{"id":1080,"date":"2011-08-19T12:42:54","date_gmt":"2011-08-19T12:42:54","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/08\/19\/o-direito-nas-demonstracoes-financeiras\/"},"modified":"2011-08-19T12:42:54","modified_gmt":"2011-08-19T12:42:54","slug":"o-direito-nas-demonstracoes-financeiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/08\/19\/o-direito-nas-demonstracoes-financeiras\/","title":{"rendered":"O direito nas demonstra\u00e7\u00f5es financeiras"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">por Edison C. Fernandes<br \/> \t<a href=\"http:\/\/clippingmp.planejamento.gov.br\/cadastros\/noticias\/2011\/5\/5\/o-direito-nas-demonstracoes-financeiras\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Valor Econ&ocirc;mico<\/a><\/span><\/span><br \/> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">As altera&ccedil;&otilde;es promovidas no cap&iacute;tulo das demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras da Lei das Sociedades por A&ccedil;&otilde;es, com a edi&ccedil;&atilde;o da Lei n&ordm; 11.638, de 2007, e da Lei n&ordm; 11.941, de 2009, fortaleceu a aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es pertinentes &agrave; contabilidade. Dentre essas quest&otilde;es, houve o resgate da rela&ccedil;&atilde;o entre contabilidade e direito, solidificando o ambiente para o desenvolvimento do direito cont&aacute;bil no Brasil. Dada &agrave; (ainda) novidade do assunto, muitas dessas quest&otilde;es continuam sem uma solu&ccedil;&atilde;o definitiva.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Desde logo, pode-se citar a obrigatoriedade de observ&acirc;ncia das novas normas cont&aacute;beis, fundadas no padr&atilde;o internacional de demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras (International Financial Reporting Standards &#8211; IFRS), especialmente no sentido de se as sociedades limitadas devem respeitar os Pronunciamentos T&eacute;cnicos do Comit&ecirc; de Pronunciamentos Cont&aacute;beis &#8211; CPC. Essa defini&ccedil;&atilde;o &eacute; importante, dentre outras coisas, para garantir a avalia&ccedil;&atilde;o de uma empresa (valuation) em eventual conflito de s&oacute;cios, direito de retirada e apura&ccedil;&atilde;o de haveres. Deve-se ter em mente que as demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras s&atilde;o, hoje, um valioso instrumento nas rela&ccedil;&otilde;es disciplinadas pelo direito societ&aacute;rio.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Acontece que a utilidade da contabilidade n&atilde;o se limita aos neg&oacute;cios realizados entre os s&oacute;cios &#8211; talvez, atualmente, o mais destacado bem jur&iacute;dico protegido pelo direito cont&aacute;bil (e, de certa forma, tampouco se limita &agrave; apura&ccedil;&atilde;o de tributos). O padr&atilde;o internacional das demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras (IFRS) baseia-se em dois princ&iacute;pios que t&ecirc;m estreita rela&ccedil;&atilde;o com o direito: o julgamento e a preval&ecirc;ncia da subst&acirc;ncia sobre a forma.<\/span><\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<strong><span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">A legisla&ccedil;&atilde;o cont&aacute;bil n&atilde;o est&aacute; preparada para atender os diversos p&uacute;blicos<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">No primeiro caso, a pr&aacute;tica e a forma de tomada de decis&atilde;o do direito (julgamento) s&atilde;o adotadas para a tomada de decis&otilde;es sobre os registros cont&aacute;beis (reconhecimento, mensura&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o); no segundo, as demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras buscam apresentar os eventos e as opera&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas efetivamente ocorridas no mundo concreto, independentemente da rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica formalizada, se adequada (subst&acirc;ncia econ&ocirc;mica retratada na forma jur&iacute;dica) ou n&atilde;o.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Em decorr&ecirc;ncia da ado&ccedil;&atilde;o desses princ&iacute;pios, o bem jur&iacute;dico protegido pelo direito cont&aacute;bil se amplia, extrapolando as rela&ccedil;&otilde;es societ&aacute;rias, sendo instrumento de defesa e de prova, praticamente, de todas as rela&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas da empresa, qualquer que seja a outra parte &#8211; stakeholder ou usu&aacute;rio da contabilidade. Nesse sentido, podem ser citados os seguintes casos: (i) garantia contratual: para o registro de bens no ativo imobilizado (fixo) n&atilde;o &eacute; mais necess&aacute;rio que exista o direito de propriedade (veja-se a situa&ccedil;&atilde;o do leasing); (ii) registro de d&iacute;vida: a aus&ecirc;ncia do reconhecimento cont&aacute;bil de uma d&iacute;vida, ainda que sub judice, pode propiciar maior distribui&ccedil;&atilde;o de dividendos aos s&oacute;cios, prejudicando o direito do credor, uma vez que a empresa desfaz-se, com essa distribui&ccedil;&atilde;o, de recursos financeiros que poderiam assegurar o pagamento da mencionada d&iacute;vida; (iii) cumprimento de covenants: contratos de empr&eacute;stimo, normalmente, cont&ecirc;m cl&aacute;usulas de desempenho ou de cumprimento de &iacute;ndices financeiros, cuja defini&ccedil;&atilde;o &eacute; influenciada de maneira decisiva pelos crit&eacute;rios cont&aacute;beis adotados pela administra&ccedil;&atilde;o da empresa; (iv) concorr&ecirc;ncias p&uacute;blicas: o julgamento torna a contabilidade subjetiva (o que, em princ&iacute;pio, n&atilde;o &eacute; prejudicial, muito ao contr&aacute;rio), dificultando a comparabilidade entre os participantes de um processo licitat&oacute;rio.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Por essas e outras raz&otilde;es, &eacute; preciso que haja uma reformula&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o cont&aacute;bil brasileira, j&aacute; que ela n&atilde;o est&aacute; preparada para atender os diversos p&uacute;blicos, como &eacute; exemplo o artigo 1.190 do C&oacute;digo Civil, ao dispor: nenhuma autoridade, juiz ou tribunal, sob qualquer pretexto, poder&aacute; fazer ou ordenar dilig&ecirc;ncia para verificar se a sociedade empres&aacute;ria observa, em seus livros, as formalidades prescritas em lei.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Em conclus&atilde;o, quero engrossar o coro composto pelos professores Armando Luiz Rovai e Fabio Ulhoa Coelho, que se manifestaram neste mesmo espa&ccedil;o. &Eacute; imperioso que se proceda a uma reformula&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o mercantil brasileira, de modo a consolidar as suas normas em um &uacute;nico e completo documento legal, evitando-se, assim, por um lado, as lacunas e as d&uacute;vidas sobre aplica&ccedil;&atilde;o de determinada norma, e, por outro, as incoer&ecirc;ncias e os conflitos evidentes entre normas jur&iacute;dicas comerciais. Com essa iniciativa, tamb&eacute;m ser&aacute; poss&iacute;vel solidificar o direito cont&aacute;bil brasileiro.<\/span><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Edison Carlos Fernandes &eacute; advogado, doutor em direito pela PUC-SP e professor da Universidade Mackenzie e da FGV (GVLaw)<\/span><\/span><span _fck_bookmark=\"1\" style=\"display: none\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Edison C. 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