{"id":1057,"date":"2011-07-15T12:09:05","date_gmt":"2011-07-15T12:09:05","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/07\/15\/auditar-nao-e-investigar\/"},"modified":"2011-07-15T12:09:05","modified_gmt":"2011-07-15T12:09:05","slug":"auditar-nao-e-investigar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2011\/07\/15\/auditar-nao-e-investigar\/","title":{"rendered":"Auditar n\u00e3o \u00e9 investigar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"> \t<span style=\"font-size: 14px\"><em><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">por Eduardo Amaral Gurgel Kiss <\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\"><em><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">H&aacute; quem pense que auditores s&atilde;o investigadores, cuja miss&atilde;o &eacute; desvendar fraudes e conluios criminosos. Auditores s&atilde;o por vezes acusados de n&atilde;o terem detectado fraudes praticadas em empresas cujas demonstra&ccedil;&otilde;es cont&aacute;beis lhe s&atilde;o submetidas a exame. Existe, por&eacute;m, uma enorme diferen&ccedil;a entre auditar demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras e investigar (ou tentar descobrir) fraudes.<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\"><em><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">O objetivo de uma auditoria de demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras &eacute; verificar se, na opini&atilde;o dos auditores que a realizam, elas representam adequadamente a situa&ccedil;&atilde;o patrimonial e financeira da empresa, considerando elementos tais como os seus resultados, o fluxo de caixa e outros, e se a contabilidade est&aacute; de acordo com princ&iacute;pios aceitos. O objetivo de uma investiga&ccedil;&atilde;o de fraude &eacute; determinar sua eventual ocorr&ecirc;ncia, seus autores, o modo como foi perpetrada, quem dela se beneficiou. O simples enunciado dos objetivos da auditoria e os da investiga&ccedil;&atilde;o demonstra que as atividades n&atilde;o guardam rela&ccedil;&atilde;o entre si.<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\"><em><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Uma investiga&ccedil;&atilde;o de fraude parte do pressuposto de que h&aacute; &#8211; ou existem suspeitas de que ocorreu &#8211; uma pr&aacute;tica irregular, um fraudador, uma ilegalidade. Uma auditoria parte do pressuposto de que &eacute; necess&aacute;rio conhecer a empresa, suas metas, pr&aacute;ticas cont&aacute;beis, controles, sua administra&ccedil;&atilde;o e adotar os procedimentos apropriados para avaliar as demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras.<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\"><em><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Se no curso do trabalho de auditoria for encontrada uma fraude, o auditor deve tomar diversas provid&ecirc;ncias. Mas o objetivo do seu trabalho n&atilde;o &eacute; esse. O que se espera do auditor &eacute; uma seguran&ccedil;a razo&aacute;vel de que as demonstra&ccedil;&otilde;es cont&aacute;beis como um todo est&atilde;o livres de distor&ccedil;&atilde;o relevante, independentemente se causadas por fraude ou erro.<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\"><em><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Ao auditar demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras, portanto, o auditor n&atilde;o investiga poss&iacute;veis fraudes: o que almeja &eacute; uma seguran&ccedil;a razo&aacute;vel de que n&atilde;o h&aacute; distor&ccedil;&otilde;es decorrentes de erro ou fraude. Esta seguran&ccedil;a razo&aacute;vel &#8211; e n&atilde;o absoluta &#8211; &eacute; obtida por meio dos procedimentos estabelecidos para os trabalhos de auditoria, sobre os quais n&atilde;o nos aprofundaremos, e pela postura de ceticismo, que o auditor deve adotar em seu trabalho.<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong><span style=\"font-size: 14px\"><em><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Limites de trabalho. <\/span><\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\"><em><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Existem limites sobre o quanto o auditor consegue levantar em seu trabalho. A Resolu&ccedil;&atilde;o CFC n.&ordm; 1.203\/09 e as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC 200) tratam do assunto, estabelecendo que &quot;existe a possibilidade de que a administra&ccedil;&atilde;o ou outros possam n&atilde;o fornecer, intencionalmente ou n&atilde;o, as informa&ccedil;&otilde;es completas que s&atilde;o relevantes para a elabora&ccedil;&atilde;o das demonstra&ccedil;&otilde;es cont&aacute;beis ou que tenham sido solicitadas pelo auditor&quot;.<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\"><em><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Dizem, ainda, que &quot;a fraude pode envolver esquemas sofisticados e cuidadosamente organizados para sua oculta&ccedil;&atilde;o. Portanto, os procedimentos de auditoria aplicados para coletar evid&ecirc;ncias de auditoria podem ser ineficazes para a detec&ccedil;&atilde;o de distor&ccedil;&atilde;o relevante que envolva, por exemplo, conluio para a falsifica&ccedil;&atilde;o de documenta&ccedil;&atilde;o que possa fazer o auditor acreditar que a evid&ecirc;ncia de auditoria &eacute; v&aacute;lida quando ela n&atilde;o &eacute;&quot;.<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\"><em><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Por fim cabe lembrar que, nos termos da Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho Federal de Contabilidade n.&ordm; 836\/99, substitu&iacute;da pela norma citada acima, que havia aprovado a Norma Brasileira de Contabilidade 11-IT-03, a respeito de Fraude e Erro, n&atilde;o cabe ao auditor a responsabilidade por prevenir fraudes ou erros. O conceito de que o auditor n&atilde;o tem a responsabilidade por detectar fraudes &eacute; hoje aceito sem diverg&ecirc;ncias.<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\"><em><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Assim, todos os que se debru&ccedil;am sobre o trabalho do auditor, ou buscam a sua opini&atilde;o a respeito de demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras, entendem que ele n&atilde;o &eacute; respons&aacute;vel por desvendar fraudes. Portanto, n&atilde;o se pode esperar que uma auditoria de demonstra&ccedil;&otilde;es financeiras descubra tais irregularidades, principalmente quando realizadas pela pr&oacute;pria administra&ccedil;&atilde;o da entidade auditada. Espera-se, sim, que o auditor realize o seu trabalho com dilig&ecirc;ncia e cuidado, seguindo as regras da profiss&atilde;o.<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\"><em><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><strong>Fraude<\/strong>. <\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\"><em><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Ali&aacute;s, o pr&oacute;prio Poder Judici&aacute;rio j&aacute; se manifestou sobre o assunto, ao decidir sobre um caso de fraude ocorrido em um banco. Ao analisar a responsabilidade civil de uma auditoria sobre o desvio de verbas feito por funcion&aacute;rios, o Tribunal de Justi&ccedil;a de S&atilde;o Paulo decidiu: &quot;N&atilde;o houve descumprimento da obriga&ccedil;&atilde;o contratual, j&aacute; que o trabalho de auditoria n&atilde;o representa garantia total para a cobertura de irregularidades. Ademais, o preju&iacute;zo experimentado foi em decorr&ecirc;ncia da a&ccedil;&atilde;o direta e fraudulenta dos prepostos do Banco e n&atilde;o da conduta da empresa auditora.&quot; O pedido de indeniza&ccedil;&atilde;o foi considerado, assim, improcedente.<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\"><em><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Ou seja, no caso concreto examinado &agrave; &eacute;poca restou decidido que em caso de desvio ou fraude cometida pelos prepostos (funcion&aacute;rios) do banco, a empresa de auditoria n&atilde;o poderia ser responsabilizada por qualquer forma, porque t&atilde;o elevada era a culpa dos administradores do banco que acabou por absorver qualquer eventual conduta omissiva por parte dos auditores.<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\"><em><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\">Isso significa que o direito brasileiro n&atilde;o admite a pretens&atilde;o de se punir aquele cuja aten&ccedil;&atilde;o, em procedimento de auditoria de institui&ccedil;&atilde;o financeira, foi flagrantemente ludibriado por outrem que tinha por dever antecedente o ato de fornecer ao primeiro informa&ccedil;&otilde;es, dados e documentos de indiscut&iacute;vel autenticidade.<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p> \t<span style=\"font-size: 14px\"><em><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif\"><strong>Fonte<\/strong>:&nbsp; <a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/estadaodehoje\/20110214\/not_imp679271,0.php\"><font color=\"#5588aa\">O Estado de S.Paulo<\/font><\/a> <\/span><\/em><\/span><span _fck_bookmark=\"1\" style=\"display: none\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Eduardo Amaral Gurgel Kiss &nbsp; H&aacute; quem pense que auditores s&atilde;o investigadores, cuja miss&atilde;o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-1057","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-auditoria-contabil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1057","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1057"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1057\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1057"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1057"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1057"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}