{"id":1049,"date":"2015-07-02T11:03:01","date_gmt":"2015-07-02T11:03:01","guid":{"rendered":"http:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2015\/07\/02\/dois-de-julho-independencia-do-brasil-na-bahia\/"},"modified":"2015-07-02T11:03:01","modified_gmt":"2015-07-02T11:03:01","slug":"dois-de-julho-independencia-do-brasil-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2015\/07\/02\/dois-de-julho-independencia-do-brasil-na-bahia\/","title":{"rendered":"Dois de julho: Independ\u00eancia do Brasil (na Bahia)"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p class=\"post-title entry-title\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14px;\">Nasce o sol a dois de julho<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"post-title entry-title\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14px;\">Brilha mais que no primeiro<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"post-title entry-title\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14px;\">\u00c9 sinal que neste dia<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"post-title entry-title\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 14px;\">At\u00e9 o sol, at\u00e9 o sol \u00e9 brasileiro&#8230;<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong><span style=\"font-style: italic;\">Nunca mais, nunca mais o despotismo<\/span> <\/strong><\/span><span style=\"font-style: italic;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Reger\u00e1, reger\u00e1 nossas a\u00e7\u00f5es<\/strong> <\/span>(<a href=\"https:\/\/pt.wikisource.org\/wiki\/Hino_do_estado_da_Bahia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Letra completa do Hino ao Dois de Julho<\/a>)<\/span><\/span><\/span><\/p><\/blockquote>\n<div id=\"ez-toc-container\" class=\"ez-toc-v2_0_82_2 counter-hierarchy ez-toc-counter ez-toc-grey ez-toc-container-direction\">\n<div class=\"ez-toc-title-container\">\n<p class=\"ez-toc-title\" style=\"cursor:inherit\">\u00cdndice<\/p>\n<span class=\"ez-toc-title-toggle\"><a href=\"#\" class=\"ez-toc-pull-right ez-toc-btn ez-toc-btn-xs ez-toc-btn-default ez-toc-toggle\" aria-label=\"Alternar tabela de conte\u00fado\"><span class=\"ez-toc-js-icon-con\"><span class=\"\"><span class=\"eztoc-hide\" style=\"display:none;\">Toggle<\/span><span class=\"ez-toc-icon-toggle-span\"><svg style=\"fill: #999;color:#999\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" class=\"list-377408\" width=\"20px\" height=\"20px\" viewBox=\"0 0 24 24\" fill=\"none\"><path d=\"M6 6H4v2h2V6zm14 0H8v2h12V6zM4 11h2v2H4v-2zm16 0H8v2h12v-2zM4 16h2v2H4v-2zm16 0H8v2h12v-2z\" fill=\"currentColor\"><\/path><\/svg><svg style=\"fill: #999;color:#999\" class=\"arrow-unsorted-368013\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"10px\" height=\"10px\" viewBox=\"0 0 24 24\" version=\"1.2\" baseProfile=\"tiny\"><path d=\"M18.2 9.3l-6.2-6.3-6.2 6.3c-.2.2-.3.4-.3.7s.1.5.3.7c.2.2.4.3.7.3h11c.3 0 .5-.1.7-.3.2-.2.3-.5.3-.7s-.1-.5-.3-.7zM5.8 14.7l6.2 6.3 6.2-6.3c.2-.2.3-.5.3-.7s-.1-.5-.3-.7c-.2-.2-.4-.3-.7-.3h-11c-.3 0-.5.1-.7.3-.2.2-.3.5-.3.7s.1.5.3.7z\"\/><\/svg><\/span><\/span><\/span><\/a><\/span><\/div>\n<nav><ul class='ez-toc-list ez-toc-list-level-1 ' ><li class='ez-toc-page-1 ez-toc-heading-level-2'><a class=\"ez-toc-link ez-toc-heading-1\" href=\"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/2015\/07\/02\/dois-de-julho-independencia-do-brasil-na-bahia\/#Dois_de_julho_Independencia_do_Brasil_na_Bahia\" >Dois de julho: Independ\u00eancia do Brasil (na Bahia)<\/a><\/li><\/ul><\/nav><\/div>\n<h2><span class=\"ez-toc-section\" id=\"Dois_de_julho_Independencia_do_Brasil_na_Bahia\"><\/span>Dois de julho: Independ\u00eancia do Brasil (na Bahia)<span class=\"ez-toc-section-end\"><\/span><\/h2>\n<p>Poucas pessoas fora da Bahia conhecem a for\u00e7a do 2 de julho. \u00c9 uma falha enorme de informa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, pois trata-se do processo de independ\u00eancia do Brasil, e n\u00e3o da independ\u00eancia da Bahia, como at\u00e9 hoje muita gente fala. Uma coisa \u00e9 dar o grito do Ipiranga, outra coisa \u00e9 garantir pleno dom\u00ednio sobre o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Entre as duas pontas, uma guerra. A guerra da Bahia, onde brilhou o hero\u00edsmo popular, al\u00e9m de lideran\u00e7as como Labatut, Lima e Silva, Jo\u00e3o das Botas, Maria Quit\u00e9ria, entre tantos outros. Em carta a Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, Labatut registra: &#8220;Nenhum filho de dono de engenho se alistou para lutar&#8221;. A consci\u00eancia da possibilidade de uma na\u00e7\u00e3o surgiu de baixo.<\/p>\n<p>Foram meses de luta, batalhas em diversos pontos do Rec\u00f4ncavo Baiano, sendo a mais famosa a de Piraj\u00e1, onde segundo consta, o corneteiro Lopes decidiu a vit\u00f3ria tocando &#8216;avan\u00e7ar&#8217; quando havia sido instru\u00eddo para fazer o contr\u00e1rio. Vit\u00f3ria brasileira.<\/p>\n<p>Que esp\u00e9cie de sol \u00e9 esse &#8211; &#8216;brilha mais que no primeiro&#8217;? Que esp\u00e9cie de chamado convoca e re\u00fane cerca de 500.000 pessoas em Salvador a cada 2 de julho, h\u00e1 184 anos, em torno de um cortejo, que na verdade \u00e9 espelho vivo de n\u00f3s mesmos, uma constru\u00e7\u00e3o existencial baiana, encontro e pororoca de atitudes culturais as mais distintas?<\/p>\n<p>Na verdade, basta olhar o carro do caboclo para exemplificar o que \u00e9 mesmo diversidade: tem lan\u00e7a de madeira apontada para um drag\u00e3o, cocar, muitas penas, armadura de ferro em estilo medieval, baionetas, anjinhos barrocos, placas com nomes de her\u00f3is, colares diversos, alforjes, bandeiras, folhas e mais folhas, entre outras tantas coisas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma festa para se ver pela televis\u00e3o ou para entender atrav\u00e9s da m\u00eddia. N\u00e3o adianta focalizar em momentos, mesmo que solenes e oficiais, reunindo poderes constitu\u00eddos e povo. \u00c9 uma festa para participar. S\u00f3 sabe do que se trata quem vai l\u00e1, quem sente a emo\u00e7\u00e3o fluindo, quem v\u00ea o interesse do povo em festejar e manter a tradi\u00e7\u00e3o, desde a alvorada no largo da Lapinha at\u00e9 o Campo Grande.<\/p>\n<p>No meio de tudo isso a figura inesquec\u00edvel de Maria Quit\u00e9ria, uma mulher que se fez soldado, e que foi oficialmente aceita por D. Pedro I como membro do Ex\u00e9rcito Nacional, com direito a ostentar sua ins\u00edgnia pelo resto da vida. Lutou bravamente, desafiou a todos, inclusive ao pai, que a queria longe da luta.<\/p>\n<p>Segundo a historiadora inglesa Maria Graham, que deixou registrado um perfil da hero\u00edna, a mo\u00e7a era bastante feminina, ningu\u00e9m duvidava de sua virtude mesmo depois de meses de acampamento com os homens. Gostava de comer ovo ao meio dia e peixe com farinha no jantar. Fumava um cigarro de palha ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es. Entendia as coisas com rapidez e naturalidade. Depois da guerra voltou para sua terra, casou-se e teve uma filha. Entrou em Salvador acompanhando o General Lima e Silva e foi agraciada com uma coroa de flores no Convento da Soledade.<\/p>\n<p>\u00c9 mesmo impressionante verificar que o esp\u00edrito de 1823, da entrada triunfante de nossos combatentes e da vis\u00e3o libertadora compartilhada por Rec\u00f4ncavo e Cidade da Bahia, tenha sido preservado durante todo esse tempo, e que ainda continuar\u00e1 dessa forma por muitos e muitos anos. Qual o segredo da longevidade?<\/p>\n<p>N\u00e3o existe segredo. Enquanto a popula\u00e7\u00e3o sentir que o 2 de julho lhe pertence, haver\u00e1 2 de julho. E portanto, para falar disso que emana da festa, devemos esquecer os chav\u00f5es do civismo, aquela no\u00e7\u00e3o de bandeirantes fardados e perfilados, pois o territ\u00f3rio do nosso civismo \u00e9 outro &#8211; \u00e9 mais caboclo. E n\u00e3o \u00e9 territ\u00f3rio de exclus\u00e3o, celebra caboclo e cabocla. Portanto, entre folhas, armadura, drag\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o o que emerge \u00e9 o pr\u00f3prio territ\u00f3rio cultural da Bahia. Territ\u00f3rio matriz que n\u00e3o est\u00e1 interessado em meros separatismos, e sim na inven\u00e7\u00e3o de uma nova id\u00e9ia de coletivo.<\/p>\n<p>Na verdade esse civismo de pertencimento, que n\u00e3o depende de ef\u00edgies gregas, m\u00e1ximas latinas ou princ\u00edpios positivistas (mas que tamb\u00e9m n\u00e3o os rejeita), se realimenta a cada ano com a pr\u00f3pria participa\u00e7\u00e3o dos atores e autores populares, os quais garantem perman\u00eancia \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o, simplesmente por se sentirem parte dela.<\/p>\n<p>Muito antes do atual discurso sobre inclus\u00e3o, l\u00e1 estava o s\u00edmbolo pronto de um Pa\u00eds, o qual s\u00f3 lentamente vai se aproximando da densidade da constru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de origem. Coisas que eram apenas vetores em 1822-23 foram aos poucos virando realidade &#8211; aboli\u00e7\u00e3o, rep\u00fablica, protagonismo feminino&#8230;<\/p>\n<p>Na verdade, na verdade, o mais bonito \u00e9 pensar que o 2 de Julho \u00e9 o nosso destino, e que certamente um dia estaremos plenamente \u00e0 altura da for\u00e7a e dignidade que evoca e constitui.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 14px;\">Texto de <\/span><i><b>Paulo Costa Lima<\/b>, compositor, professor da Escola de M\u00fasica da UFBA. <a href=\"http:\/\/www.paulolima.ufba.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.paulolima.ufba.br<\/a>\u00a0<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/A5sg97wrmPs\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 14px; color: #ff0000;\"><strong>VEJA MAIS DETALHES SOBRE A\u00a0<\/strong><\/span><span style=\"font-size: 14px; color: #ff0000;\"><strong>HIST\u00d3RIA DO\u00a0DOIS DE JULHO<\/strong><\/span><span style=\"font-size: 14px;\">: <\/span><strong style=\"font-size: 14px;\"><a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Independ%C3%AAncia_da_Bahia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aqui<\/a> <\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nasce o sol a dois de julho Brilha mais que no primeiro \u00c9 sinal que<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9235,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[92],"tags":[],"class_list":["post-1049","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-eventos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1049","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1049"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1049\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alcantara.pro.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}