores-e-maiores-blog-do-kanitz.jpg\" \/><\/p>\n<div id=\"ez-toc-container\" class=\"ez-toc-v2_0_82_2 counter-hierarchy ez-toc-counter ez-toc-grey ez-toc-container-direction\">\n<div class=\"ez-toc-title-container\">\n<p class=\"ez-toc-title\" style=\"cursor:inherit\">\u00cdndice<\/p>\n<span class=\"ez-toc-title-toggle\"><a href=\"#\" class=\"ez-toc-pull-right ez-toc-btn ez-toc-btn-xs ez-toc-btn-default ez-toc-toggle\" aria-label=\"Alternar tabela de conte\u00fado\"><span class=\"ez-toc-js-icon-con\"><span class=\"\"><span class=\"eztoc-hide\" style=\"display:none;\">Toggle<\/span><span class=\"ez-toc-icon-toggle-span\"><svg style=\"fill: #999;color:#999\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" class=\"list-377408\" width=\"20px\" height=\"20px\" viewBox=\"0 0 24 24\" fill=\"none\"><path d=\"M6 6H4v2h2V6zm14 0H8v2h12V6zM4 11h2v2H4v-2zm16 0H8v2h12v-2zM4 16h2v2H4v-2zm16 0H8v2h12v-2z\" fill=\"currentColor\"><\/path><\/svg><svg style=\"fill: #999;color:#999\" class=\"arrow-unsorted-368013\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"10px\" height=\"10px\" viewBox=\"0 0 24 24\" version=\"1.2\" baseProfile=\"tiny\"><path d=\"M18.2 9.3l-6.2-6.3-6.2 6.3c-.2.2-.3.4-.3.7s.1.5.3.7c.2.2.4.3.7.3h11c.3 0 .5-.1.7-.3.2-.2.3-.5.3-.7s-.1-.5-.3-.7zM5.8 14.7l6.2 6.3 6.2-6.3c.2-.2.3-.5.3-.7s-.1-.5-.3-.7c-.2-.2-.4-.3-.7-.3h-11c-.3 0-.5.1-.7.3-.2.2-.3.5-.3.7s.1.5.3.7z\"\/><\/svg><\/span><\/span><\/span><\/a><\/span><\/div>\n<nav><ul class='ez-toc-list ez-toc-list-level-1 ' ><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-1\" href=\"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2023\/10\/11\/melhores-e-maiores\/#Inovacoes\" >Inova\u00e7\u00f5es<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-2\" href=\"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2023\/10\/11\/melhores-e-maiores\/#Introducao_de_Benchmarks_Economicos\" >Introdu\u00e7\u00e3o de Benchmarks Econ\u00f4micos<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-3\" href=\"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2023\/10\/11\/melhores-e-maiores\/#Avalie_Sua_Empresa\" >Avalie Sua Empresa<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-4\" href=\"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2023\/10\/11\/melhores-e-maiores\/#Uma_Revista_Com_Um_Ancora\" >Uma Revista Com Um \u00c2ncora<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-5\" href=\"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2023\/10\/11\/melhores-e-maiores\/#Um_Banco_de_Dados_de_50_Anos\" >Um Banco de Dados de 50 Anos<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-6\" href=\"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2023\/10\/11\/melhores-e-maiores\/#Poucos_Empregos_Acrescentaram\" >Poucos Empregos Acrescentaram<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-7\" href=\"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2023\/10\/11\/melhores-e-maiores\/#Empreender_Nao_Compensa_no_Brasil\" >Empreender N\u00e3o Compensa no Brasil<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-8\" href=\"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2023\/10\/11\/melhores-e-maiores\/#As_Reunioes_do_COPOM\" >As Reuni\u00f5es do COPOM<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-9\" href=\"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2023\/10\/11\/melhores-e-maiores\/#Benchmarks_em_Vez_de_Dados\" >Benchmarks em Vez de Dados<\/a><\/li><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-10\" href=\"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2023\/10\/11\/melhores-e-maiores\/#Essencia_de_Uma_Edicao_Jornalistica\" >Ess\u00eancia de Uma Edi\u00e7\u00e3o Jornal\u00edstica<\/a><\/li><\/ul><\/nav><\/div>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Inovacoes\"><\/span><strong>Inova\u00e7\u00f5es<\/strong><span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p>Essa edi\u00e7\u00e3o trouxe v\u00e1rias inova\u00e7\u00f5es na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Primeiramente, foi a primeira do mundo a escolher \u201cAs Melhores\u201d em vez de apenas listar \u201cAs Maiores\u201d.<\/p>\n<p>A pioneira Fortune 500, desde 1955, nunca desenvolveu essa tecnologia, e em 1990 criou \u2018As Empresas Mais Admiradas\u2019, onde um painel de not\u00e1veis as escolhe subjetivamente, o que \u00e9 discut\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cAs Melhores\u201d, at\u00e9 a minha sa\u00edda, eram escolhidas de forma objetiva, com crit\u00e9rios transparentes e publicados.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-29466\" src=\"https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/criterios-melhores-e-maiores.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" srcset=\"https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/criterios-melhores-e-maiores.jpg 768w, https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/criterios-melhores-e-maiores-300x268.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"685\" \/><\/figure>\n<p>Devido ao nosso ancoramento em crit\u00e9rios num\u00e9ricos imut\u00e1veis e comprovados, a \u201cMelhores e Maiores\u201d ganhou muita credibilidade e nunca fomos criticados pelos crit\u00e9rios utilizados.<\/p>\n<p>O que nunca revelei, mas farei agora, \u00e9 a metodologia empregada como base, que foi o modelo de prever fal\u00eancias, quando introduzi a ideia de Credit Scoring no Brasil.<\/p>\n<p>Isso ocorreu em um artigo na pr\u00f3pria Revista Exame de dezembro de 1974 e rapidamente se tornou uma tend\u00eancia. O m\u00e9todo ficou conhecido como o \u201cTerm\u00f4metro de Kanitz\u201d nos livros de Administra\u00e7\u00e3o Financeira e foi amplamente usado por in\u00fameros bancos.<\/p>\n<p>Nosso objetivo era prever quais empresas poderiam quebrar nos anos seguintes, chamadas de \u201cas piores\u201d. Eu buscava os demonstrativos financeiros de 1, 2 e 3 anos de empresas que pediam concordata para detectar sinais comprometedores. Com dezenas de casos, consegu\u00edamos prever fal\u00eancias com uma probabilidade de 0 a 100%.<\/p>\n<p>Por outro lado, t\u00ednhamos as empresas que dificilmente iriam quebrar, o que nos permitia escolher as melhores empresas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O grande temor de quem produz uma publica\u00e7\u00e3o dessas \u00e9 ter uma das Melhores escolhidas pedindo concordata no ano seguinte.<\/p>\n<p>Para garantir que nenhuma de nossas empresas tinha chances de quebrar no ano da edi\u00e7\u00e3o, pass\u00e1vamos para a segunda etapa, onde inclu\u00edamos crit\u00e9rios como Crescimento, Participa\u00e7\u00e3o de Mercado e Rentabilidade para selecionar as melhores.<\/p>\n<p>Houve uma \u00fanica exce\u00e7\u00e3o quando a empresa Riachuelo, que havia sido eleita, pediu concordata preventivamente devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de sua matriz, o Grupo Guararapes. No entanto, essa decis\u00e3o foi compreendida pelos leitores.<\/p>\n<p>Posteriormente, a l\u00f3gica por tr\u00e1s de Melhores e Maiores foi desmontada por sucessores que introduziram crit\u00e9rios subjetivos, como \u201cresponsabilidade social\u201d e crit\u00e9rios ESG, tornando a escolha menos precisa.<\/p>\n<p>O termo \u201cMaiores e Melhores\u201d j\u00e1 existia no Brasil, mas n\u00e3o correspondia mais \u00e0 realidade empresarial.<\/p>\n<p>O nome \u201cMelhores e Maiores\u201d foi escolhido porque refletia melhor a vis\u00e3o estrat\u00e9gica das empresas na \u00e9poca, que buscavam ser as \u201cMelhores\u201d em vez de apenas as \u201cMaiores\u201d.<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o se provou correta, como confirmado anos depois pelo livro \u201cIn Search of Excellence\u201d de Tom Peters.<\/p>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Introducao_de_Benchmarks_Economicos\"><\/span><strong>Introdu\u00e7\u00e3o de Benchmarks Econ\u00f4micos<\/strong><span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p>Naquela \u00e9poca, j\u00e1 existia o \u201cQuem \u00e9 Quem da Economia\u201d, que desde 1967 listava as 5.000 maiores empresas, elaboradas por um engenheiro da Polit\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m existia a \u201cConjuntura Econ\u00f4mica 500\u201d, elaborada por economistas da FGV. No entanto, essas edi\u00e7\u00f5es se limitavam a publicar receitas, lucro, patrim\u00f4nio e n\u00famero de empregados, sem calcular indicadores de efici\u00eancia.<\/p>\n<p>Com o advento da era do computador por volta de 1972, tornou-se poss\u00edvel calcular indicadores de efici\u00eancia, produ\u00e7\u00e3o, produtividade, lucratividade, endividamento, liquidez, solv\u00eancia e crescimento em vez de apenas dados brutos. Criamos assim os primeiros benchmarks de desempenho econ\u00f4mico do Brasil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos dados cont\u00e1beis, acrescentamos indicadores de desempenho e publicamos totais ou m\u00e9dias no final das tabelas, algo que o jornalismo mundial raramente faz, mas que certamente acrescenta valor \u00e0 publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o se tornou uma refer\u00eancia para estudantes e profissionais, e por muitos anos tivemos uma tiragem de 100.000 exemplares.<\/p>\n<p>Em resumo, os crit\u00e9rios, metodologia e conceitos que introduzimos tornaram-se refer\u00eancia no mercado editorial brasileiro e ajudaram a moldar a maneira como as empresas eram avaliadas e classificadas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Isso me enche de orgulho e me faz acreditar que a Revista Exame \u201cMelhores e Maiores\u201d deixou um legado duradouro na an\u00e1lise das empresas brasileiras.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-29465\" src=\"https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/revista-melhores-e-maiores-1024x627.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/revista-melhores-e-maiores-1024x627.jpg 1024w, https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/revista-melhores-e-maiores-300x184.jpg 300w, https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/revista-melhores-e-maiores-768x470.jpg 768w, https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/revista-melhores-e-maiores.jpg 1299w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"627\" \/><\/figure>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Avalie_Sua_Empresa\"><\/span><strong>Avalie Sua Empresa<\/strong><span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p>Finalmente no Brasil, as empresas e n\u00e3o somente as 500, poderiam se avaliar e se compararem umas \u00e0s outras em termos de margem, retorno, endividamento, seguran\u00e7a financeira, produtividade, crescimento etc.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-29467\" src=\"https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/avalie-o-seu-desempenho-melhores-e-maiores.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" srcset=\"https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/avalie-o-seu-desempenho-melhores-e-maiores.jpg 768w, https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/avalie-o-seu-desempenho-melhores-e-maiores-300x182.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"465\" \/><\/figure>\n<p>Uma empresa do setor de comunica\u00e7\u00e3o que tivesse 30% de retorno, estaria na frente de 80% de seus pares em 1973, mas de somente 60% em 1974.<\/p>\n<p>Vemos que 11% das empresas tiveram preju\u00edzo em 1973, e quase 18% em 1974.<\/p>\n<p>Contando os quadradinhos, vemos que as empresas que tiveram preju\u00edzo anulam os lucros das empresas que tiveram 5% e 10% de retorno.<\/p>\n<p>Esse fato n\u00e3o \u00e9 ainda compreendido por economistas, que sequer quantificam essa perda de efici\u00eancia e poder de crescimento.<\/p>\n<p>Que as melhores em 1973 melhoraram em m\u00e9dia em 1974.<\/p>\n<p>Agora imaginem esse gr\u00e1fico de benchmark replicado para 20 indicadores e 32 setores, seriam 640 tabelas, que na \u00e9poca era imposs\u00edvel publicar.<\/p>\n<p>Em 1974, nosso problema \u00e9 que havia 1.000 vezes mais informa\u00e7\u00f5es do que era poss\u00edvel publicar em papel impresso.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 poss\u00edvel publicar gra\u00e7as \u00e0 internet.<\/p>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Uma_Revista_Com_Um_Ancora\"><\/span><strong>Uma Revista Com Um \u00c2ncora<\/strong><span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p>Uma das inova\u00e7\u00f5es de Melhores e Maiores \u00e9 que a edi\u00e7\u00e3o tinha um \u00e2ncora, como nos programas de jornalismo na televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Meu contrato com Roberto Civita era de direitos autorais, o que significava que recebia parte da venda da edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso gerava um incentivo de acrescentar sempre mais, por isso foi a edi\u00e7\u00e3o que mais inovou, mais cresceu, que ficou a mais conhecida, e que sustentou a pr\u00f3pria Exame que s\u00f3 dava preju\u00edzo.<\/p>\n<p>Fiz palestras pelo Brasil inteiro como coordenador de Melhores e Maiores, dei centenas de entrevistas a jornais e TVs comentando esses benchmarks que eu tinha e mais ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Todos sabiam que por tr\u00e1s de \u201cMelhores e Maiores\u201d havia algu\u00e9m, personificando uma edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Um_Banco_de_Dados_de_50_Anos\"><\/span><strong>Um Banco de Dados de 50 Anos<\/strong><span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p>Por meio do projeto, compilei um banco de dados de 50 anos com informa\u00e7\u00f5es valiosas sobre cerca de 1.000 empresas.<\/p>\n<p>Mantenho esse banco de dados at\u00e9 hoje e o considero uma das melhores fontes para an\u00e1lises macroecon\u00f4micas do pa\u00eds, que por sinal est\u00e1 \u00e0 venda.<\/p>\n<p>Muito poucas das 500 empresas sobreviveram na lista, apenas 83, muitas se tornaram insignificantes.<\/p>\n<p>E a grande maioria das 83 eram multinacionais que possu\u00edam suporte de suas matrizes ao longo de sete desastrados planos econ\u00f4micos de combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como atualizo esse banco todo ano, e o considero a melhor fonte de an\u00e1lises macroecon\u00f4micas desse pa\u00eds.<\/p>\n<p>Vide as s\u00e9ries hist\u00f3ricas que tornei p\u00fablicas em\u00a0<a href=\"https:\/\/blog.kanitz.com.br\/artigos\/benchmarks\/\">https:\/\/blog.kanitz.com.br\/artigos\/benchmarks\/<\/a><\/p>\n<p>Enquanto os economistas tradicionalmente usavam juros, d\u00e9ficit, c\u00e2mbio e infla\u00e7\u00e3o para analisar a economia brasileira, eu me concentrei em investimentos, capital de giro, rentabilidade operacional e estrutural, endividamento, liquidez e outros indicadores, bem como no term\u00f4metro de insolv\u00eancia que desenvolvi.<\/p>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Poucos_Empregos_Acrescentaram\"><\/span><strong>Poucos Empregos Acrescentaram<\/strong><span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p>Esse gr\u00e1fico de 50 anos \u00e9 um exemplo da necessidade de se manter um banco de dados como esses.<\/p>\n<p>\u00c9 assustador e explica o que ocorreu no Brasil. Em 50 anos somente acrescentamos 1 milh\u00e3o de empregos com elevada produtividade.<\/p>\n<p>Um \u00fanico emprego nessa categoria custa de 1 milh\u00e3o a 1,8 milh\u00f5es por trabalhador.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-29476\" src=\"https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-1.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1030px) 100vw, 1030px\" srcset=\"https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-1.jpeg 1030w, https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-1-300x128.jpeg 300w, https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-1-1024x435.jpeg 1024w, https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-1-768x327.jpeg 768w\" alt=\"\" width=\"1030\" height=\"438\" \/><\/figure>\n<p>Essa \u00e9 a consequ\u00eancia de 50 anos de \u00eanfase constante em pol\u00edticas de governo em prol da \u201cpequena e m\u00e9dia empresa\u201d.<\/p>\n<p>Bastava consultar as 500 maiores empresas do mundo para saber que nossas 500 maiores s\u00e3o tamb\u00e9m m\u00e9dias e pequenas no contexto mundial.<\/p>\n<p>Por isso n\u00e3o temos multinacionais brasileiras, somente exportamos commodities, n\u00e3o temos centros de pesquisa, s\u00f3 copiamos, n\u00e3o temos bons administradores.<\/p>\n<p>Resultado da pol\u00edtica econ\u00f4mica de \u201csubstitui\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es\u201d, que prevaleceu por esses 50 anos, produzimos para os 10% mais ricos, aqueles que importam\u201d, e n\u00e3o para os 6 bilh\u00f5es de habitantes do mundo que poderiam comprar nossos produtos.<\/p>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Empreender_Nao_Compensa_no_Brasil\"><\/span><strong>Empreender N\u00e3o Compensa no Brasil<\/strong><span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-29475\" src=\"https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1030px) 100vw, 1030px\" srcset=\"https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image.jpeg 1030w, https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-300x128.jpeg 300w, https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-1024x435.jpeg 1024w, https:\/\/blog.kanitz.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-768x327.jpeg 768w\" alt=\"\" width=\"1030\" height=\"438\" \/><\/figure>\n<p>Uma das omiss\u00f5es mais assustadoras na economia, \u00e9 que esse gr\u00e1fico n\u00e3o \u00e9 utilizado, nunca foi, em nenhuma reuni\u00e3o do COPOM (Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do Banco Central.<\/p>\n<p>Sempre a solu\u00e7\u00e3o do BC foi reduzir a atividade aumentando os juros, e n\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Minist\u00e9rio da Economia n\u00e3o \u00e9 conhecido que o retorno efetivo das 500 maiores empresas brasileiras n\u00e3o chega ao n\u00edvel de seus custos de oportunidade.<\/p>\n<p>Durante o governo militar, empreender era seguro e rent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Com a infla\u00e7\u00e3o do governo Itamar, e os juros extorsivos mantidos para \u201csalvarem\u201d o Plano Real, as empresas teriam tido melhor retorno comprando t\u00edtulos do governo, que rendiam juros estratosf\u00e9ricos.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o tinha como artigo de fundo uma an\u00e1lise do desempenho das 500 maiores empresas, um belo pano de fundo para o desempenho da economia como um todo.<\/p>\n<p>Essas an\u00e1lises \u201cmicroecon\u00f4micas\u201d traziam uma outra perspectiva do futuro desse pa\u00eds, bem diversa daquela dos famosos economistas da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Muitas, ou talvez todas, das minhas previs\u00f5es certeiras, vinham desse poderoso banco de dados.<\/p>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"As_Reunioes_do_COPOM\"><\/span><strong>As Reuni\u00f5es do COPOM<\/strong><span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p>Como as 500 maiores empresas do Brasil est\u00e3o se desempenhando at\u00e9 hoje nem \u00e9 discutido nem avaliado nas reuni\u00f5es do COPOM.<\/p>\n<p>Um absurdo e uma falta de rigor cient\u00edfico injustific\u00e1vel. S\u00e3o as que mais modificam seus comportamentos com m\u00ednimas altera\u00e7\u00f5es da taxa de juros, impercept\u00edveis para o p\u00fablico consumidor.<\/p>\n<p>Basta ler um relat\u00f3rio do COPOM.<\/p>\n<p>Nenhuma refer\u00eancia sobre o custo de capital dessas empresas, sobre o endividamento, sobre a falta de capital de giro pr\u00f3prio, sobre o prazo de recebimento e financiamento, nada disso \u00e9 levado em conta antes de decidirem a taxa de juros da economia.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o de todos nossos economistas do Banco Central foi sempre \u201co efeito na infla\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Nesses 50 anos nunca recebemos uma liga\u00e7\u00e3o de nenhum Presidente do Banco Central, buscando uma an\u00e1lise sobre o efeito de alguma medida em discuss\u00e3o nas 500 maiores.<\/p>\n<p>Muito menos de um Ministro da Economia. O impacto de uma medida econ\u00f4mica nos 20% mais importantes do pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9 considerado necess\u00e1rio, at\u00e9 hoje.<\/p>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Benchmarks_em_Vez_de_Dados\"><\/span><strong>Benchmarks em Vez de Dados<\/strong><span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p>\u00c9 interessante contar como o projeto \u201cMelhores e Maiores\u201d surgiu e as decis\u00f5es estrat\u00e9gicas que tomamos em 1974 e que determinaram seu sucesso.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou quando uma jornalista do \u201cQuem \u00e9 Quem na Economia\u201d descobriu o que estavam fazendo com os dados deles e me apresentou ao editor Said Farhat. Na \u00e9poca, levei comigo pastas e pastas de benchmarks j\u00e1 calculados.<\/p>\n<p>No entanto, Farhat n\u00e3o se interessou pela ideia, o que deixou a jornalista indignada. Ela ent\u00e3o me apresentou ao jornalista Paulo Henrique Amorim, que na \u00e9poca era o editor da \u201cExame\u201d junto com Rui Falc\u00e3o, hoje deputado federal do PT.<\/p>\n<p>Paulo Henrique Amorim, que mais tarde fez sucesso na Globo, conseguiu uma reuni\u00e3o para mim com Roberto Civita, o editor da Editora Abril, que era a propriet\u00e1ria da \u201cExame\u201d.<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o com Roberto Civita, ao inv\u00e9s de pastas de benchmarks setoriais, apresentei um benchmark pr\u00f3prio da Editora Abril. Um dos benchmarks mostrava que a Editora Abril era muito pouco endividada em compara\u00e7\u00e3o com suas concorrentes, j\u00e1 que apenas 30% delas se alavancavam mais.<\/p>\n<p>Essa apresenta\u00e7\u00e3o impressionou Roberto Civita, pois mostramos informa\u00e7\u00f5es valiosas que a pr\u00f3pria Abril n\u00e3o possu\u00eda. Foi essa possibilidade de divulgar centenas de benchmarks valiosos que as empresas n\u00e3o tinham que convenceu Roberto Civita a apoiar o projeto.<\/p>\n<p>No entanto, seu irm\u00e3o Richard, que era o diretor financeiro da empresa na \u00e9poca, era contra o projeto. Ele argumentava que todos os demonstrativos financeiros no Brasil n\u00e3o eram fidedignos devido aos padr\u00f5es cont\u00e1beis impostos pelo governo e pela infla\u00e7\u00e3o. No entanto, como nosso foco era criar rankings, parte do problema levantado por ele foi resolvido.<\/p>\n<p>Roberto Civita ficou t\u00e3o impressionado com os benchmarks que mostramos que se levantou, mostrou os gr\u00e1ficos ao seu irm\u00e3o e o acusou de ser cauteloso demais nas finan\u00e7as, como eu havia provado naquele momento.<\/p>\n<p>Assim, conquistei Roberto Civita, mas tamb\u00e9m arrumei um inimigo no processo.<\/p>\n<p>Dessa forma, nasceu o projeto \u201cMelhores e Maiores\u201d, que se tornou extremamente bem-sucedido e uma das edi\u00e7\u00f5es mais longevas e rent\u00e1veis da Editora Abril.<\/p>\n<p>Enquanto a Editora Abril enfrentou dificuldades financeiras, \u201cMelhores e Maiores\u201d permaneceu forte.<\/p>\n<p>Muitas das empresas que faziam parte da lista em 1974 j\u00e1 n\u00e3o existem mais, e estimo que cerca de 70% delas n\u00e3o figurar\u00e3o na lista de 2023 da \u201cExame\u201d, mas isso precisa ser confirmado.<\/p>\n<p>Foi uma \u00e9poca de grande inova\u00e7\u00e3o, e \u201cMelhores e Maiores\u201d foi pioneiro ao criar uma metodologia cient\u00edfica para escolher as melhores empresas do Brasil.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de sele\u00e7\u00f5es baseadas em opini\u00f5es subjetivas de jornalistas, empres\u00e1rios ou membros de associa\u00e7\u00f5es, n\u00f3s desenvolvemos um m\u00e9todo objetivo para identificar as melhores empresas.<\/p>\n<p>Mod\u00e9stia \u00e0 parte, a raz\u00e3o desse sucesso foi que o projeto foi extremamente inovador na \u00e9poca, inclusive internacionalmente, com tantos detalhes novos que foi praticamente imposs\u00edvel concorrer.<\/p>\n<p>Fomos os primeiros a criar uma metodologia cient\u00edfica para escolher as Melhores empresas do Brasil.<\/p>\n<p>Sele\u00e7\u00f5es das \u201cmelhores\u201d s\u00e3o muitas vezes feitas consultando jornalistas, empres\u00e1rios, todos os membros de uma associa\u00e7\u00e3o, algo totalmente subjetivo.<\/p>\n<p>Consultados um m\u00eas depois, os resultados seriam totalmente diferentes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do fato que ningu\u00e9m conhece os detalhes de 500 empresas para escolher corretamente.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o \u201cBalan\u00e7o Anual\u201d, uma concorrente posterior, fazia uma pesquisa de opini\u00e3o entre seus leitores para determinar os L\u00edderes Empresariais do Ano, ignorando o desempenho das empresas listadas. Um erro fatal.<\/p>\n<p>Somente presidentes de empresas poderiam votar, e por quase 10 anos Ant\u00f4nio Erm\u00edrio de Moraes era o L\u00edder eleito porque possu\u00eda 48 subsidi\u00e1rias. Depois de 10 anos mudaram o crit\u00e9rio para exclu\u00ed-lo.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje a Fortune 500, nascida em 1955, n\u00e3o teve a coragem de nos copiar, e quando fomos visit\u00e1-los confessaram temer processos judiciais caso errassem.<\/p>\n<p>Por isso eles criaram um ranking \u00e0 parte chamado \u201cAs 500 Mais Admiradas\u201d, cometendo o mesmo erro de question\u00e1rios subjetivos por pessoas mal informadas do todo o universo.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca havia uma edi\u00e7\u00e3o parecida, o \u201cQuem \u00c9 Quem Na Economia\u201d, que ranqueava as empresas por Patrim\u00f4nio, a riqueza acumulada ao longo da exist\u00eancia da empresa, mas que n\u00e3o retratava as atividades da empresa no ano anterior.<\/p>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Essencia_de_Uma_Edicao_Jornalistica\"><\/span><strong>Ess\u00eancia de Uma Edi\u00e7\u00e3o Jornal\u00edstica<\/strong><span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p>A FGV 500 elaborada por economistas, fez pior, classificava as Maiores por uma m\u00e9dia de Patrim\u00f4nio, Ativos, Receitas e Lucro.<\/p>\n<p>Esse crit\u00e9rio eliminava da lista todas as nossas maiores empresas que apresentavam preju\u00edzo. E preju\u00edzo n\u00e3o \u00e9 um indicador de tamanho, e sim de efici\u00eancia.<\/p>\n<p>Por isso nenhuma dessas edi\u00e7\u00f5es vingaram por 50 anos. Quebraram.<\/p>\n<p>\u201cMelhores e Maiores\u201d inovou classificando as empresas por Receitas do Ano Anterior, algo mais din\u00e2mico e correto.<\/p>\n<p>O pulo do gato foi que na \u00e9poca, 1974, somente 70% publicavam Receitas, considerada segredo concorrencial, e s\u00f3 publicavam o Lucro Bruto.<\/p>\n<p>Com base na rela\u00e7\u00e3o Receita\/Lucro Bruto conseguimos estimar as Receitas dos faltosos e publicar as 500 maiores, muitas como estimativas.<\/p>\n<p>Logo entramos em acordo com os 30% faltosos, eles davam o valor correto, mas n\u00f3s continuar\u00edamos a dizer que era nossa estimativa.<\/p>\n<p>Outra inova\u00e7\u00e3o de \u201cMelhores e Maiores\u201d foi a introdu\u00e7\u00e3o de Benchmarking, permitindo as empresas se compararem com as demais.<\/p>\n<p>Quando fizemos a parceria com a Editora Abril, eles financiariam os pesquisadores de benchmarks que nos interessavam, eles supriram o computador, em troca deles terem a lista das 500 maiores para publicar.<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 havia elaborado dezenas de benchmarks, setor por setor, transcrevendo os dados do \u201cQuem \u00c9 Quem na Economia\u201d, que somente apresentavam os dados dos demonstrativos sem calcular nenhum indicador de desempenho.<\/p>\n<p>Para a primeira reuni\u00e3o de apresenta\u00e7\u00e3o do projeto fiz o Benchmarking da Editora Abril, e uns dos itens mostrava que a Editora Abril era muito pouco endividada, 30% das suas concorrentes se alavancavam mais.<\/p>\n<p>Roberto Civita, editor na \u00e9poca, ficou muito impressionado como n\u00f3s de fora, produzimos informa\u00e7\u00f5es valiosas para a Abril que eles n\u00e3o possu\u00edam.<\/p>\n<p>Foi essa possibilidade de divulgar centenas de benchmarks valiosas que as empresas n\u00e3o possu\u00edam, \u00e9 que fez a cabe\u00e7a do Roberto.<\/p>\n<p>Para toda empresa premiada, eu fazia um resumo de suas pr\u00e1ticas administrativas das melhores, algo in\u00e9dito na \u00e9poca. Como disse no in\u00edcio, a \u00eanfase era analisar as maiores, o conceito de melhores n\u00e3o era comum na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Escrevia um box \u201cO Segredo do Sucesso\u201d, para as 25 empresas escolhidas todo ano.<\/p>\n<p>Devo ter feito 200 an\u00e1lises das melhores empresas no Brasil at\u00e9 1982.<\/p>\n<p>Em 1982, oito anos depois, \u00e9 publicado algo semelhante, quando o \u201cIn Search of Excellence\u201d de Tom Peters and Robert H. Waterman Jr. em 1982.<\/p>\n<p>Com um m\u00e9todo um tanto question\u00e1vel eles escolheram as \u201cmelhores empresas\u201d da \u00e9poca e resumiram suas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O livro foi um enorme sucesso, vendeu 3 milh\u00f5es de c\u00f3pias, e Tom Peters virou guru mundial.<\/p>\n<p>Pelo jeito eu era a pessoa certa, no momento certo, com a ideia certa, mas no pa\u00eds errado.<\/p>\n<p>N\u00e3o virei guru internacional nem nacional, mas fui um palestrante requisitado.<\/p>\n<p>Outra inova\u00e7\u00e3o foi criar um \u00e2ncora para a edi\u00e7\u00e3o \u201cMelhores e Maiores\u201d.<\/p>\n<p>\u00c2ncoras normalmente existem somente na televis\u00e3o, mas gra\u00e7as \u00e0s palestras fiquei conhecido como a pessoa por tr\u00e1s de \u201cMelhores e Maiores\u201d.<\/p>\n<p>Isso deu vida \u00e0 edi\u00e7\u00e3o, todos sabiam com quem falar, e me tornei seu porta-voz, e sendo um administrador e formado em Harvard, dava muita credibilidade para a edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os concorrentes na \u00e9poca eram engenheiros ou economistas, e at\u00e9 hoje muitos n\u00e3o sabem quem est\u00e1 por tr\u00e1s da \u201cValor 1000\u201d, nossa concorrente, ou a pr\u00f3pria \u201cMelhores e Maiores\u201d de hoje.<\/p>\n<p>Me chama a aten\u00e7\u00e3o qu\u00e3o pouco editores de revistas e dos nossos jornais mais conceituados n\u00e3o s\u00e3o chamados para dar palestras, especialistas que s\u00e3o.<\/p>\n<p>Somente jornalistas de televis\u00e3o s\u00e3o chamados n\u00e3o pelo seu conte\u00fado, mas pela sua exposi\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica.<\/p>\n<p>Conte\u00fado \u00e9 o que editores de jornais e revistas deveriam possuir e o p\u00fablico \u00e1vido para ouvi-los.<\/p>\n<p>No Brasil, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu havia trabalhado numa empresa de auditoria em Nova York, onde conheci o incr\u00edvel trabalho da American Management Association, algo jamais criado no Brasil, e o American Enterprise Institute, um think tank voltado a administra\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, algo que tamb\u00e9m ainda n\u00e3o criamos no Brasil.<\/p>\n<p>Achei que \u201cMelhores e Maiores\u201d supriria think tanks com um material inexistente at\u00e9 ent\u00e3o. Um diagn\u00f3stico macroecon\u00f4mico, das empresas que controlam 30% do PIB diretamente, e mais 10% indiretamente.<\/p>\n<p>S\u00f3 a Petrobras era 10% na \u00e9poca, as tr\u00eas montadoras mais 10%.<\/p>\n<p>Nenhum diagn\u00f3stico macroecon\u00f4mico feito por economistas ou o pr\u00f3prio governo analisa o desempenho passado e futuro daqueles que realmente movimentam a economia.<\/p>\n<p>Todos se restringem a analisar juros, c\u00e2mbio, crescimento do PIB, exporta\u00e7\u00f5es e assim por diante.<\/p>\n<p>\u201cMelhores e Maiores\u201d come\u00e7ava com um longo resumo e diagn\u00f3stico meu sobre a macroeconomia das empresas, que era esperado por alguns poucos economistas e analistas.<\/p>\n<p>Por exemplo, j\u00e1 na primeira edi\u00e7\u00e3o de 1974, constatei um enorme problema que era a cr\u00f4nica falta de capital de giro das 500 maiores, imaginem as pequenas.<\/p>\n<p>\u201cEmpresas Sem Capital de Giro\u201d, foi uma estat\u00edstica publicada todo ano, at\u00e9 recentemente.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o BNDES emprestava somente 80% das necessidades de investimento das empresas, exigindo 20% pelo menos dos empres\u00e1rios colocarem \u201co skin in the game\u201d. Atitude sensata.<\/p>\n<p>S\u00f3 que a maioria das empresas na \u00e9poca eram familiares, sem condi\u00e7\u00f5es de aportarem 20%. Por isso usavam seu Capital de Giro que se tornava negativo.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca 30% das empresas possu\u00edam capital de giro negativo, o que significava que a maioria dos empr\u00e9stimos do BNDES fracassavam.<\/p>\n<p>As empresas constru\u00edam suas f\u00e1bricas, mas n\u00e3o tinham o capital de giro necess\u00e1rio para \u201cgirar\u201d as novas m\u00e1quinas.<\/p>\n<p>Economistas acham que bens de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o a \u00fanica necessidade para o crescimento, esquecendo que as empresas precisam uns outros tantos, quase 100%, de capital de giro, para financiar mat\u00e9rias primas, embalagens, o per\u00edodo de produ\u00e7\u00e3o, o transporte para os lojistas, e o financiamento do prazo de vendas.<\/p>\n<p>Apesar de alertar esse problema h\u00e1 mais de 50 anos, sua solu\u00e7\u00e3o que seria estender o pagamento de impostos para 180 dias, como antigamente, jamais foi cogitado. Pior, nossos economistas fizeram o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Depois de 23 anos coordenando a edi\u00e7\u00e3o, percebi que ela ocupava somente 20% do meu tempo, mas era 80% das minhas chatea\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando foi que Roberto Civita indicou seu amigo o jornalista Roberto Guzzo para ser editor da Revista Exame.<\/p>\n<p>E como parte do pacote de remunera\u00e7\u00e3o lhe deu 3% do lucro auferido.<\/p>\n<p>Nossa primeira reuni\u00e3o foi um desastre.<\/p>\n<p>Levei comigo 12 estudos de benchmarks na \u00e1rea de produtividade, endividamento, despesas administrativas, despesas comerciais, enfim, para criar novas edi\u00e7\u00f5es calcadas em benchmarks adicionais, dos quais eu j\u00e1 tinha um hist\u00f3rico de 25 anos, para mostrar.<\/p>\n<p>A ideia era fazer a Exame crescer e lucrar ainda mais.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, seu interesse foi discutir comigo redu\u00e7\u00e3o de custos em 50%. \u00d3bvio, afinal foi esse o incentivo que Roberto Civita lhe ofereceu.<\/p>\n<p>Percebi que com essa atitude a Exame iria economizar e definhar, como de fato aconteceu.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o passou a ser coordenada por economistas, que mudaram os crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sabendo a l\u00f3gica por tr\u00e1s, sumiu \u201cO Segredo do Sucesso\u201d, o \u201cDiagn\u00f3stico Macroecon\u00f4mico\u201d, os Benchmarks, as palestras e o \u00e2ncora da edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m mais comenta sobre \u201cMelhores e Maiores\u201d comigo, que mesmo afastado muitos me achavam ainda o \u00e2ncora.<\/p>\n<p>Como tudo no Brasil, boas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o lentamente capturadas e passam a definhar.<\/p>\n<p>Um dos economistas era marxista, e mudou um de nossos crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o para \u201cMais Valia Expropriada do Trabalhador\u201d, n\u00e3o exatamente com essa denomina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas permitia claramente ao trabalhador dessas empresas saber que o valor adicionado por trabalhador era cinco vezes o sal\u00e1rio que recebiam.<\/p>\n<p>Uma das constata\u00e7\u00f5es que \u201cMelhores e Maiores\u201d perder\u00e1 prest\u00edgio \u00e9 que nenhum empres\u00e1rio ficou sabendo desse absurdo, e contestou.<\/p>\n<p>Numa das \u00faltimas premia\u00e7\u00f5es de \u201cMelhores e Maiores\u201d, eu vi uma cena que me comoveu.<\/p>\n<p>Um dos homens mais ricos, Ant\u00f4nio Erm\u00edrio de Moraes feliz da vida esfregando seu trof\u00e9u com o seu len\u00e7o.<\/p>\n<p>E ao lado dele estava uma freira de uma associa\u00e7\u00e3o beneficente que a Votorantim sustentava.<\/p>\n<p>Foi a\u00ed que percebi que est\u00e1vamos premiando as pessoas erradas.<\/p>\n<p>Eles j\u00e1 haviam recebidos os seus pr\u00eamios, que eram os lucros que auferiram no ano. N\u00f3s est\u00e1vamos premiando empresas j\u00e1 premiadas.<\/p>\n<p>Quem precisaria de reconhecimento social deveriam ser justamente as associa\u00e7\u00f5es beneficentes, que s\u00e3o sem fim lucrativos e, portanto, nunca \u201cpremiadas\u201d.<\/p>\n<p>Foi assim que surgiu o Pr\u00eamio Bem Eficiente, que identificava as institui\u00e7\u00f5es beneficentes mais eficientes.<\/p>\n<p>Largamos \u201cMelhores e Maiores\u201d e criamos o site Filantropia.org e o Pr\u00eamio Bem Eficiente, para entidades beneficentes, um excelente jogo de palavras.<\/p>\n<p>Premi\u00e1vamos as 50 melhores, que pelo selo de qualidade conferido por n\u00f3s, recebiam nos tr\u00eas anos seguintes 1 milh\u00e3o de donativos adicionais, 500 milh\u00f5es ao total de 10 anos.<\/p>\n<p>Foi o projeto social com o maior retorno de investimento do meu conhecimento.<\/p>\n<p>Nosso custo era em torno de R$ 250.000,00 por ano, mas as 50 institui\u00e7\u00f5es e ONGs premiadas recebiam R$ 50.000.000,00 de donativos adicionais.<\/p>\n<p>Esse projeto ocupava tamb\u00e9m 20% do meu tempo, mas representava 80% das minhas alegrias.<\/p>\n<p>Conheci os abnegados que realmente se preocupam com os pobres, os desamparados, os que temporariamente tombaram, gente de fibra.<\/p>\n<p>Acho que foi o projeto que mais curti na minha vida.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Publicado originalmente em 09\/10\/2023 : <a href=\"https:\/\/blog.kanitz.com.br\/melhores-e-maiores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/blog.kanitz.com.br\/melhores-e-maiores\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Stephen Kanitz Em setembro foi lan\u00e7ada a 50\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Revista Exame, intitulada \u201cMelhores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10646,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14,142],"tags":[],"class_list":["post-10996","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise-de-balanco","category-mercado-de-capitais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10996","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10996"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10996\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10998,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10996\/revisions\/10998"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10646"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10996"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10996"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10996"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}